Milei, Libertário ou Escravocrata?
por Petronio Portella Filho
Javier Milei conseguiu a aprovação pelo Senado (falta passar pela Câmara) de uma reforma trabalhista radical que impõe vários retrocessos:
– Jornada de 12 horas,
– Fim de horas extras remuneradas,
– Fim de pagamento por afastamento com atestado médico,
– Fim das férias de 30 dias,
– Grandes restrições às greves.
Milei é um extremista que se acha tão original que reivindica o Nobel de Economia. Bem, se Maria Corina Machado conseguiu o Nobel da Paz, tudo é possível.
Mas a verdade é que Milei apenas radicalizou a cartilha básica da direita:
— Estado menor,
— corte dos gastos sociais,
— revogação de direitos trabalhistas,
— redução das aposentadorias,
— ampla redução de impostos sobre o capital e o patrimônio,
— ajuste fiscal duríssimo em cima dos aposentados, da classe média e das classes baixas.
Onde está a originalidade de Milei? Medidas econômicas similares já foram aplicadas, com variações, em dezenas de países. Em todas elas o custo social foi elevado e os ganhos foram apropriados pelas elites.
No entanto, os grandes jornais brasileiros e argentinos seguem defendendo “o libertário” Milei. O mais difícil de entender é para quem ele está sendo libertário?
Ele está “libertando” os que vivem de renda ou lucro da obrigação de pagar impostos e de respeitar direitos trabalhistas? Com certeza. Mas desde quando eles não eram livres? Quando foi que patrões e rentistas se tornaram “escravos”?
O culto a Milei é baseado numa inversão de valores. Ele “liberta” os que já são livres e poderosos. Os que não precisam trabalhar pois vivem dos juros e dos rendimentos do seu patrimônio.
Curiosamente, para os que realmente precisam de liberdade — devedores, trabalhadores e classe média — Milei propõe mais trabalho, menos salário, menos transferências e juros mais altos. Em outras palavras, menos liberdade para quem dela precisa.
Considerando que cerca de 40% da Argentina é pobre, Milei está asfixiando grande parcela da população. Ele submete os desfavorecidos a algo analógo à escravidão econômica.
“Milei o Libertário” é nome de fantasia. É falsa propaganda. Para a maioria esmagadora da população argentina, Milei é um escravocrata caricato.
Petronio Portella Filho é economista formado na UnB, com mestrado na Universidade de Minnesota e doutorado na Unicamp. Consultor aposentado do Senado Federal, é autor dos livros A Moratória Soberana, Os Sapatos do Espantalho e Mentiras que Contam Sobre a Economia Brasileira.
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Carlos
18 de fevereiro de 2026 1:40 amMilei, Libertário ou Escravocrata?
Na minha opinião nao passa de um babaca submisso aos eua. Aliás, não poderia ser de outra forma pois foi a grana injetada por trump que adiou (adiou que fique claro, já volta) a crise econômica da Argentina e garantiu maioria no congresso nas eleições legislativas logo a seguir