A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira (18), a convocação da influenciadora e empresária Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A decisão amplia o cerco sobre o banqueiro e busca mapear a rede de influências e o fluxo financeiro de seus negócios, hoje sob suspeita de irregularidades que envolvem desde contratos do INSS até o mercado de capitais.
O requerimento, apresentado pelo relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), coloca Martha na condição de testemunha. Segundo o parlamentar, a medida é necessária “por ser apontada, segundo os elementos informativos colhidos no âmbito da investigação, como interlocutora frequente e destinatária de relatos feitos por Daniel Vorcaro ao longo de período relevante das apurações“.
Conexões com o Judiciário e o Executivo
A análise de mensagens extraídas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero revelou diálogos em que Vorcaro mencionava proximidade com autoridades. Um dos pontos de maior interesse da CPI diz respeito a um encontro informal com um “Alexandre Moraes”, ocorrido durante um feriado nas proximidades da residência do banqueiro.
Para o relator, as circunstâncias demandam esclarecimentos: “O caráter informal do encontro — descrito durante um feriado, na vizinhança da residência do banqueiro — levanta questões que só podem ser esclarecidas mediante depoimento: tratava-se de uma visita de natureza social? Havia pauta institucional envolvida? Martha Graeff recebeu esse relato em tempo real e pode contribuir decisivamente para a reconstrução do contexto em que ele foi feito“, justificou Vieira.
Rastreamento de fundos exclusivos
Além da convocação de Graeff, a CPI aprovou uma ofensiva de dados contra a estrutura do Banco Master e da Reag Investimentos. Foram solicitadas informações detalhadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Banco Central e à Anbima sobre todos os fundos de investimento exclusivos ou restritos ligados às instituições e suas controladas.
De acordo com o senador Alessandro Vieira, o cruzamento desses dados com as provas já colhidas permitirá desvendar a “rede de relacionamentos financeiros dos investigados, identificar o eventual proveito econômico decorrente das práticas investigadas e adotar as medida legais cabíveis“.
O Banco Master entrou no radar das autoridades após o INSS suspender 250 mil contratos de empréstimos consignados da instituição por falta de comprovação documental.
Defesa nega vínculo patrimonial
Residente em Miami há quase duas décadas, Martha Graeff nega qualquer irregularidade. Em nota enviada por sua defesa, a influenciadora afirmou estar à disposição das autoridades brasileiras, mas rechaçou a tese de que teria servido de “laranja” para a blindagem de bens do ex-noivo.
“A Sra. Martha não possui imóveis, automóveis ou depósitos de valores decorrentes do relacionamento com o Sr. Daniel Vorcaro. Também não tem conhecimento sobre a existência de algum Trust que lhe envolva, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro país“, afirmou o advogado Lucio de Constantino. A defesa sustenta ainda que o patrimônio de Martha é compatível com sua carreira internacional e está devidamente declarado ao fisco americano.
Rui Ribeiro
18 de março de 2026 2:28 pmAndré Mendonça blinda investigação ou alguns investigados?
“O ministro não solicitou o caderno de anotações da CPMI nem o sistema interno de monitoramento da comissão, que poderiam ajudar a esclarecer quem teve acesso e se houve vazamento de informações”.
https://g1.globo.com/politica/blog/julia-duailibi/post/2026/03/18/pf-pericia-para-saber-se-material-com-dados-de-vorcaro.ghtml
Não solicitando o caderno de anotações da CPMI nem o sistema interno de monitoramento da comissão, que poderiam ajudar a esclarecer quem teve acesso e se houve vazamento de informações, o André Mendonça blinda não a investigação, mas os vazadores.