10 de junho de 2026

Presidente da CEF tenta censurar Fórum e pede multa milionária na Justiça

"É uma vergonha que o presidente de um banco público no governo de Lula faça este tipo de assédio a um veículo jornalístico", afirma Rovai
O presidente da Caixa, Carlos Vieira (Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

Presidente da Caixa, Carlos Vieira, tenta censurar Fórum e pede multa diária de R$ 100 mil por reportagem sobre Operação Fallax.
Reportagem aborda esquema de fraudes e lavagem de dinheiro de R$ 500 milhões e relação de Vieira com deputado Arthur Lira.
Juiz nega pedido de censura, destaca liberdade de imprensa e determina prazo para Fórum se manifestar no processo.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

da Revista Fórum

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Presidente da Caixa Econômica Federal tenta censurar Fórum e pede multa milionária na Justiça

Reportagem mostra relação de Carlos Vieira com Arthur Lira.

Por: Plinio Teodoro

O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira Fernandes, entrou com ação na Justiça para tentar censurar e impor uma multa milionária à Fórum por reportagem sobre a Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no dia 25 de março, que desmantelou um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro que pode ultrapassar R$ 500 milhões.

LEIA A REPORTAGEM ALVO DE TENTATIVA DE CENSURA
Carlos Vieira: quem é o presidente da Caixa indicado por Arthur Lira

Vieira ataca uma reportagem que traça um perfil sobre as relações, já noticiadas, dele com o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), que o indicou ao cargo, além de denúncias da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) sobre sua gestão à frente do Funcef, que teria sido marcada por déficits bilionários e planos de equacionamento que impuseram descontos severos aos aposentados e pensionistas.

Na ação em que tenta censurar a Fórum, pedindo a remoção da reportagem do ar, Vieira ainda requer que a justiça inviabilize “qualquer forma de acesso à referida página, bem como a quaisquer outras que reproduzam o seu conteúdo, inclusive por meio de publicações em redes sociais e em sites parceiros, sob pena de multa diária no valor de R$ 100.000,00”, valor que pode chegar a cifras milionárias devido à repercussão nas redes sociais.

O presidente da Caixa ainda afirma que a reportagem o trata “como o responsável por esquema de fraudes e lavagem de dinheiro que pode ultrapassar R$ 500 milhões” – o que não está no texto -, “que sua trajetória recente na gestão de estruturas estatais seria alvo de intensa contestação” e “que o requerente estaria vinculado ao Grupo Fictor e Banco Master”.

No entanto, em decisão proferida nesta segunda-feira (30), o juiz Cleber de Andrade Pinto, da 16ª Vara Cível de Brasília, indeferiu o pedido de tutela de urgência e ressalta que a o texto é meramente informativo.

“No presente caso, a matéria jornalística trazida aos autos tem conteúdo meramente informativo, noticiando o fato de que a Caixa Econômica Federal, instituição presidida atualmente pelo autor, foi alvo de investigação criminal. A reportagem deixa claro que o autor não é investigado pela Polícia Federal, de modo que não se identifica, a priori, conteúdo que exceda o exercício regular da liberdade de imprensa“, diz o magistrado.

Diretor de Redação da Fórum, Renato Rovai, manifestou repúdio com a tentativa de Carlos Vieira em censurar e impor multa milionária ao portal por uma reportagem jornalística.

“Nem nos governos Bolsonaro e Temer a Fórum sofreu um processo desses. É uma vergonha que o presidente de um banco público no governo de Lula faça este tipo de assédio a um veículo jornalístico. Espero que o governo não aceite isso como algo normal e tranquilo. Agora, curioso é por que ele faz isso com a Fórum e não faz com a Globo?”, indaga Rovai.

O juiz ainda afirma que “não há prova inequívoca de que o conteúdo noticiado extrapole os limites da liberdade de informação”.

“Nesse contexto, em sede de tutela de urgência, deve-se prestigiar o livre exercício da atividade jornalística, conforme assegurado pela Constituição, sendo mais prudente aguardar a formação do contraditório e o regular desenvolvimento da instrução probatória para eventual reavaliação da matéria”, afirma o magistrado, que abriu prazo de 15 dias para manifestação da Fórum.

Para o advogado Rodrigo Valverde, que faz a defesa da Fórum, a decisão do juiz mostra que a luta histórica pela liberdade de expressão e do livre exercício do jornalismo ainda tem reflexos nos dias atuais, onde a defesa da democracia se faz presente.

“Fatos de interesse social e público, como são os que foram abordados na matéria, merecem o prestígio da liberdade de imprensa alcançada a duras penas pela luta democrática e chancelada depois na decisão histórica da ADPF nº 130. Iremos apresentar defesa e acompanhar o processo até final julgamento para garantir que a liberdade de informar prevaleça sobre tentativas de censura e intimidação”, afirma Valverde.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Luiz Fernando Juncal Gomes

    2 de abril de 2026 12:19 am

    Correlação de Forças
    Lula assume, a presidente da CEF é a funcionária de carreira Rita Serrano.
    Acompanhei diariamente as postagens da presidenta no Twitter, todas institucionais.
    Rita Serrano destaca, invariavelmente, as ações da CEF nos programas sociais.
    E lamentei que a presidenta do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, não fizesse o mesmo.
    Aliás, ela sequer tem perfil nas redes.
    Daí, o gênio Lula, que nunca contou com assessoria qualificada, cedendo à pressão do Centrão, entrega a presidência da CEF para o ….. Artur Lyra.
    Afinal ele iria ter a retribuição nas votações na Câmara. Só que não.
    Quando vi isso, sabia exatamente o que iria acontecer.
    Por que o Centrão nunca se interessou pela presidência do Banco do Brasil?
    Porque o BB tem um negócio chamado Governança Corporativa, coisa que na CEF passa longe, onde não existe nem a mais remota possibilidade de decisões que não sejam colegiadas.
    E uma quota de diretores e vice-presidentes funcionários de carreira, para garantir a governança.
    O BB teve 4 presidentes no governo Bolsonaro.
    Um deles, quando saiu, depois de 6 meses, deu entrevista à Folha dizendo que no BB “não dava pra fazer nada”.
    É inaceitável que um governo entregue a presidência de um banco público, VULNERÁVEL, para uma quadrilha de BANDIDOS.

Recomendados para você

Recomendados