O presidente Lula (PT) ampliou a distância sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e quebrou o empate técnico que se desenhava na disputa pelo Palácio do Planalto em um eventual segundo turno. De acordo com pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10), o atual mandatário marca 44% das intenções de voto, contra 38% do parlamentar fluminense.
No levantamento anterior, realizado em maio, os dois apareciam em situação de igualdade na margem de erro, com Lula em 42% e Flávio em 41%. A oscilação atual ocorre na esteira do desgaste provocado pelas revelações do caso envolvendo o Banco Master e o financiamento do filme autobiográfico sobre Jair Bolsonaro (PL).
A pesquisa aponta que brancos, nulos e eleitores que declaram que não pretendem votar somam 14% no cenário de segundo turno, enquanto os indecisos representam 4%.
Mudança entre independentes e impacto do caso Master
O avanço de Lula sobre o principal nome da oposição é explicado sobretudo pela movimentação do eleitorado independente, que compõe cerca de um terço do total de votantes. Ao analisar os dados, Felipe Nunes, diretor da Quaest, explica: “A mudança mais expressiva aconteceu nos independentes, que trocaram Flávio por Lula“. Nesse grupo, o petista subiu de 29% para 37%, enquanto o senador recuou de 31% para 24%.
A deterioração dos índices de Flávio Bolsonaro coincide com a vinda a público de áudios de uma conversa com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Nos diálogos, o congressista solicitava recursos para a produção do filme “Dark Horse” — transação que chegou a R$ 61 milhões.
A reação dos entrevistados ao episódio foi majoritariamente negativa. Para 65% dos eleitores, o filho “01” do ex-presidente errou ao pedir o dinheiro e deveria ter evitado o contato. Outros 60% avaliam que as conversas levantam suspeitas de atos ilegais, e 62% afirmam que o senador sabia que o interlocutor estava envolvido em esquemas de corrupção.
Liderança no primeiro turno e pulverização da terceira via
No cenário de primeiro turno, testado com 13 candidatos, Lula mantém o primeiro lugar com 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, que contabiliza 29%.
Os demais concorrentes testados pela Quaest não alcançaram os dois dígitos. O coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos (Missão), e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), aparecem empatados com 3%. O deputado federal Aécio Neves (PSDB) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) registram 2% cada.
Abaixo deles, o escritor Augusto Cury (Avante), o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa (DC) e Samara Martins (UP) têm 1%. Cabo Daciolo (Mobiliza), Edmilson Costa (PCB), Heró Bezerra (PRTB) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram. Votos brancos, nulos ou abstenções somam 9%, e 10% não souberam responder.
Rejeição alta estabiliza cenários alternativos
Apesar da vantagem numérica de Lula na simulação direta contra o PL, o quadro geral continua marcado pela forte polarização e por índices elevados de rejeição de parte a parte. A parcela da população que afirma que não votaria em Flávio Bolsonaro de forma alguma é de 56%, patamar muito próximo dos 53% que declaram recusa ao nome do atual presidente. Aécio Neves lidera o indicador desfavorável, com 54% de rejeição.
A Quaest também testou o desempenho de Lula contra outros nomes de direita em simulações de segundo turno. O chefe do Executivo vence Renan Santos por 45% a 31% (embora o pré-candidato do Missão tenha atingido seu teto histórico na série), supera Romeu Zema por 45% a 35% e bate Ronaldo Caiado por 45% a 44%.
Segundo a avaliação do instituto de pesquisas, a estabilidade de Lula na liderança é sustentada por uma leve melhora na percepção econômica, impulsionada por medidas populares recentes, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda e o programa de renegociação de dívidas Desenrola. A avaliação positiva do governo se mantém em 34%, contra 38% de reprovação e 26% que consideram a gestão regular.
Metodologia
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais domiciliares, entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07661/2026.
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