O que deveria ser apenas uma noite de premiação a grandes nomes da música, transformou-se em um dos atos políticos mais coordenados da história recente de Hollywood.
Durante a cerimônia do Grammy 2026, realizada neste domingo (1º), o tapete vermelho e o palco principal foram tomados por um símbolo de resistência: o broche com os dizeres “ICE OUT” (Fora ICE).
O movimento é uma resposta direta às intensificações das táticas de controle imigratório da Agência Federal de Imigração dos EUA (ICE) sob a administração de Donald Trump.
Entenda o “Fora ICE”
Os protestos no Grammy não ocorrem em um vácuo. Eles são o ápice de uma série de manifestações nacionais intituladas “ICE Fora de Todos os Lugares”.
A revolta popular escalou fortemente após operações federais em Minneapolis que resultaram na morte de civis. O caso de Renee Good e Alex Pretti, cidadãos americanos mortos em ações do ICE, gerou uma crise de imagem para o governo, provocando indignação inclusive entre setores que antes apoiavam as políticas de fronteira.
O setor musical exige mudanças
Bad Bunny, vencedor em três categorias teve um dos discursos mais marcantes da edição, sendo uma das figuras mais influentes da cultura latina atual, trouxe um tom humanitário e urgente.
Em seu discurso, ele rebateu a retórica de desumanização frequentemente associada ao debate migratório:
“Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas. Somos humanos e somos americanos. O ódio se torna mais poderoso com mais ódio; a única coisa mais forte que isso é o amor.”
A vencedora da categoria Canção do Ano, Billie Eilish, não conteve as críticas ao subir ao palco por “Wildflower”. Visivelmente emocionada, ela utilizou um mantra comum em manifestações populares: “Ninguém está ilegal em terras roubadas” e foi ovacionada pela plateia.
A noite também premiou talentos que trazem a imigração em seu DNA. Olivia Dean, eleita Artista Revelação, dedicou seu troféu à avó, uma imigrante que permitiu que sua trajetória fosse possível. Filha de um britânico e uma guianense-jamaicana, Dean afirmou ser “fruto da coragem”.
“Sou fruto da coragem, e acho que essas pessoas merecem ser celebradas”
Já a veterana Gloria Estefan, vencedora de seu quinto Grammy, falou com a autoridade de quem vive a experiência latina nos EUA há décadas.
Gloria Estefan tem sido uma voz ativa em causas humanitárias relacionadas a Cuba e à comunidade latina e na sala de imprensa, pontuou que o foco das ações não tem sido prender criminosos.
“Não creio que alguém diria que queremos uma anarquia na fronteira (…) Mas o que está acontecendo não são criminosos sendo presos. São pessoas que têm famílias que contribuíram para este país durante décadas. Crianças pequenas — há centenas de crianças em centros de detenção“.
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Rui Ribeiro
4 de fevereiro de 2026 1:25 pm“Grammy is a prize that every artist wants almost as much as Trump wants Greenland. Which makes sense because Epstein’s island is gone. He needs a new one to hang out with Bill Clinton.”- Trevor Noah
O Trevor Noah não deve ser censurado pois o governo Trump [é favorável à liberdade de expressão. Deixa o Artista expressar sua arte livremente. Se a carapuça encaixa, relaxa, Trump. E segue em frente com outro assunto. Já passou da hora.