Em meio a indicadores macroeconômicos considerados positivos, como crescimento da renda, inflação relativamente controlada e queda do desemprego, um fenômeno tem chamado atenção: a percepção disseminada de que a economia “vai mal”.
A economista Juliane Furno aborda esse descompasso em uma série de vídeos nas redes sociais, nos quais propõe uma chave de leitura centrada no avanço do endividamento das famílias e no custo elevado do crédito no Brasil.
Segundo ela, o ponto de partida da análise é justamente essa contradição entre dados e sensação social. “A gente tem inflação baixa, crescimento econômico, menor desemprego da série histórica, crescimento da renda, relativa estabilidade cambial. Mas, por outro lado, cresce o percentual de pessoas que dizem que a situação econômica do país piorou”.
Para Furno, a explicação passa pelo fato de que o aumento da renda não tem se traduzido em melhora efetiva no cotidiano das famílias. Isso porque uma parcela crescente desse dinheiro já está comprometida com dívidas.
“Tem havido crescimento da renda, sim, mas com o aumento do endividamento, é como se esse crescimento fizesse com que as pessoas seguissem sem nem ver a cor do dinheiro. Pinga mais dinheiro na conta, mas ele já vai direto para pagar parcela ou juros de dívida”.
Dados recentes da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) indicam que cerca de 80% das famílias brasileiras possuem algum tipo de endividamento. Embora a economista ressalte que nem toda dívida é negativa, como no caso de financiamentos imobiliários , o problema ganha outra dimensão quando se observa o peso dessas obrigações no orçamento.
“O quanto da nossa renda está comprometida com pagamento de dívida subiu bastante e segue em um patamar elevado. E cerca de 30% das famílias estão inadimplentes, com contas em atraso”.
Esse cenário se agrava diante de um ambiente de juros elevados. O Brasil figura entre os países com maiores taxas de juros reais do mundo, o que impacta diretamente o custo do crédito mais utilizado no dia a dia.
“O juro médio que a gente paga, em coisas como cartão de crédito, crédito pessoal e consignado, gira em torno de 62%. Isso aumenta o estoque de dívida das famílias.”
A consequência mais ampla aparece no comportamento da economia como um todo. Furno chama atenção para um descolamento entre o crescimento da renda e o consumo – fenômeno que, no jargão econômico, é conhecido como “boca de jacaré”. “A renda está aumentando, mas o consumo não acompanha. E se a poupança também não cresce, isso só significa uma coisa: esse dinheiro está indo para pagar dívida”.
Esse movimento, segundo ela, tem efeitos diretos sobre o dinamismo econômico. “Esse dinheiro não está indo para comprar coisas, não está aumentando a demanda. A gente está comprando menos, contratando menos serviços, e isso desaquece o mercado interno”.
Na leitura da economista, portanto, o aparente paradoxo entre bons indicadores e percepção negativa não é exatamente uma contradição, mas o reflexo de como o crescimento tem sido absorvido pelas famílias.
Este é o primeiro vídeo da série que analisa a percepção de piora da economia. Aqui, você pode conferir a íntegra dos conteúdos publicados.
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JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
21 de abril de 2026 9:00 amAinda que não haja percepção positiva do desempenho do governo, pela maioria da população, não se justifica o índices alcançados pelo pré candidato da extrume direita, pois trata-se de um político de carreira, que até a presente data, tenha apresentado projetos que sequer representa algum benefício para a população. Mesmo considerando a atuação desonesta da nossa imprensa livre de isençao em coluio com o sistema finaceiro que fabricam uma enchurrada de pesquisas que eu considero duvidosas, não consigo acreditar que um contigente significativo da população deseje eleger um governo que com certeza irá arruinar o país.