6 de junho de 2026

A maioridade penal é parte do ritual macabro do bolsopatas, por Armando Coelho Neto

Se o Brasil rebaixar a idade penal de 18 para 16 e não der certo, diminui para 14, 12… até começar a algemar crianças no berçário, é isso?
Foto de Márcia Foletto - Reprodução

Na Inglaterra medieval, crianças eram condenadas à morte; prática só cessou em 1998 para todos os casos.
Donald Trump promoveu ações violentas e controversas contra migrantes e líderes internacionais até 2025.
No Brasil, debate sobre redução da maioridade penal reflete polarização social e resistência à proteção constitucional.

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A maioridade penal é parte do ritual macabro do bolsopatas

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por Armando Rodrigues Coelho Neto

Aconteceu na Inglaterra (Inglaterra, séc. XIII). John Dean, um garoto entre 8 e dez anos, foi condenado à morte (enforcamento) por roubo. De tão pequeno, causou mais espanto as dificuldades técnicas para a execução da pena do que a punição em si, aceita então com naturalidade. A barbárie infantil britânica só acabou em 1889 e, mais recentemente, em 1998, o ritual primitivo encerrou para qualquer pessoa.

Na nova barbárie, em pouco mais de um ano, o ditador do mundo Donald Trump (EUA) resolveu taxar o planeta – Brasil e ilhas inabitadas inclusos; expulsou e matou migrantes e pescadores, endossou o genocídio em Gaza, vive sob suspeita de que tentou matar Vladimir Putin (dezembro de 2025). Sequestrou Nicolás Maduro e, recentemente, mandou matar o religioso Ali Khamenei, líder supremo do Irã.

A Inglaterra antiga reencarnada em Trump já respinga entre bolsopatas no Brasil. Paira o moralismo sem moral, marcado pelo DNA das cavernas, em pleno ano eleitoral. No lugar de um programa de governo, entram em cena a Bíblia e toda a “Escala Hare de Psicopatia”. Voltam à cena a LGBTfobia, misoginia e negacionismo científico, com precioso apoio da mídia e do covil financeiro da Faria Lima.

Em clima de ódio e retorno à caverna, a redução da maioridade penal na Argentina foi aprovada: dos 16 baixou para 14 anos, medida que no Brasil foi aplaudida por bolsopatas. Não obstante, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) defende a idade de 18 anos, acolhida por 78% dos países, dentre 54 pesquisados pela congênere do Brasil. Mais uma da série Civilização X Barbárie.

A rigor, a maioridade penal entrou no rol das soluções simples e raivosas da extrema‑direita, que qualifica como “defensor de bandido” qualquer pessoa que se proponha a uma reflexão mais complexa sobre o assunto. Prende, bate e arrebenta, desde que não seja “jovem branco, posicionado na sociedade como de classe média e piloto de carro esportivo”, como disse um advogado de um playboy em Brasília.

Sim, a mesma Brasília, onde ninguém nunca sabe “com quem se está falando”, na qual, em 1997, adolescentes atearam fogo em um descendente da etnia pataxó, o qual se perdeu após comemorações do então denominado Dia do Índio. Um caso que se somou ao do Gama (DF), quando um adolescente matou por atropelamento duas irmãs e um bebê. Mais um da série: punidos com medidas socioeducativas.

Tais casos servem para mostrar que a classe social do menor de 18 anos define o seu destino penal. Num feliz momento, o jurista paranaense Juarez Cirino dos Santos, com sua visão crítica da criminologia, disse que o legislador, ao definir um bem jurídico a ser protegido, implicitamente define quem ficará excluído da proteção do Estado. No caso, o pobre, preto, favelado e semelhantes são os excluídos.

“Meu filho tem 14 anos e tem exata compreensão do certo e do errado, do que é crime ou não”. Eis o argumento mais comum dos primatas, quando colocam o próprio filho como padrão, alheios não só ao flagelo social da maioria dos pobres como ao fato de que, para a Ciência, até os 18 anos o indivíduo está em fase de formação cerebral e de caráter. Vulnerável, portanto, a múltiplas influências externas.

São clássicos os experimentos de “conformidade social” difundidos nas redes, em que um monitor combina uma resposta errada com os voluntários. Um estranho é convidado para tomar parte, que dá a resposta correta. Após repetidas vezes, o “convidado” cede à pressão do grupo e dá resposta errada. Nos crimes de turba (multidão), os indivíduos praticam atos que sozinhos jamais cometeriam.

Impossível saber como o presidente Lula irá enfrentar os defensores da redução da idade penal. Alheios ao processo civilizatório, os primatas não assimilam a importância psicossocial do tema. “São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos…”. É o que diz o art. 228 da Constituição Federal. Enquanto garantia individual, não pode ser alterada sequer por emenda constitucional.

Ok. Se o Brasil rebaixar a idade penal de 18 para 16 e não der certo, diminui para 14, 12… até começar a algemar crianças no berçário, é isso? Ou, quem sabe, adota a teoria atribuída a Benjamin Netanyahu: matar crianças para que no futuro não integrem grupos de resistência (terroristas). Na visão primata, basta trocar o Brasil Carinhoso pelo Bolsa Bala para evitar que, no futuro, se tornem delinquentes.

Pelo jeito, sequer as dificuldades técnicas para a execução da pena de John Dean sensibilizariam os bolsopatas, já prontos para um macabro ritual.

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

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Armando Coelho Neto

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

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9 Comentários
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  1. Omeg

    4 de março de 2026 12:29 pm

    Se o Brasil rebaixar a idade penal de 18 para 16 e não der certo, diminui para 14, 12… até começar a algemar crianças no berçário, é isso? E não ouse falar em aborto que ai voce acaba com a diversão deles.

  2. Rui Ribeiro

    4 de março de 2026 2:19 pm

    Essa é a melhor proposta dos Bostonaristas para os Adolescentes.

  3. AMBAR

    4 de março de 2026 3:25 pm

    Como estamos ainda sob Lula, o máximo que se aprovará sem que se emende a constituição, será o aumento do tempo da medida sócio-educativa para 5 ou 6 anos, o que não seria demasiado para certos delitos cometidos por menores de idade.

  4. Igor

    4 de março de 2026 4:48 pm

    Que texto alienado, nem todos que defendem a diminuição da maioridade penal para crimes bárbaros é de extrema direita. É sim necessária um discussão séria e técnica sobre o assunto sim.

    1. Rui Ribeiro

      5 de março de 2026 9:39 am

      Sr. Igor, menores não praticam crimes, mas atos infracionais. Então seriam atos infracionais bárbaros. E se baixar a maioridade penal não pode ser para alguns tipos de crime mas para todos os tipos. A solução não é a redução da maioridade penal mas a elevação de oportunidade para os adolescentes e jovens.

      Seria muito mais efetivo na redução da criminalidade entre jovens e adolescentes reduzir a idade da aposentadoria. Nesse caso, os idosos trabalhariam menos e abririam vagas para a juventude não ficar desempregada e ociosa.
      Ou você insiste em reduzir a maioridade penal? Porventura maiores de idade não cometem crimes e ficam impunes? Quando o Flávio Bolsonaro promoveu suas rachadinhas ele era maior de idade.

      No livro intitulado “Utopia”, de Thomas Morus, tem a seguinte passagem:

      “O acaso me fez encontrar um dia, à mesa desse prelado, um leigo reputado como douto legista. Este homem, não sei a que propósito, se pôs a cumular de louvores a rigorosa justiça exercida contra os ladrões. Narrava gostosamente como eles eram enforcados, aqui e ali, às vintenas, na mesma forca.

      Apesar disso, acrescentava, vejam que fatalidade! Mal escapam da forca dois ou três desses bandidos, e, no entanto, na Inglaterra, eles formigam por toda parte!

      Com a liberdade de palavra que gozava na casa do cardeal, disse eu, então:

      “Nada disso devia surpreender-vos. Neste caso a morte é uma pena injusta e inútil; é bastante cruel para punir o roubo, mas bastante fraca para impedí-lo. O simples roubo não merece a forca, e o mais horrível suplício não impedirá de roubar o que não dispõe de outro meio para não morrer de fome. Nisto, a justiça de Inglaterra e de muitos outros países se assemelha aos mestres que espancam os alunos em lugar de instruí-los. Fazeis sofrer aos ladrões pavorosos tormentos; não seria melhor garantir a existência a todos os membros da sociedade, a fim de que ninguém se visse na necessidade de roubar, primeiro, e de morrer, depois?””

      O Senhor não acha que seria melhor dar condições para os menores de idade garantir saúde, educação e aprendizagem aos menores, a fim de que eles não se vissem na necessidade de praticar atos infracionais bárbaros antes e serem condenados depois?

  5. NELSON VIANA DOS SANTOS

    4 de março de 2026 9:19 pm

    Parabéns ao Armando pelo artigo. As polícias do Brasil matam cerca de 6,5 mil pessoas por ano. Oitenta por cento dos mortos são homens jovens e pretos. A polícia paulista, comandada por quem é, matou com um tiro de calibre 12 na barriga uma criança de quatro, cinco anos. Ryan. Os policiais alegaram legítima defesa e foram absolvidos. Talvez esse anjinho tivesse dentro de sua pequena cueca uma bazuca ou granadas. Os pretos já nascem destinados a serem bandidos? Vivemos em um país onde a violência é brutal. Os alvos são sempre os mesmos. Alguém já leu ou viu na TV uma manchete do tipo: “polícia mata jovens de classe média alta em condomínio de luxo”? Com certeza, não. O Brasil teve, durante quatro séculos, o maior sistema escravista moderno. A escravidão permanece, disfarçada. A violência do Estado permanece igual, sem disfarces. Quem defende ou acha “bom discutir” medidas como a redução da menoridade penal para resolver o problema da “segurança” ou é ignorante e precisa estudar para superar esse problema ou é intelectualmente desonesto, e para isso não há remédio. Quem prejudica mais o país: o pequeno traficante que mora num barraco ou os banqueiros ou membros do Poder Judiciário que ganham milhões e milhões pagos com dinheiro de impostos?

  6. Cidadão sem cidadania

    5 de março de 2026 4:22 pm

    Lembrando ao ex delegado, lula está fazendo do brasil um estado policial por completo, vai transformar guarda em polícia, essas loucura nem a ditadura deixou acontecer, o ex delegado sabe disso porque trabalhou nesses dias , Dilma deu super poderes em lei para a PF montar a lava jato, Dilma mudou as leis para lava jato funcionar, Dilma deixou tudo ser destruído, lula , tbm é a favor de um estado policial não fala , mas está montando 5.568 guardas pretorianas , nos 5.569 municipios do Brasil , se com a PM já era um terror , hoje aqui na periferia está pior que tudo o terror noturno,está na mesma sensação da ditadura quando eu era criança, e tudo isso está sendo feito por lula e o pt em peso

  7. Adail Wellington

    7 de março de 2026 11:05 pm

    Excelente texto, assunto que merece mais olhares pra ser melhor entendido e aplicado de forma justa. Parabéns!

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