4 de junho de 2026

Vazamentos ajudarão Vorcaro a anular o caso Master, alerta Pedro Serrano

"É o mesmo circo da Lava Jato, que vai levar à nulidade do inquérito em favor do Vorcaro", disse Serrano em entrevista a Luís Nassif; assista

Pedro Serrano, um dos maiores advogados e juristas do Brasil, disse em entrevista ao jornalista Luís Nassif, na segunda (16), que os vazamentos de conversas e outras informações no âmbito do caso Master ajudarão, no futuro, a defesa do empresário Daniel Vorcaro a anular o inquérito. Segundo Serrano, os vazamentos à imprensa só têm uma finalidade: atrapalhar as investigações e gerar nulidades pelo caminho. Para o jurista, é o mesmo modus operandi que ocorreu durante a Operação Lava Jato.

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“Estou vendo a mesma lambança que fizeram na Lava Jato sendo feita agora. Vorcaro agiu de forma delituosa. São crimes graves, aparentemente, contra a economia popular e administração pública, que envolvem muitos políticos. (…) Mas vazar informações, a primeira coisa que acontece é acabar com a própria investigação. O cara poderoso, quando sabe que está sendo investigado, ele atua”, disse Serrano, criticando especialmente o caráter “perverso” do vazamento de conversas íntimas ou que rompem com o direito ao sigilo entre advogado e cliente. “Me preocupa muito quando vejo jornalistas participando disso sem fazer a crítica.”

Na visão de Serrano, não há inocência nem heroísmo nos vazamentos, mas sim a malícia de criar condições para nulidades. “Eu não sei não se não estou operando a favor do Vorcaro. Temos que levantar essa hipótese. Porque esse tipo de vazamento auxilia o Vorcaro a anular tudo isso”, disse o criminalista. “Quem está vazando sabe que isso é crime e sabe das consequências que isso vai trazer para a investigação”, acrescentou.

No final, o enredo será o mesmo da Lava Jato, disse Serrano: “É o mesmo circo da Lava Jato de novo, que vai levar à nulidade do inquérito em favor do Vorcaro, e vão falar, depois, que a culpa é do Supremo e do Direito.”

Vazamentos em série

A entrevista de Serrano foi veiculada na noite de segunda (16), durante o programa TV GGN 20 Horas. O jornalista Luís Nassif vem sustentado em seus artigos e programas que os vazamentos no caso Master seguem um padrão político e midiático semelhante ao da Lava Jato.

Segundo ele, os vazamentos seriam seletivos e estratégicos, inicialmente conduzidos por setores da Polícia Federal e depois ampliados para atores políticos, com o objetivo de influenciar a opinião pública e pressionar decisões judiciais.

Nassif também aponta que essas divulgações estariam sendo usadas para desviar o foco de agentes centrais do esquema — como figuras do Centrão e do mercado financeiro — e direcionar acusações contra alvos específicos, incluindo ministros do STF.

Assista a um recorte da entrevista com Pedro Serrano abaixo:

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Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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3 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    17 de março de 2026 11:50 am

    Mendonça vai fazer vista grossa para os vazamentos pois ele sabe que a delação não tem como poupar o Bostonarismo e parte da bancada da bíblia. Assim, ele vai deixar acontecerem vazamentos seletivos em detrimento da confidencialidade a fim de que não haja a delação premiada e seus correligionários sejam poupados.

    O que diz a lei sobre a confidencialidade:

    O recebimento da proposta para formalização de acordo de colaboração demarca o início das negociações e constitui também MARCO DE CONFIDENCIALIDADE, configurando violação de sigilo e quebra da confiança e da boa-fé a divulgação de tais tratativas iniciais ou de documento que as formalize, até o levantamento de sigilo por decisão judicial.

    § 2º Caso não haja indeferimento sumário, as partes deverão firmar Termo de CONFIDENCIALIDADE para prosseguimento das tratativas, o que vinculará os órgãos envolvidos na negociação e impedirá o indeferimento posterior sem justa causa.

    § 3º O recebimento de proposta de colaboração para análise ou o Termo de CONFIDENCIALIDADE não implica, por si só, a suspensão da investigação, ressalvado acordo em contrário quanto à propositura de medidas processuais penais cautelares e assecuratórias, bem como medidas processuais cíveis admitidas pela legislação processual civil em vigor.

    § 5º Os termos de recebimento de proposta de colaboração e de CONFIDENCIALIDADE serão elaborados pelo celebrante e assinados por ele, pelo colaborador e pelo advogado ou defensor público com poderes específicos.

  2. ROBBIS

    17 de março de 2026 12:15 pm

    Pensei o mesmo quando começaram a vazar essas futricas que nada tem a ver com a investigação. Certamente com a ajuda desses “jornalistas”, políticos e advogados que trabalham pra esses endinheirados

  3. Rui Ribeiro

    17 de março de 2026 12:46 pm

    “Enfim, não sei se o avião é ou não, mas surgiu os aviões para a gente conseguir fazer a agenda, porque era impossível a gente conseguir fazer a agenda com o voo comercial, por causa das datas e tudo. Eu, inclusive, nem sabia que era do Vorcaro. Eu realmente não sei, mas é possível que seja. Eu realmente não sei”.
    “O Guilherme Batista me disse ‘eu só recebi [o avião]’. Tinha um empresário que queria ajudar. Nem sei se era Vorcaro ou não’”.

    Enfim, o jatinho era, ou não, do Vorcaro?

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