Em uma entrevista com o jornalista Luís Nassif, Henrique Álvares, doutor em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento da Universidade Federal do Rio de Janeiro, discutiu os caças Gripen pelo Brasil e a transferência de tecnologia associada. A primeira unidade do modelo produzido pela Saab, contratado ainda no governo Dilma Rousseff, foi entregue ao Brasil na quarta (25). Álvares explicou que a escolha do Gripen se deu por ser um caça ainda em desenvolvimento, o que permitiu a participação de empresas brasileiras, como a Embraer, no processo, facilitando a transferência de tecnologia. Ele contrastou essa situação com a do Rafale ou do F-18, onde a dependência seria direta dos produtores estrangeiros.
Apesar da produção no Brasil, Álvares ressaltou que a maior parte da tecnologia, especialmente sensores e sistemas, ainda é estrangeira, predominantemente europeia ou norte-americana, indicando uma dependência contínua. Ele mencionou que tecnologias sensíveis como radares e motores, produzidos pela GE, são difíceis de serem desenvolvidas por empresas brasileiras como a Embraer, mesmo com sua subsidiária Bradar. Um exemplo da dependência de motores estrangeiros é a aposentadoria iminente dos caças AMX, fabricados pela Embraer, devido à interrupção da manutenção dos motores pela Rolls-Royce.
Projetos de mísseis
No que diz respeito ao armamento, Álvares apontou que os mísseis utilizados nos Gripen são o Meteor europeu para combate aéreo de longa distância e o ISTR alemão para curto alcance. Ele destacou que o Brasil havia desenvolvido, com financiamento da FINEP e em parceria com a África do Sul, o míssil Adarter de curto alcance para os Gripen. No entanto, o projeto não avançou devido à desestruturação da Mectron, parceira da Denel (África do Sul), que era vinculada à Odebrecht e teve sua parte de mísseis desmantelada após ser vendida para a Elbit.
Álvares também mencionou outros projetos de mísseis brasileiros que não foram adiante, como o Mikla BR da Vibras, que seria um míssil de cruzeiro para ser lançado por aviões, e o Marun da Mectron, um míssil anti-radiação que estava avançado. Ele citou a aquisição recente do projeto do míssil Piranha MA-1B pela McD, uma empresa brasileira com ascendência francesa, mas que não é considerada estratégica de defesa. A novidade sobre os caças Gripen, portanto, reside na oportunidade de transferência de tecnologia devido à participação brasileira no desenvolvimento, mas também na persistência da dependência tecnológica em componentes críticos e na perda de projetos de mísseis nacionais que poderiam ter garantido maior autonomia.
Assista a entrevista abaixo:
Cidadão sem cidadania
26 de março de 2026 7:23 pmEm plena era de mísseis e drones, investir em um caça é loucura , tem manutenção, treinar piloto , manter toda um estrutura cara e sem lógica, o Irã está demonstrando, que mísseis e drones são muito melhor , a Rússia já tinha mostrado isso , agora temos um caça sem míssil, , temos que tem drones ar ar e marítimo, mas está claro que essa geração de comandantes militares são fracos , talvez a pior geração que esse país já teve , são incompetente até a medula.
Jose de Almeida Bispo
26 de março de 2026 8:14 pmMais crimes da (Argh!) Lava-Jato e seus festejados criminosos de lesa-pátria.
Desmancharam a Odebrecht para desmanchar a tímida defesa do país.