O governo denunciou por “terrorismo” os manifestantes contra a reforma trabalhista
A ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, justifica a repressão e procura ligar os detidos com organizações internacionais.
O governo da Argentina denunciou por “terrorismo” os manifestantes detidos na última quarta-feira, ao se mobilizarem ao Congresso contra o projeto de reforma trabalhista e enfrentarem a polícia nas imediações.
De acordo com o site argentino Pagina12, o Ministério da Segurança deu mais um passo adiante na criminalização dos protestos ao usar o argumento de que os atos tentaram semear “a morte e o caos”.
A confirmação da medida foi feita pela titular da pasta de Segurança, Alejandra Monteoliva, e pelo chefe de Gabinete, Manuel Adorni, que em suas redes sociais fez o anúncio com o slogan vingativo de “aquele que os faz pagar”.
“Uma bomba molotov é uma bomba, é uma arma que tem toda a intenção de gerar não só a morte, mas o caos”, exagerou Adorni para tentar amenizar a repressão policial contra a linha de frente dos manifestantes na Plaza Congreso.
Segundo Alejandra Monteoliva, os incidentes “foram muito mais do que uma contravenção” e disse que 17 pessoas se identificaram na marcha, os quais serão alvo da classificação criada particularmente para “condenar os membros de uma organização internacional financiada para gerar alarme e comoção social (…)”.
Não é a primeira vez que o governo de Javier Milei usa tal precedente para demonizar o direito da população argentina em se manifestar (consagrado nos artigos 14, 33 e 75 da Constituição): ele deu ordem semelhante com aqueles que foram presos em junho de 2024 depois de ser reprimido durante a mobilização maciça do Congresso contra a Lei de Bases.
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