O conflito no Oriente Médio entrou em uma fase de asfixia econômica nesta quinta-feira (12). Em uma nova onda de ataques, o regime do Irã atingiu infraestruturas petrolíferas e energéticas em diversos países do Golfo Pérsico, provocando incêndios em refinarias e paralisando o fluxo de navios no Estreito de Ormuz. A escalada ocorre em meio à guerra direta contra Estados Unidos e Israel, iniciada em 28 de fevereiro.
A ofensiva impactou imediatamente o mercado financeiro. O preço do barril de petróleo Brent ultrapassou a marca de US$ 100 nesta manhã, ignorando a tentativa das potências globais de estabilizar os preços. Ontem, os 32 países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) anunciaram a liberação recorde de 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas, mas a medida foi ofuscada pelos novos bombardeios.
Alvos múltiplos na região
Os ataques desta quinta-feira foram distribuídos por pontos estratégicos da península arábica. No Bahrein, o governo denunciou bombardeios contra depósitos de combustível na região de Al Muharraq, ordenando que a população permaneça em casa devido à densa fumaça tóxica.
Em Omã, drones atingiram o porto de Salalah, enquanto a Arábia Saudita confirmou investidas contra o campo de petróleo de Shaybah. A Guarda Revolucionária do Irã assumiu a autoria das ações e confirmou ataques adicionais contra alvos americanos nos Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait. No litoral iraquiano, um ataque a dois petroleiros deixou ao menos um morto e vários desaparecidos.
Retórica de vitória e custos bilionários
Apesar da ofensiva iraniana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém um discurso de otimismo sobre o desfecho do conflito. Na noite de quarta-feira, ele afirmou que o Irã está “perto da derrota” e que a operação militar americana está “muito adiantada” em relação ao cronograma original.
Segundo Trump, “praticamente não restava nada para atacar” em território iraniano. O presidente também destacou a destruição de “28 navios instaladores de minas” de Teerã, uma tentativa de garantir a segurança no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) do mundo.
Entretanto, o custo da guerra já se faz sentir no orçamento americano. De acordo com o jornal The New York Times, a primeira semana de combates custou mais de US$ 11 bilhões (aproximadamente R$ 57,4 bilhões) aos cofres dos EUA.
Ameaça de guerra de desgaste
Enquanto Washington projeta um fim próximo, Teerã sinaliza uma estratégia de longo prazo para expulsar as tropas americanas do Oriente Médio. Ali Fadavi, representante da Guarda Revolucionária, ameaçou com uma “guerra de desgaste” capaz de “destruir toda a economia americana e mundial“.
O comando militar iraniano indicou que os próximos alvos incluem centros bancários e gigantes de tecnologia dos EUA, citando nominalmente empresas como Amazon, Google e Microsoft. O clima de insegurança levou grupos como Citi, Deloitte e PwC a fecharem escritórios ou retirarem funcionários de Dubai nas últimas 24 horas.
Israel, principal aliado dos EUA na região, declarou não ter estabelecido “nenhum limite de tempo” para as operações e afirma possuir uma “ampla reserva de alvos” para dar continuidade à campanha militar.
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