21 de maio de 2026

Justiça italiana autoriza extradição de Carla Zambelli

A defesa já anunciou recurso, o que levará o caso à instância máxima antes da decisão final do governo italiano
Bolsonarista Carla Zambelli posa ao lado de Delgatti. Foto: Reprodução/Twitter/@CarlaZambelli38

Corte italiana aceitou extradição de Carla Zambelli, condenada a 10 anos por invasão ao CNJ; defesa recorrerá.
Zambelli foi presa em Roma desde julho de 2025; STF formalizou pedido após ela fugir do Brasil.
STF cassou mandato de Zambelli em 2025; ela renunciou, mas mantém condenações e inelegibilidade.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A Corte de Apelação da Itália aceitou, nesta quinta-feira (26), o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), condenada pelo STF a 10 anos de prisão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A defesa já anunciou recurso, o que levará o caso à instância máxima antes da decisão final do governo italiano.

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A decisão foi proferida pelo tribunal em Roma, que analisava o pedido formulado pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro. No entanto, a determinação ainda não é definitiva: a defesa de Zambelli informou à TV Globo que vai protocolar recurso, o que fará o processo subir ao Supremo Tribunal de Cassação da Itália, a mais alta corte do país. Após o parecer judicial, a palavra final caberá ao ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio. Não há prazo estabelecido para uma decisão definitiva.

Zambelli, que tem cidadania italiana, deixou o Brasil em 25 de maio de 2025, dias após ser condenada pelo STF. Ela cruzou a fronteira com a Argentina e, de lá, seguiu para os Estados Unidos antes de embarcar para Roma. Ao publicar mensagens nas redes sociais, afirmou ser vítima de perseguição e que pretendia provar sua inocência.

Por ter fugido após uma condenação transitada em julgado, Zambelli é considerada foragida da Justiça brasileira. O STF formalizou o pedido de extradição, assinado pelo ministro relator Alexandre de Moraes, e o encaminhou ao governo italiano. Desde 29 de julho de 2025, ela está presa em uma unidade prisional no bairro de Rebibbia, em Roma, onde a Justiça italiana decidiu mantê-la durante o processo por entender haver risco de fuga.

Extradição

O trâmite de extradição enfrentou sucessivos atrasos. Ao todo, quatro audiências foram adiadas. Na primeira, em novembro, a defesa aderiu a uma greve de advogados em Roma; na segunda, em dezembro, novos documentos foram apresentados ao tribunal.

Durante as audiências, a defesa argumentou, entre outros pontos, que as condições carcerárias no Brasil inviabilizariam a extradição. A Justiça italiana chegou a suspender o julgamento para aguardar informações sobre o assunto. Em resposta, o ministro Alexandre de Moraes enviou um documento de 11 páginas com informações e imagens sobre a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, indicada como o local onde Zambelli cumpriria pena caso seja extraditada.

O documento, produzido pela Vara de Execuções Penais do DF, informou que nunca houve rebelião na unidade, que as internas recebem atendimento médico e realizam cursos técnicos, e que o presídio opera sob acompanhamento contínuo de órgãos de controle.

A defesa de Zambelli pede que ela seja transferida para um presídio em São Paulo, para ficar próxima à família, mas a expectativa é que ela fique na Colmeia.

Condenações

Em 15 de maio de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Carla Zambelli por unanimidade a 10 anos de prisão em regime fechado pela invasão dos sistemas do CNJ. Segundo a Procuradoria-Geral da República, Zambelli teria orientado o hacker Walter Delgatti Neto a invadir o sistema para inserir documentos falsos, entre eles, um suposto mandado de prisão contra o próprio ministro Alexandre de Moraes, com o objetivo de desacreditar a Justiça e fomentar atos antidemocráticos.

Delgatti foi condenado a 8 anos e 3 meses de prisão. Ambos também foram condenados a pagar indenização de R$ 2 milhões por danos morais e coletivos.

Já na Itália, Zambelli foi condenada uma segunda vez pelo STF, agora por ter perseguido, armada, um homem em São Paulo em 2022. Nesse caso, a pena foi de 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

Mandato

Em dezembro de 2025, o STF reiterou a determinação de cassação do mandato de Zambelli, revogando decisão contrária da Câmara dos Deputados. Três dias depois, ela enviou uma carta de renúncia à Casa.

No texto, afirmou ter sido perseguida e que sua “história pública não foi forjada”. A renúncia, no entanto, não afeta as condenações já transitadas em julgado nem a inelegibilidade decretada.

Com o recurso da defesa, o caso será analisado pelo Supremo Tribunal de Cassação italiano. Caso a extradição seja confirmada em definitivo e o ministro da Justiça italiano dê o aval, as autoridades italianas comunicarão oficialmente o governo brasileiro, que ficará responsável pela logística da transferência, tarefa que caberá à Polícia Federal. Durante todo o processo, Zambelli permanecerá presa em Roma.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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