10 de junho de 2026

Por unanimidade, Senado aprova acordo comercial entre Mercosul e União Europeia

O acordo prevê redução de tarifas para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos produtos importados pela União Europeia
Reprodução - Portal Gov.br

Senado aprova por unanimidade acordo de comércio Mercosul-UE, encerrando negociações de quase 30 anos no Brasil.
Acordo prevê redução tarifária para 91% dos produtos do Mercosul e 95% da UE, abrangendo 718 milhões de pessoas e PIB conjunto de US$ 22,4 tri.
Governo publica decreto com salvaguardas para setores sensíveis; UE inicia aplicação provisória antes da ratificação completa.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (4), por unanimidade, o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O PDL 41/2026, que ratifica o texto, ainda precisa ser promulgado pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (AP). A aprovação encerra, no lado brasileiro, um processo de negociações que se arrastou por quase três décadas.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O acordo prevê redução de tarifas para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos produtos importados pela União Europeia. Juntos, os dois blocos reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e um PIB combinado de aproximadamente US$ 22,4 trilhões. A UE é atualmente o segundo maior parceiro comercial do Brasil, com cerca de US$ 100 bilhões em comércio de bens em 2025.

“Este acordo não é apenas desejável, ele é necessário. É a chave para dinamizar nossa economia, gerar empregos, atrair investimentos e colocar o Brasil na primeira liga da economia internacional”, afirmou o presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Nelsinho Trad (PSD-MS).

Concessões

A relatora, senadora Tereza Cristina (PP-MS), reconheceu que o texto não é perfeito e que ambos os lados fizeram concessões, mas defendeu sua aprovação como necessária e benéfica ao país. Ao mesmo tempo em que o Senado votava, o governo federal publicou em edição extra do Diário Oficial o Decreto 12.866, com salvaguardas destinadas a proteger setores industriais e produtores rurais brasileiros de eventuais impactos negativos do acordo.

A medida foi considerada urgente diante de uma decisão recente da União Europeia que reduziu de 10% para 5% o chamado “gatilho” para suspensão de preferências tarifárias, percentual que, se ultrapassado no aumento das importações de produtos sensíveis como carne bovina, aves, açúcar, arroz e mel, permite ao bloco europeu suspender as reduções tarifárias acordadas.

“O Brasil dispõe de instrumentos adequados para resguardar seus interesses e não hesitará em defender o acesso negociado”, disse Tereza Cristina em Plenário.

O acordo também prevê um mecanismo de reequilíbrio que permite a qualquer das partes solicitar compensação quando se sentir prejudicada por medida adotada pela outra. Caso a arbitragem decida a favor de uma delas, esta poderá aplicar retaliações, inclusive sobre produtos de setores diferentes, o chamado mecanismo de retaliação cruzada.

Outro ponto de atenção é o regulamento europeu sobre produtos livres de desmatamento (EUDR), aprovado pela UE em 2023, que pode dificultar exportações brasileiras de carne para o continente.

Proteções específicas

Durante as negociações, o governo brasileiro garantiu a exclusão dos itens destinados ao Sistema Único de Saúde das regras de compras governamentais do acordo. Com isso, não haverá redução de imposto de importação nas aquisições para o SUS, preservando a indústria nacional de saúde.

“O governo brasileiro fincou o pé e disse que o complexo industrial da saúde não poderia ser atingido por esse acordo. Isso que é pensar estrategicamente”, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE).

Próximos passos

No lado europeu, a Comissão Europeia anunciou em 27 de fevereiro que iniciará a aplicação provisória dos termos comerciais ainda antes da ratificação completa por todos os parlamentos nacionais do bloco. No entanto, o Parlamento Europeu encaminhou o texto à Justiça da União Europeia, que pode levar até dois anos para avaliar sua legalidade. França, Hungria, Áustria e Irlanda votaram contra o acordo.

No Brasil, com a ratificação pelo Congresso concluída, o governo estima que o texto entre em vigor em até 60 dias.

Para o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a aprovação mostrou que divergências ideológicas ficaram de lado quando o assunto é de interesse nacional. “Temos um presidente de esquerda e uma relatora de direita. Em nenhum momento isso foi impedimento. Quando a política senta e trabalha, a gente coloca de pé resultados extraordinários.”

LEIA TAMBÉM:

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Rui Ribeiro

    5 de março de 2026 7:56 am

    Enquanto isso, um juiz do tribunal comercial dos Estados Unidos ordenou na quarta-feira que o governo comece a pagar bilhões de dólares em reembolsos aos importadores que pagaram tarifas que, segundo o Supremo Tribunal decidiu no mês passado, foram cobradas ilegalmente.

    Os importadores repassaram as tarifas aos consumidores finais. Esses serão reembolsados pelos importadores ou vão enriquecer sem causa?

Recomendados para você

Recomendados