10 de junho de 2026

Das veias abertas ao protagonismo amazônico, por Augusto Rocha

Como nunca tivemos um passado próspero, o que precisamos é trazer o “país do futuro” para o país do presente.
Foto de Andre Deak - Wikimedia Commons

A Amazônia, incluindo a parte venezuelana, enfrenta desafios na construção de infraestrutura e na proteção de seus recursos.
O Brasil deve buscar gerar riqueza localmente, com capital e tecnologia nacionais, para evitar dependência externa.
Manter boas relações internacionais é vital, mas é essencial fortalecer a economia interna para garantir soberania.

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Das veias abertas ao protagonismo amazônico

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

Com o retumbante sucesso da estratégia de “inundar a área” (“flood the zone”) é difícil enxergar o mundo sem as modificações impostas ao cotidiano pela nova postura dos EUA. Afinal, cerca de metade do território da Venezuela é considerado “Amazônia” e, como morador da Amazônia brasileira, é inevitável colocar em contraponto o que se passa aqui com o que se passa por lá.

A construção de infraestrutura na Amazônia segue sendo uma necessidade e, nestes tempos, a ocupação com atividades econômicas que não seja mais das “veias abertas da América Latina” (como já esclareceu detalhadamente o Eduardo Galeano). A questão que se impõe é: como fazer para e pelo interesse nacional? Afinal, não faltam os “comissionistas”, que vão encontrar um jeito de entregar riquezas para estrangeiros.

Como mudar esta ordem é que vira o desafio para todos nós, pois as veias abertas não são mais disfarçadas – elas estão escancaradas. Felizmente o Brasil possui uma boa relação com os EUA, nas várias dimensões. A questão que nos toca é como manter as boas relações, ao mesmo tempo em que passamos a gerar mais riquezas para reduzir a desigualdade nacional frente aos países mais ricos.

Numa eventual ausência de riqueza ou de força, a soberania poderia ser colocada em dúvida. Por isso, é fundamental começarmos a transformar por nós mesmos a realidade local, para que não se repita o que aconteceu com a borracha em tantas outras possibilidades que a natureza amazônica pode oportunizar.

Como nunca tivemos um passado próspero, o que precisamos é trazer o “país do futuro” para o país do presente. Sem isso, poderemos nos tornar colônia de algum dos impérios globais que estão se formando. A ordem internacional abalada precisa nos levar a construir uma nova postura interna, tanto de geração de riqueza, saindo de uma autodefesa pela amizade, para uma autodefesa pela riqueza e pela própria força.

Para isso necessitaremos sair das commodities tradicionais e passar para a presença de capital nacional, empresas nacionais e geração de tecnologias e produtos nacionais, tanto para o mercado brasileiro quanto para o exterior. Será impossível fazer isso apenas com o agro ou o extrativismo mineral: precisamos adicionar valor, para não seguir sendo uma colônia virtual, pois, se for assim, poderemos nos tornar uma colônia real.

A transformação brasileira pode manter tudo o que temos de bom, inclusive ser amigo dos EUA, China, Europa e Rússia. Ao mesmo tempo em que, precisaremos aumentar a capacidade de gerar riqueza e proteção. Tecnologia e capital nacional são fundamentais para isso. Não será atraindo mais capital estrangeiro que reduziremos as nossas dependências. O mundo mudou e precisaremos mudar com ele. Com isso, usar melhor as nossas veias e baixar o juro ajudará a chegar neste caminho.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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