A divulgação de áudios que expõem a proximidade entre a família Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro provocou os primeiros efeitos concretos na corrida presidencial de 2026. O levantamento AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgado nesta terça-feira (19), indica que o episódio atingiu politicamente o senador Flávio Bolsonaro, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve a liderança e ampliou a vantagem sobre o principal nome da oposição.
Realizada entre os dias 13 e 18 de maio, período marcado pela repercussão dos áudios, a pesquisa captou o impacto imediato do caso sobre as intenções de voto. No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 47%, mantendo estabilidade em relação aos levantamentos anteriores. Flávio Bolsonaro, por sua vez, recuou para 34,3%, registrando uma queda expressiva. A distância entre os dois, que em abril era de cerca de sete pontos percentuais, agora se aproxima de 13 pontos.
Na sequência aparecem Romeu Zema, com 5,2%, Ronaldo Caiado, com 2,7%, e Renan Santos, com 6,9%. O levantamento ouviu 5.032 pessoas pela internet e tem margem de erro de um ponto percentual.
Queda de Flávio pressiona estratégia bolsonarista
O levantamento reforça uma preocupação crescente dentro do campo conservador: a dependência eleitoral da família Bolsonaro. Mesmo desgastado, Flávio segue sendo o nome mais competitivo da direita, muito à frente de outros governadores e lideranças testadas pela AtlasIntel.
Ao simular um cenário sem o senador, a pesquisa mostra fragmentação do eleitorado conservador. Sem um representante direto do clã Bolsonaro, Lula mantém patamar próximo de 47%, enquanto Zema sobe para 17% e Caiado alcança 13,8%.
A Atlas também testou uma eventual candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Nesse cenário, Lula aparece com 47% e Michelle soma 23,4%, desempenho inferior ao de Flávio. O resultado evidencia limites na transferência de capital político dentro da própria família Bolsonaro.
Nos bastidores da direita, o levantamento ampliou dúvidas sobre a capacidade de o bolsonarismo manter competitividade sem o ex-presidente Jair Bolsonaro elegível. A pesquisa sugere que, apesar da força simbólica do sobrenome Bolsonaro, nenhum nome alternativo conseguiu consolidar liderança nacional capaz de rivalizar diretamente com Lula.
Lula mantém liderança mesmo com desgaste do governo
O levantamento também mostra um cenário contraditório para o Palácio do Planalto. Embora o governo Lula continue enfrentando índices elevados de desaprovação, o presidente preserva vantagem confortável em todos os cenários testados.
Segundo a pesquisa, 51,3% desaprovam o desempenho do governo, enquanto 47,4% aprovam a gestão. Já a avaliação negativa da administração federal atinge 48,4%, contra 42,9% que classificam o governo como ótimo ou bom.
Apesar disso, Lula lidera todos os cenários de segundo turno simulados pela AtlasIntel. Contra Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 48,9%, enquanto o senador marca 41,8%. Em disputas contra Romeu Zema e Ronaldo Caiado, a vantagem também permanece acima da margem de erro.
Os dados sugerem que o desgaste do governo ainda não foi convertido em maioria eleitoral pela oposição. A pesquisa mostra um país politicamente polarizado, mas relativamente estável em seus blocos de apoio, com Lula mantendo força sobretudo entre eleitores de menor renda e no Nordeste, enquanto a direita segue mais competitiva entre evangélicos, eleitores de renda mais alta e nas regiões Sul e Centro-Oeste.
Rejeição cresce após escândalo com Vorcaro
Outro dado que chamou atenção foi o avanço da rejeição de Flávio Bolsonaro após a repercussão dos áudios relacionados ao Banco Master. Segundo a AtlasIntel, aumentou o número de eleitores que afirmam não votar “de jeito nenhum” no senador, além do crescimento do percentual de brasileiros que demonstram receio de uma eventual vitória do parlamentar em 2026.
O levantamento reforça a avaliação de que o episódio envolvendo Daniel Vorcaro abriu uma crise política com potencial de atingir diretamente o núcleo eleitoral do bolsonarismo em um momento decisivo da reorganização da direita para a sucessão presidencial.
Registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-06939/2026 e possui nível de confiança de 95%.
Edivaldo Dias de Oliveira
19 de maio de 2026 11:30 amA última pesquisa depois do AZARÃO.
48×41 para Lula no 2º turno. No 1º não divulgam prá não apavorar. Mas a chamada cachorra do UOL hoje, no meio prá baixo da página é: Flávio cai 6 pontos. Nenhuma surpresa. Nas redações a grande pauta é o que fazer com as pesquisas daqui prá frente, onde enfiar, como esconder. Chega de pesquisamos, dizem. Já deu.
Carlos
19 de maio de 2026 10:22 pmBasta Lula manter o ritmo e rola reeleição no 1o turno. Se esforçando um pouco mais reconfiguramos este congresso, tirando a excrescência do PL da história do Brasil.