A Privatização da Eletropaulo: da venda à AES a ENEL
por Maurício Araújo
1998. Começa a privataria Tucana (muito bem descritas no livro de mesmo nome e garantidas pelo Engavetador (procurador) Geral da República, Sr. Aristides Junqueira. Porque, afinal, FHC foi à escola e sabe muito bem a importância de ter uma pessoa totalmente leal na posição, ao contrário de seu sucessor), com o blá blá blá neoliberal de ocasião, mas o objetivo final era reforçar o caixa em dólar do governo FHC para garantir a quase paridade do real com a moeda americana pelo menos até as eleições do fim do ano, não sem que polpudas comissões fossem pagas em cada um dos processos.
No caso da Eletropaulo, o grupo AES dos EUA entrou em parceria com um grupo francês, porque afinal os puritanos americanos não podem pagar comissões, então os franceses fizeram seu papel, acertaram com o tucanato e depois se retiraram da operação. Comprada a empresa, foram colocados os irmãos Travesso para começar as travessuras na empresa, contratados pelos famigerados headhunters. Os gringos não sabiam onde estavam. Ao então CEO das AES foi indicado um ex-funcionário do Dep. De Estado dos EUA, especialista em Brasil, que fala português fluente (para um americano…). O CEO ao entrar em contato, se apresentou e disse: compramos uma empresa de energia num tal de Brazil, nem sei onde fica, então me indicaram você para nos assessorar nisso…
Nasceu aí uma grande amizade que dura até hoje, mas infelizmente nem o brasilianista conseguiu impedir uma das maiores asneiras da história do setor elétrico brasileiro, a construção da usina térmica a gás natural de Uruguaiana, imaginem, contando com o gás da Argentina, pasmem!! Nunca funcionou nem a 30% da capacidade por falta de gás…
Mas voltando ao foco, quando a Enron desmoronou no Tio Sam, a AES quase foi a reboque, o grupo que comprou a empresa no Brasil foi deposto do Board, então os Travesso saíram da Elepropaulo, e assumiu o americano Steven Clancy, com o único objetivo de mandar os recursos que fossem possíveis do Brasil para os EUA para impedir a quebra lá, o que foi feito em operações ilegais de antecipação de dividendos estimados, deixando a Eletropaulo à mingua.
Chega 2003 após várias parcelas em aberto com o BNDES (sim, o tucanato financiou parte da compra), a dívida estava para ser executada, quando consultores de negócios (entre eles Nelson dos Santos Filho), todos com acesso ao Governo Federal e à AES (EUA e Brasil) montaram a operação que equacionou a dívida junto ao BNDES e fez o banco de fomento ficar sócio da empresa. Anos depois, com a venda da concessão para a ENEL, o banco realizou um lucro bastante substancial.
Voltando a 2003, o responsável pela operação na matriz americana foi um jovem advogado em ascensão na companhia chamado Josef Brandt, que ao final do acordo foi promovido a Vice-presidente e ficou responsável pala operação no Brasil. Ainda antes da assinatura do acordo, foi recomendado ao Sr, Brandt a troca do CEO da Eletropaulo por um nome de respaldo no Brasil, sugestão acatada, foi contratado o Sr. Eduardo José Bernini, último presidente da era estatal, naquele momento recém demitido da EDP. Combinou com Nelson Santos que teria 3 diretorias, acabou cedendo apenas uma.
Para dar uma limpada no passivo da AES Brasil, Joseph Brandt oferece a Nelson Santos a empresa Eletronet, em autofalência, por um Real, que aceita, e a coloca, em um primeiro momento, no nome de um amigo israelense (volto a esse assunto mais tarde).
Acordo com o BNDES assinado, e o Sr. Bernini tenta queimar Nelson Santos com Joseph Brandt. A tentativa deu errado, Brandt informou Nelson da “trairagem” de seu indicado, que deu em Bernini a devida bronca e Bernini passou a se “comportar” até o início de 2005, quando Brandt saiu da AES americana.
Claro que Bernini pensou que era chegada a hora de livrar-se de Nelson Santos compondo-se com o novo comandante da empresa nos EUA, o venezuelano Andrés Gluski.
Para resumir a estória, deu errado novamente para Bernini, que acabou demitido, mas desta vez, Nelson Santos não consegui fazer o sucessor, que acabou sendo o mineiro acariocado Britaldo Soares, então diretor financeiro contratado por headhunter.
Nelson e seus sócios ainda tinham algum trânsito na AES americana, mas perderam acesso à Eletropaulo. Passado algum tempo, a matriz americana passou a ter interesse em vender a operação brasileira, recorrendo novamente aos seus consultores, mas neste momento entrou em cena o professor Luciano Coutinho, que assumira a presidência do BNDES, que apesar de cumprir a hipócrita exigência legal de afastar-se de seus negócios privados para assumir o cargo, sequer mudou o nome de sua consultoria, que tinha como grande cliente a famigerada empreiteira tucana Camargo Correa, que tinha por hábito comprar tudo que podia na bacia das almas, com moedas podres, e por aí vai, e com a ida de seu lobista para o governo federal, achou que poderia “pegar” a Eletropaulo via “corretor” Coutinho.
Deu trabalho para conter essas investidas, a Camargo não levou, mas nova vitória de Pirro para Nelson Santos e associados, também não conseguiram levar o comprador. Veio o governo Temer e o resto é história, caiu nas mãos da ENEL.
Em tempos de Banco Master, mais uma curiosidade sobre NSF. Logo depois do acordo assinado, em que a Vice-presidente Financeira ganhou um upgrade em seu status na empresa dado ao seu trabalho na conclusão do acordo com o BNDES, Nelson a obrigou a investir no “a falir em questão de dias” Banco Santos, sabidamente a fundo perdido, somente para dar um pequeno fôlego a seu amigo Edemar Cid Ferreira…
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