Repetição
por Izaías Almada
A repetição é por demais cansativa em qualquer situação. Sempre!
Já sei, já sei! Aqueles engraçadinhos ali ao fundo começaram a rir e a cochichar e mandaram dizer que existem repetições que são simplesmente maravilhosas. Tenham um pouquinho de paciência, jovens, e deixem-me explicar…
Somada à falta de ideias, a repetição torna-se uma tormenta e mostra um cérebro incapaz de encontrar soluções para impedir que determinados fatos aconteçam e se repitam.
Ameaça, recua… Ameaça, recua… A repetição do sociopata norte americano, por exemplo, é cansativa. Ele não pensa, pois pensar exige um esforço cerebral que parece não existir naquela cabecinha cheia de vento.
Os discursos bolsonaristas são inegáveis demonstrações de repetições que não levam a absolutamente nada.
Netanyahu é outro genocidazinho que gosta de repetir Gaza, sempre que pode: tudo aquilo que seus antepassados sofreram e aprenderam com Hitler.
A repetição é um dos limites da inteligência, um vácuo cerebral que precisa ser preenchido antes que leve, para quem o possui, ao manicômio mais próximo.
Vou dar um delicioso exemplo dos anos 50. O famoso deputado Carlos Lacerda falava no congresso Nacional. A certa altura do discurso foi aparteado por um deputado de outro partido que, pedindo a palavra, disse que aquilo que ouvia de Lacerda entrava-lhe por um ouvido e saía pelo outro.
Homem de raciocínio rápido, Lacerda respondeu ao colega: “Impossível, excelência, o som não se propaga no vácuo!”
Arrisco dizer que em política a repetição só se propaga no vácuo, pois o vácuo é o grande aliado de quem nada tem a dizer. Ou de quem não dá a mínima para o que acontece à sua volta. Não precisamos voltar muito no tempo. Fiquemos nesse primeiro quarto do século XXI onde o fascismo voltou à superfície…
Não bastou o que aconteceu no mundo entre 1939/1945? Vamos, mesmo em outras condições, repetir aquela tragédia? E a corrupção no Brasil? Ela se repetirá agora ainda mais sofisticada pela cultura da digitalização e das redes sociais?
A geopolítica perdeu o rumo… Cada país faz o que quer, mesmo ameaçado por quem tem maior poder em armas. Todos nós corremos com vendas nos olhos em direção ao precipício, onde as religiões trocaram a salvação da alma (seja lá o que isso signifique) pelos dólares, euros, bitcoins e outros “fundos de reservas”.
Vencendo vem Jesus? O que diz a atriz Luana Piovani?
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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