10 de junho de 2026

Soberania Amazônica, por Augusto Rocha

Teremos que repensar com urgência e emergência a nossa relação com o mundo e com cenários onde a Carta das Nações Unidas seja ignorada.
Grafite - acervo Prefeitura de Manaus

A ação dos EUA na Venezuela é vista como ato de anexação, ameaçando a ordem global e a soberania regional.
A revitalização da indústria petrolífera venezuelana pode atrair investimentos, mas gera riscos geopolíticos na Amazônia.
Brasil deve repensar sua estratégia na Amazônia, fortalecendo soberania e união diante da instabilidade no vizinho.

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Soberania Amazônica

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

A decadência venezuelana era algo muito triste e que não podíamos fazer muito além de lamentar e torcer para aquele país encontrar o seu próprio caminho de mudança. Dada a ordem do pós-guerra e da autodeterminação dos povos, presente na Carta das Nações Unidas. Com isso, a maior reserva global de petróleo poderia ser uma dádiva ou um peso para a Venezuela, que possui cerca de 34 milhões de habitantes (segundo o Tradingeconomics) e área semelhante ao Estado de Mato Grosso.

A ação norte-americana na Venezuela demonstra o quanto o mundo contemporâneo está vulnerável, como estava antes da II Guerra Mundial, pois o que vimos foi um ato de anexação ou colonização, como pontuou o ex-senador Jean-Paul Prates. Com o desenrolar dos dias, compreenderemos melhor. Se mantida a escalada retórica, talvez tenhamos que repensar como nos vemos no mundo, pois se a ordem global voltar ao tempo das anexações, tal qual a Polônia caiu frente à Alemanha em 1939 ou das colonizações, como a do Quênia pela Inglaterra, entre 1895 e 1963, derivada da “Partilha da África”, no neoimperialismo a partir de 1880.

A potencial revitalização da deprimente indústria petrolífera venezuelana, que se avizinha, atrairá muita alegria para empresas e investimentos e eventuais celebrações dos detratores do regime ditatorial do Nicolás Maduro, pois para todo governo existem opositores, mas, por outro lado, não podemos perder a visão do que isto significa na ordem (ou desordem) global. Imaginemos se, na esteira dos acontecimentos, a Guiana ou Roraima forem anexados? O que dizer disto? Lembrando o padrão de mudanças dos antecedentes da II Guerra Mundial, depois da Alemanha anexar a Polônia, caíram a Dinamarca e a Noruega. A sequência temporal é gradual e não faltam avisos sobre a Groelândia, que, quem sabe por estranha coincidência, é dinamarquesa.

Neste contexto, considerando que temos petróleo e terras raras, com uma soberania amazônica sempre em risco, seja pela falta de pessoas (“integrar para não entregar”), seja pelas questões climáticas (“batalha essencial para a meta climática”), teremos que repensar com urgência e emergência a nossa relação com o mundo e com cenários onde a Carta das Nações Unidas seja ignorada. Neste potencial cenário, mais belicoso, teremos que nos reencontrar com a nossa soberania e com a união nacional frente a um potencial ataque estrangeiro ou, minimamente, o que já temos posto como fato: um aumento da instabilidade no vizinho.

A história demonstra que interesses econômicos e políticos terminam em movimentos bélicos. Cultivar aliados é fundamental, compreender as forças e fraquezas também é. Neste instante de beligerância precisaremos nos reencontrar como sociedade, pois a ameaça externa é a melhor força de união de um país. A opção pacífica não é mais suficiente para encontrar a paz e a soberania. Teremos que repensar a estratégia para a Amazônia neste novo e inacreditável cenário que lembra os anos 1500, 1880 e 1939. As semelhanças são mais que suficientes para gerar uma nova postura brasileira frente a Amazônia.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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