21 de maio de 2026

Milei, Libertário ou Escravocrata?, por Petronio Portella Filho

Milei é um extremista que se acha tão original que reivindica o Nobel de Economia. Bem, se Maria Corina conseguiu o da Paz, tudo é possível.

Javier Milei aprovou no Senado reforma trabalhista na Argentina com jornada de 12h e fim de direitos como férias e horas extras.
Milei defende Estado menor, corte de gastos sociais e redução de impostos, afetando aposentados, classe média e baixa.
Críticas apontam que medidas beneficiam elites e prejudicam 40% da população pobre, configurando escravidão econômica.

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Milei, Libertário ou Escravocrata?

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por Petronio Portella Filho

Javier Milei conseguiu a aprovação pelo Senado (falta passar pela Câmara) de uma reforma trabalhista radical que impõe vários retrocessos:
– Jornada de 12 horas,
– Fim de horas extras remuneradas,
– Fim de pagamento por afastamento com atestado médico,
– Fim das férias de 30 dias,
– Grandes restrições às greves.

Milei é um extremista que se acha tão original que reivindica o Nobel de Economia. Bem, se Maria Corina Machado conseguiu o Nobel da Paz, tudo é possível.

Mas a verdade é que Milei apenas radicalizou a cartilha básica da direita:
— Estado menor,
— corte dos gastos sociais,
— revogação de direitos trabalhistas,
— redução das aposentadorias,
— ampla redução de impostos sobre o capital e o patrimônio,
— ajuste fiscal duríssimo em cima dos aposentados, da classe média e das classes baixas.

Onde está a originalidade de Milei? Medidas econômicas similares já foram aplicadas, com variações, em dezenas de países. Em todas elas o custo social foi elevado e os ganhos foram apropriados pelas elites.

No entanto, os grandes jornais brasileiros e argentinos seguem defendendo “o libertário” Milei. O mais difícil de entender é para quem ele está sendo libertário?

Ele está “libertando” os que vivem de renda ou lucro da obrigação de pagar impostos e de respeitar direitos trabalhistas? Com certeza. Mas desde quando eles não eram livres? Quando foi que patrões e rentistas se tornaram “escravos”?

O culto a Milei é baseado numa inversão de valores. Ele “liberta” os que já são livres e poderosos. Os que não precisam trabalhar pois vivem dos juros e dos rendimentos do seu patrimônio.

Curiosamente, para os que realmente precisam de liberdade — devedores, trabalhadores e classe média — Milei propõe mais trabalho, menos  salário, menos transferências e juros mais altos. Em outras palavras, menos liberdade para quem dela precisa. 

Considerando que cerca de 40% da Argentina é pobre, Milei está asfixiando grande parcela da população. Ele submete os desfavorecidos a algo analógo à escravidão econômica.

“Milei o Libertário” é nome de fantasia. É falsa propaganda.  Para a maioria esmagadora da população argentina, Milei é um escravocrata caricato. 

Petronio Portella Filho é economista formado na UnB, com mestrado na Universidade de Minnesota e doutorado na Unicamp. Consultor aposentado do Senado Federal, é autor dos livros A Moratória Soberana, Os Sapatos do Espantalho e Mentiras que Contam Sobre a Economia Brasileira.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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  1. Carlos

    18 de fevereiro de 2026 1:40 am

    Milei, Libertário ou Escravocrata?
    Na minha opinião nao passa de um babaca submisso aos eua. Aliás, não poderia ser de outra forma pois foi a grana injetada por trump que adiou (adiou que fique claro, já volta) a crise econômica da Argentina e garantiu maioria no congresso nas eleições legislativas logo a seguir

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