A Ilha de Cuba atravessa um de seus momentos mais críticos desde a Revolução de 1959. Pressionado por uma economia em colapso, apagões sistêmicos e raros episódios de violência nas ruas, o presidente Miguel Díaz-Canel confirmou o início de negociações diretas com o governo dos Estados Unidos.
O movimento ocorre em paralelo a uma mobilização internacional liderada pela ativista Greta Thunberg, que denunciou o agravamento da crise humanitária no país caribenho.
O fator Trump e a asfixia energética
A deterioração acelerada das condições de vida em Cuba está diretamente ligada ao endurecimento das sanções impostas por Donald Trump. Após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro em janeiro, principal aliado e fornecedor de energia da ilha, Washington cortou as exportações de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçou taxar qualquer nação que comercialize o produto com Havana.
Para Greta Thunberg, a estratégia norte-americana configura uma “punição coletiva” contra a população civil. Em vídeo publicado nas redes sociais, a ativista anunciou para o dia 21 de março o “Dia Internacional de Solidariedade com Cuba“, marcado pela chegada do Comboio Nuestra América a Havana. “Nesse dia, o Comboio Nuestra América chega a Havana, trazendo ajuda humanitária por via aérea, terrestre e marítima”, afirmou Greta.
Diplomacia sob pressão e protestos em Morón
A gravidade da escassez de alimentos e combustíveis forçou o governo cubano a abandonar a postura de negação sobre contatos com Washington. Díaz-Canel revelou que ele próprio, ao lado de Raúl Castro, conduz as conversas. “Essas negociações visam encontrar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais entre as duas nações“, declarou o líder cubano.
Enquanto a diplomacia tenta encontrar uma saída, a tensão social transbordou. Na cidade de Morón, a cerca de 400 km da capital, uma manifestação contra a falta de energia elétrica escalou para o vandalismo.
Manifestantes atacaram uma sede do Partido Comunista e estabelecimentos estatais. Embora o governo reconheça o “mal-estar” social, Díaz-Canel foi enfático ao afirmar que “não haverá impunidade para o vandalismo e a violência“.
Incertezas no horizonte
Do lado americano, o tom é de ambiguidade. Trump tem sugerido que Cuba está “à beira do colapso” e mencionou a possibilidade de uma “tomada amigável“, ressalvando logo em seguida que “pode não ser uma tomada amigável“.
A falta de transporte público, que levou à suspensão de aulas na Universidade de Havana, e a escassez de medicamentos básicos desenham um cenário de urgência. A chegada do comboio humanitário e o desenrolar das negociações com a Casa Branca definirão se a ilha conseguirá evitar um desfecho de instabilidade ainda maior nas próximas semanas.
Rui Ribeiro
16 de março de 2026 9:32 amA guerra é um grande negócio prá uns e uma tragédia para outros. Por exemplo, prá crianças iranianas que estudavam numa escola bombardeada pelos EUA e para os entes queridos de tais vítimas, a guerra foi e está sendo uma tragédia. Nada obstante, para o Trump e sua comandita, a situação é bem mais confortável:
“Os Estados Unidos são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo; portanto, quando os preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro”.
Paulo Dantas
16 de março de 2026 12:43 pmCuba ficou sozinha, literalmente sozinha.
Obama tentou uma aproximação com o jogo de baseball mas tomou toco de todos os lados.
Vai negociar com a cabeça na boca do tigre.
Carlos
17 de março de 2026 9:51 amTrump USA o embargo econômico como arma de destruição em massa.
Mais um genocídio na conta do “imperador”, com aplausos da Extrema direita mundial e silencio conivente do mundo.
Triste momento da (des) humanidade.