5 de junho de 2026

Com a Lava Jato 2, a volta do criador das “pedaladas”, por Luís Nassif

Volta o procurador de contas Júlio Marcelo de Oliveira, figura-chave no impeachment de Dilma, conduzido por Miriam Leitão, atacando Pochmann
Reprodução

Procurador Júlio Marcelo pede afastamento de Pochmann do IBGE, alegando risco à credibilidade dos dados do PIB.
Pochmann enfrenta resistência interna por mudanças no IBGE, como transferência de técnicos e modernização do órgão.
Três grupos disputam no IBGE: corpo técnico tradicional, equipe da presidência e especialistas em geotecnologia e dados.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

É batata! A banda lavajatista da Polícia Federal deu o tiro de partida, municiando jornalistas bolsonaristas contra Ministros do Supremo Tribunal Federal. De repente, o foco do escândalo deixa de ser o Banco Master, com sua plêiade de governadores e políticos do Centrão, com a gestão Roberto Campos Neto, e passam a ser os contratos dos Ministros.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Agora, volta à cena política o procurador de contas Júlio Marcelo de Oliveira, figura-chave no impeachment de Dilma Rousseff, conduzido pelas penas de Miriam Leitão, que demorou um pouco para abandonar sua postura moderada, mas não resistiu aos velhos novos ventos. Segundo a matéria, “Procurador pede afastamento de Pochmann do IBGE e cita risco à credibilidade dos dados do PIB”.

Pochmann enfrentou conflitos internos no IBGE, por pretender transferir parte dos técnicos de um prédio alugado para um imóvel próprio, mas em região de transporte mais difícil. E também por pretender remodelar e modernizar o campo de pesquisas do órgão, algo que sempre incomoda técnicos acostumados por décadas com as mesmas tarefas. 

Segundo Míriam, “o procurador também salienta a importância dos dados do PIB no período eleitoral e a necessidade de evitar fraudes”. E continua: “Em um contexto de fragilidade institucional e volatilidade financeira, qualquer dúvida sobre a lisura dos principais indicadores nacionais pode desencadear efeitos sistêmicos graves, agravando a crise e ampliando os danos ao Tesouro Nacional”.

Depois disso, o dilúvio. Pochmann não foi ouvido, nem pelo procurador, menos ainda por Miriam. Não  analisaram as estruturas do órgão, a impossibilidade de qualquer manipulação e o que representa as tentativas de modernizar as estatísticas. Tudo virou suspeita de manipulação – campo em que Miriam deitou e rolou no período da Lava Jato, mas que parecia ter superado.

Júlio é um funcionário intrinsecamente político. No auge da campanha das “pedaladas” eu mesmo testemunhei um almoço dele com Marcos Lisboa, principal teórico do chamado “arco para o futuro”.

As tais “pedaladas” consistiam em empréstimos que governos centrais faziam de bancos públicos no decorrer do ano. E eram liquidados no final. Recorreram a essa prática Fernando Henrique Cardoso e Lula. Eram tratados como meros atrasos de pagamento entre Tesouro e bancos públicos, não configurando operação de crédito formal. 

Júlio passou a interpretar as operações como operações de crédito do banco para o governo, o que seria proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Em parceria com a mídia, “pedaladas fiscais” foram transformadas em algo tenebroso, quase uma loira no banheiro das questões fiscais. E foi essencial para o impeachment de Dilma Rousseff.

As mudanças no IBGE

Agora, volta a loira do banheiro.

Segundo Júlio, um  dos crimes de Pochamnn seria substituições de servidores de carreira em áreas técnicas estratégicas, como Contas Nacionais, “com a nomeação de servidores recém-ingressados e ainda em estágio probatório para funções de alta complexidade”.

Não é a primeira vez que Miriam Leitão acusa Pochmann de suspeita de provável futura manipulação de estatísticas, mostrando uma capacidade invejável de desenhar o futuro. Não foi capaz de entender a natureza das mudanças. Apegou-se ao discurso de um dos grupos da instituição, e o resto virou bandido. Simples assim.

Vamos tentar sofisticar minimamente a análise,

Há três grupos de atuação no IBGE.

1. Corpo técnico tradicional

É a corrente que dominou o instituto por décadas. São funcionários de carreira, com forte vínculo com redes internacionais de estatísticas, e defesa rígida da autonomia técnica das estatísticas nacionais. Tem forte presença nas áreas: Contas Nacionais, IPCA, PNAD e estatísticas estruturais. E incomodam-se, naturalmente, com mudanças, que tendem a mudar as relações hierárquicas do órgão.

2. Corrente ligada à presidência do IBGE

São técnicos com trajetória acadêmica ou administrativa externa, que defendem novos produtos estatísticos, maior diálogo com políticas públicas e criação da Fundação IBGE+, para permitir a intermediação de projetos de pesquisa, hoje soltos nas mãos de técnicos do instituto.

São técnicos da Unicamp, IPEA e centros de economia em desenvolvimento, quase todos funcionários de carreira do IBGE.

3. Corrente geotecnologia e de dados

São especialistas em: georreferenciamento,  big data,  satélites e registros administrativos

Essa corrente defende que o IBGE migre para modelos híbridos de estatística (survey + dados digital.

Com apoio de Pochmann, esse grupo pretende  a construção de um grande hub para análises preditivas, próprias para orientar políticas públicas. Análises preditivas são métodos estatísticos e computacionais usados para estimar o que provavelmente acontecerá no futuro, a partir de dados históricos e padrões observados.

O currículo dos técnicos

O que tem, como se observa, é uma tentativa de renovar os métodos do IBGE, que acaba tirando a tranquilidade dos técnicos mais antigos. Qualquer mudança passa, então, a ser tratada como tentativa de manipulação, dentro do processo de criminalização típico dos que Miriam Leitão praticou no período da Lava Jato e do impeachment.

Todos os técnicos que assumiram cargos no modelo tem carreira acadêmica respeitada e são funcionários de carreira do IBGE. E são especialistas em áreas até agora não tratadas pelo órgão.

O debate não é apenas sobre nomes — é sobre o modelo de estatística pública para as próximas décadas

LEIA TAMBÉM:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

8 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. WRamos

    11 de março de 2026 11:11 am

    Seria bom investigar as relações de algum dos técnicos ultrapassados com dono Miriam…

  2. Wagner Lemes

    11 de março de 2026 11:56 am

    Parabéns Nassif pela excelente matéria. Nosso querido Presidente Lula tem que ter Você como Consultor! Fico na Torcida por este fato! Sucesso! Sucesso também para o excelente Professor gestor Pochmann.
    Quanto ao Julinho borra botas! Papuda!

  3. Rui Ribeiro

    11 de março de 2026 12:03 pm

    “Temendo impacto eleitoral e para proteger STF, governo tenta jogar crise do caso Master no colo de Campos Neto
    Ex-presidente do Banco Central chefiou instituição entre 2019 e 2024 por indicação de Jair Bolsonaro durante seu mandato”.

    https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2026/03/11/impacto-eleitoral-stf-governo-caso-master-campos-neto.ghtml

    Fiz a seguinte pergunta à Inteligência Artificial do Google:
    Em vista dos indícios de irregularidades, o Campos Netto poderia ter agido a tempo de evitar tantos prejuízos causados pelo Banco Master?

    Recebi a resposta a seguir:

    “Com base em reportagens e investigações apontadas no início de 2026, Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central (BC), tinha conhecimento das graves dificuldades de liquidez e indícios de irregularidades no Banco Master durante seu mandato (2019-2024), mas optou por não intervir diretamente na instituição, preferindo dar prazos para melhorias.

    Aqui estão os pontos principais sobre o caso:

    Conhecimento Prévio e Omissão: Reportagens indicam que Campos Neto sabia dos problemas do Banco Master e evitou intervir ou liquidar a instituição em 2024, optando por uma “solução de mercado”.
    Ações de Monitoramento: Campos Neto teria dado ultimatos para o Banco Master melhorar seus indicadores de governança e gestão de risco, ao invés de adotar medidas extremas de intervenção imediata.
    Crescimento do Master: O crescimento expressivo do Banco Master ocorreu durante o período em que Campos Neto presidia o BC, um período marcado por uma grave crise de liquidez na instituição, sem intervenção da autoridade monetária.
    Investigação Interna: Uma investigação interna do BC sobre o Banco Master chegou a mirar erros na supervisão durante a gestão de Campos Neto.
    Consequências: A demora na liquidação do banco é atribuída a uma possível omissão de Campos Neto, permitindo que a instituição continuasse operando, o que, segundo críticos, aumentou os prejuízos.

    O Banco Master é acusado de fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro, corrupção e desvio de recursos.”

    O PIG quer, a todo custo, jogar a crise do Master nas costas da esquerda e do governo.

  4. Eduardo Pereira

    11 de março de 2026 12:11 pm

    Pela ansia de descobrir algo que mele a eleição como o Moro e quadrilha fizeram em 2018, a eleição pro Lula deve estar ganha, Oposição tentando escaçar uma muralha de marmore na unha,

    Pro Governo a melhor solução é a mesma que o Lula deu pro filho: chama a responsabilidade e explica tudo direitinho para não deixar duvidas, De preferencia na TV e Rádio, em Rede Nacional, antes do inimigo declarado e porta voz do atraso o Jornal Nacional.

  5. jose machado

    11 de março de 2026 1:34 pm

    Essa Mirian Leitão é uma falsária de dados, enganadora.
    Trabalha a serviço da elite financeira da Faria Lima e age no campo da economia
    do jornalismo, sem ser economista.
    Gosta de enviesar números do governo para desmerecê-los.
    Só faz isso nos governos de esquerda, de direita fica em silêncio.
    Parecia sim, que tinha superado a fase que destruiu nossa economia com o bolsonarismo.
    Mas não. É tipo de pessoas traidores que não se pode dar segunda oportunidade
    que volta a trair novamente.
    E tem grande poder na Rede Globo, deve ser a jornalista com mais canais de comunicação
    na emissora. Mas segue a risca as táticas do patrão.
    Fala com autoridade, como se soubesse do que fala, mas é enganadora.

  6. grevista

    11 de março de 2026 2:18 pm

    A relação dos governos Lula e Dilma com a representação sindical do trabalhadores do IBGE nunca foi pacífica, ao contrário. Lula reprimiu duramente as greves dos trabalhadores. Nunca houve qualquer forma de diálogo respeitoso com os trabalhadores. Há problemas de defasagem salarial, de quadro de pessoal, de carreira, nenhum deles discutido com respeito pelo governo Lula 3 e por Márcio. Márcio, por outro lado, tem um histórico de dificuldades na relação com os trabalhadores do setor público federal. Sua passagem no IPEA deixou uma herança de dificuldades de diálogo e de autoritarismo. No IBGE, fontes próximas `representação sindical dos trabalhadores mostram que esse viés continua. A proposta da Fundação é uma traição, nos moldes haddadianos, às propostas do candidato Lula 3 e ao próprio sentido de um governo petista. É a principal fonte de desgaste de Márcio. Isso posto, a ação de Miriam Leitão é só mais do mesmo: como diria o saudoso Barão, de onde menos se espera é que nada sai. Miriam nunca teve qualquer nível de respeito (pessoal, intelectual, político, etc) por Dilma ou por qualquer mulher que exerça cargo em governo petista. No momento atual, só assume a sua função de artilharia no grupo Globo, atirando em qualquer petista com as armas de destruição de reputação que lhe são dadas pelos Marinhos e que bem maneja.

  7. Rui Ribeiro

    12 de março de 2026 2:00 pm

    “Não tem embasamento fático ou jurídico”, diz Ibaneis sobre novo pedido de impeachment.

    Sr. Ibaneis, impitman é um julgamento político, sendo desnecessário embasamento fático ou jurídico. Mas no teu caso, tem embasamento fático, jurídico e político.

    Pede prá cagar, sai disfarçadamente e foge prá várzea. Aproveita e leva o Nikolas, o Ciro Nojeira, o Rueda, o Sóstena e o Flávio Rachadinha, entre outros ratos.

  8. Veritas

    13 de março de 2026 12:33 pm

    Felizmente, podemos acompanhar as variações da atividade econômica por vários bons indicadores, como os do IBGE. Um dos que recomendo é o índice ABCR, produzido pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), que capta o fluxo de veículos pesados e veículos leves nas estradas sob concessão, com dados e séries históricas acessíveis no endereço eletrônico https://melhoresrodovias.org.br/indice-abcr_2/#
    (Dica: tecle em ver histórico)

Recomendados para você

Recomendados