6 de junho de 2026

Demanda aquecida e MCMV forte levam mercado imobiliário a resultados recordes

No quarto trimestre, foram lançadas 133.811 unidades, alta de 18,6% em relação ao trimestre anterior
Crédito: Agência Brasil

O mercado imobiliário brasileiro encerrou o quarto trimestre de 2025 com resultados históricos em lançamentos, vendas e volume financeiro, mesmo em um cenário de juros elevados. Os dados são da pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais, divulgada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), elaborada pela Comissão da Indústria Imobiliária (CII/CBIC), em correalização com o SESI Nacional e parceria com a Brain Inteligência Estratégica.

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O levantamento acompanha o desempenho do setor em 221 municípios de todos os estados, incluindo capitais e 21 regiões metropolitanas. No quarto trimestre, foram lançadas 133.811 unidades, alta de 18,6% em relação ao trimestre anterior. No acumulado de 12 meses, os lançamentos somaram 453.005 unidades, crescimento de 10,6%.

O valor geral de lançamentos (VGL) alcançou R$ 292,3 bilhões em 2025, avanço de 10,6% frente a 2024 e o maior patamar já registrado pela série histórica. Segundo o presidente-executivo da CBIC, Fernando Guedes Ferreira Filho, o desempenho evidencia a resiliência do setor diante do crédito mais caro e reflete a manutenção da demanda habitacional no país.

As vendas também avançaram. Houve aumento de 5,4% no volume comercializado e de 6,2% na oferta final de unidades na comparação entre 2024 e 2025. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, a oferta cresceu 8%, encerrando o ano com 347.013 unidades disponíveis.

Regionalmente, o Sudeste concentrou a maior parte da expansão anual, com crescimento de 15,1% nos lançamentos. Apenas no último trimestre do ano passado, foram vendidas 109.439 unidades, com valor geral de vendas (VGV) de R$ 67,2 bilhões. No acumulado de 12 meses, as vendas no país passaram de 404,2 mil para 426,2 mil unidades (+5,4%), enquanto o VGV totalizou R$ 264,2 bilhões, alta de 3,5%.

Minha Casa, Minha Vida impulsiona resultados

O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) teve papel central no desempenho do setor. Todos os indicadores do programa registraram crescimento de dois dígitos nas comparações trimestral e anual.

No quarto trimestre de 2025, o MCMV respondeu por 69.188 unidades verticais lançadas, mais da metade do total, e 53.145 unidades vendidas, ambos recordes para o período. No acumulado do ano, foram 224.842 unidades lançadas e 196.876 comercializadas, com destaque para a região Sudeste, que concentra cerca de 42% da população brasileira, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o vice-presidente de Indústria Imobiliária da CBIC, Ely Wertheim, também presidente executivo do SECOVI-SP, o programa respondeu por 52% dos lançamentos e 49% das vendas no quarto trimestre, consolidando-se como principal pilar do mercado.

O conselheiro da CBIC e diretor de economia do SECOVI-SP, Celso Petrucci, destacou que as cidades analisadas representam cerca de dois terços do mercado nacional e que apenas o último trimestre concentrou 30% das entregas do ano. A média foi de 1.215 unidades vendidas por dia no país, sendo 312 somente na cidade de São Paulo.

Intenção de compra segue elevada

A pesquisa também apontou que 50% dos entrevistados pretendem adquirir imóvel nos próximos 24 meses. Entre eles, 37% ainda não iniciaram buscas, 8% já pesquisam pela internet e 5% visitam imóveis presencialmente.

O apartamento é o tipo mais desejado (48%), seguido por casa em rua (34%), casa em condomínio fechado (15%) e terrenos (3%). Sair do aluguel aparece como principal motivação para a compra, seguido pela busca por mais espaço e pela saída da casa dos pais.

Para Fernando Guedes Ferreira Filho, a elevada intenção de compra, a expectativa de redução da taxa básica de juros (Selic) e a melhora nas condições de crédito sustentam a perspectiva de demanda aquecida. Ele também citou a meta do governo federal de contratar 3 milhões de unidades no MCMV até o fim do ano, com orçamento garantido pelo FGTS, como fator adicional de impulso ao setor.

Confira a pesquisa na íntegra:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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