O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a privatização da BR Distribuidora e ampliou o diagnóstico sobre o mercado de combustíveis no Brasil: além de perder instrumentos de controle sobre preços, o país também estaria mais vulnerável a choques externos por não possuir uma reserva estratégica de combustíveis.
Durante evento em Minas Gerais, Lula afirmou que a venda da distribuidora retirou do Estado uma ferramenta importante para influenciar o preço final ao consumidor. Ao mesmo tempo, defendeu a criação de um estoque regulador como forma de proteger o país de crises internacionais.
Segundo Lula, sem uma distribuidora estatal, o governo perdeu capacidade de atuação na etapa intermediária da cadeia — hoje dominada por agentes privados. Na prática, isso significa que reduções nos preços praticados pela Petrobras não necessariamente chegam ao consumidor final.
A crítica à privatização parte de um ponto central: a dificuldade de controlar o preço na bomba. Na visão do presidente, a privatização ampliou o peso da intermediação e reduziu o alcance de políticas públicas de contenção de preços, especialmente em momentos de alta internacional.
Nova proposta: reserva estratégica de combustíveis
Ao mesmo tempo, Lula passou a defender a criação de uma reserva estratégica de combustíveis, inspirada em modelos adotados por países como Estados Unidos e China.
A ideia é formar um estoque capaz de amortecer oscilações de preços e garantir abastecimento em momentos de crise — como o atual, marcado por tensões no Oriente Médio e riscos à oferta global de petróleo.
Segundo o presidente, o Brasil ainda depende de importações para cerca de 30% do diesel consumido, o que aumenta a exposição a choques externos.
Nesse cenário, a ausência de uma reserva estratégica limita a capacidade do país de reagir rapidamente a interrupções no fornecimento ou a disparadas no preço do barril.
Estoque regulador como “seguro econômico”
Lula comparou a proposta às reservas internacionais mantidas pelo Brasil — utilizadas como proteção em momentos de instabilidade.
A lógica é semelhante: criar um colchão de segurança para reduzir a volatilidade e evitar impactos abruptos sobre a economia e o consumidor.
Além de garantir abastecimento, a medida permitiria ao governo atuar de forma mais direta na regulação indireta dos preços, liberando estoques em momentos de crise para conter altas mais intensas.
Rui Ribeiro
21 de março de 2026 8:37 amPor falar em estques de combustivel reguladores, o Trump inicia uma guerra desnecessária em benefício dos caprichos $ionistas e em detrimento da população estadunidense, faz o Ocidente gastar seus estoques de combustíveis que poderiam continuar estocados para fazer frente a uma tragédia climática, que independe da vontade humana, e ainda chama os países de covardes por eles não quererem limpar as merdas dos EUA no Oriente Médio. E os países covardes se curvam covardemente aos apelos do bufão Trump
Carlos
21 de março de 2026 5:03 pmExiste impedimento legal que obstrua importação direta de diesel pela Petrobras?
Caso exista, e não contenha parágrafo de exceção para casos assim onde a especulação prospera, não poderia Lula emitir MP criando esta exceção para suprir o defict? Que seja direcionada para regiões onde as privatizações criminosas no desgoverno do condenado ora pleiteando “domiciliar humanitária” (merece? Aliás, precisa mesmo de domiciliar?)
Aqueles que até hoje levam grana com privatizações no setor não poderão espernear pois a ação será de mercado, de concorrência.