10 de junho de 2026

Estudo relaciona violência sexual a maior risco de doenças cardíacas

Quadros de ansiedade e depressão, frequentes em vítimas de violência sexual, já têm relação estabelecida com doenças cardíacas
AdobeStock

Mulheres vítimas de violência sexual têm 74% mais risco de doenças cardiovasculares, aponta estudo com dados do IBGE.
Maior ocorrência de infarto e arritmias foi identificada, sem diferença em angina e insuficiência cardíaca.
Pesquisa destaca impacto biológico e comportamental da violência, além da subnotificação especialmente entre homens.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Mulheres que sofreram violência sexual têm 74% mais chance de desenvolver problemas cardiovasculares do que aquelas que não passaram por essa experiência. É o que aponta uma pesquisa publicada na revista Cadernos de Saúde Pública, baseada em dados da Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE, levantamento realizado com mais de 70 mil entrevistas representativas da população brasileira.

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O estudo identificou, em particular, maior ocorrência de infarto do miocárdio e arritmias entre as vítimas. Nos casos de angina e insuficiência cardíaca, não foram observadas diferenças significativas em relação ao grupo de comparação.

Para isolar o efeito da violência sexual sobre o coração, os pesquisadores utilizaram ferramentas estatísticas que neutralizaram a influência de outros fatores, como idade, cor da pele, orientação sexual, escolaridade e região de moradia, garantindo que o aumento no risco fosse atribuível ao trauma em si.

Trauma

O pesquisador Eduardo Paixão, do programa de pós-graduação em Saúde Pública da Universidade Federal do Ceará e responsável pelo estudo, explica que os efeitos da violência sexual costumam ser associados apenas à saúde mental, mas o impacto vai além. “A saúde humana perpassa por muitas interações sociais que impactam o nosso bem-estar”, diz ele.

A hipótese do grupo é que o risco cardiovascular elevado resulte de uma combinação de fatores biológicos e comportamentais. Quadros de ansiedade e depressão, frequentes em vítimas de violência sexual, já têm relação estabelecida com doenças cardíacas.

O estresse crônico provocado pelo trauma também desencadeia respostas fisiológicas: aumenta a inflamação do organismo, altera a pressão arterial e a frequência cardíaca. “Experiências traumáticas podem ativar toxinas que aceleram o processo de doença cardiovascular”, explica Paixão.

Além disso, pessoas que vivenciaram violência têm maior propensão a desenvolver comportamentos prejudiciais à saúde, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de drogas e sedentarismo, todos fatores de risco cardiovascular.

Subnotificação

Os dados da Pesquisa Nacional de Saúde revelam que 8,61% das mulheres relataram ter sofrido ao menos uma situação de violência sexual ao longo da vida, contra 2,1% dos homens.

Paixão, porém, ressalta que o número real deve ser bem maior, já que esse tipo de violência é amplamente subnotificado, especialmente entre homens, que muitas vezes não reconhecem o que sofreram ou não se sentem à vontade para relatar.

Para o pesquisador, o principal valor do estudo está em chamar atenção de profissionais que trabalham tanto com vítimas de violência quanto com pacientes cardiovasculares para uma conexão que costuma ser ignorada.

“Se a gente conseguir intervir em fatores de vida modificáveis, talvez consigamos diminuir a incidência dessas doenças”, conclui, lembrando que as doenças cardiovasculares seguem sendo a principal causa de internações e gastos em saúde no mundo.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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