10 de junho de 2026

Classe dominante brasileira trata o Estado como propriedade privada, afirma Haddad

Ministro defende que lógica remonta ao pós abolição da escravidão, quando proprietários rurais foram indenizados pela perda da mão de obra escravizada
Crédito: Rovena Rosa/ Agência Brasil

Durante o lançamento de seu livro Capitalismo Superindustrial, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a elite econômica brasileira historicamente se apropria do Estado como se fosse um bem privado. O evento ocorreu neste sábado (7), no Sesc 14 Bis, em São Paulo, e contou com a participação do cientista político Celso Rocha de Barros e mediação da historiadora Lilia Schwarcz.

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“A classe dominante brasileira entende o Estado como dela, não é uma coisa nossa, é uma coisa dela”, disse Haddad ao comentar as raízes históricas da formação política e econômica do país. Segundo o ministro, essa lógica remonta ao período imediatamente posterior à abolição da escravidão. Ele defendeu a tese de que o Estado teria sido entregue aos grandes proprietários rurais como forma de indenização pela perda da mão de obra escravizada.

Para sustentar o argumento, Haddad lembrou que o movimento republicano ganhou força no dia seguinte à assinatura da Lei Áurea, em 14 de maio de 1888, e chegou ao poder pouco mais de um ano depois. “O movimento republicano bota pra correr a classe dirigente do país e, no lugar dela, não põe outra coisa senão a classe dominante do país para cuidar do estado como se fosse seu. Nós estamos com esse problema até hoje”, afirmou.

O ministro também avaliou que esse arranjo político, consolidado sob a tutela das Forças Armadas, reage de forma imediata quando é questionado. “Por isso que a democracia no Brasil é tão problemática e tão frágil, porque a democracia é a contestação desse status quo. E, quando ela estica a corda, a ruptura institucional pode acontecer”, disse, ao avaliar que isso contribui para a fragilidade democrática no país.

Capitalismo superindustrial

Lançado pela Companhia das Letras, Capitalismo Superindustrial analisa os processos que levaram ao modelo contemporâneo do capitalismo global, caracterizado, segundo Haddad, pelo aumento da desigualdade e da competição. A obra aborda temas como a acumulação primitiva de capital na periferia do sistema capitalista, a centralidade do conhecimento como fator de produção e as transformações nas estruturas de classe.

Para o ministro, a desigualdade tende a se aprofundar. Ele explicou que, quando o Estado atua para mitigar os efeitos do desenvolvimento capitalista, é possível reduzir tensões sociais. No entanto, sem essa mediação, o sistema produz uma desigualdade extrema.

O livro reúne estudos desenvolvidos por Haddad nas décadas de 1980 e 1990 sobre economia política e o sistema soviético, revisados e ampliados para dialogar com desafios atuais, como a ascensão da China no cenário global.

Processos no Oriente

Ao tratar das experiências asiáticas, Haddad explicou que buscou compreender formas específicas de acumulação primitiva de capital no Oriente, distintas tanto da escravidão nas Américas quanto da servidão no Leste Europeu. Segundo ele, esses processos tiveram caráter antissistêmico e antiimperialista.

“É curioso que, do ponto de vista interno, eram formas ultra violentas e coercitivas de acumulação de capital, mas do ponto de vista externo, tinha uma potência antissistêmica que apaixonava os povos em busca de liberdade e de emancipação nacional, e não de emancipação humana. Ou seja, nós estamos falando, sim, de uma revolução, mas não de uma revolução socialista e isso faz muita diferença”, avaliou. Haddad destacou ainda que, externamente, essas revoluções exerceram forte apelo entre povos em busca de emancipação nacional, embora não tenham resultado em revoluções socialistas no sentido clássico.

Sobre os resultados desses processos, o ministro ponderou que houve avanços significativos no desenvolvimento das forças produtivas e na mercantilização da terra, do trabalho e da ciência. “Em relação aos ideias que motivaram os líderes revolucionários, aí você pode dizer que não atingiu seus objetivos”, concluiu.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Roland Matt Rola

    9 de fevereiro de 2026 7:23 am

    Como este cara é cínico!
    Office boy da faria lima.

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