21 de maio de 2026

A maioria dos judeus dos EUA é antissemita! Eu também?, por Ruben Rosenthal

Com seu posicionamento, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) passou a atuar abertamente como uma agente do lobby sionista no país
Tributo às vítimas de atentado em massa de judeus em 16/12/2015, na Praia de Bondi, Sydney, Australia, Foto: Flavio Brancaleone/REUTERS

Pesquisa de 2025 revela que 61% dos judeus nos EUA consideram Israel culpado de crimes de guerra contra palestinos.
Definição da IHRA classifica críticas a Israel como antissemitismo, influenciando políticas nos EUA e outros países.
Alternativa JDA defende críticas a Israel como expressão política, rejeitada por sionistas e com apoio parcial do movimento palestino.

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A maioria dos judeus dos EUA é antissemita! Eu também?

por Ruben Rosenthal

Se Tabata Amaral não quiser manchar para sempre sua incipiente carreira política com o sangue palestino, deveria substituir imediatamente a infame proposta da IHRA pela Declaração de Antissemitismo de Jerusalém (JDA).

Pela definição de antissemitismo da IHRA, a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, adotada nos EUA pelo governo federal e da maioria dos Estados, milhões de judeus estadunidenses podem ser taxados de antissemitas. De fato, uma pesquisa de 2025 promovida pelo Washington Post revelou que, para a população adulta de origem judaica com cerca de 6 milhões de pessoas, 61% consideram que Israel cometeu crimes de guerra, enquanto que para 40%, o país é culpado de genocídio contra os palestinos.

Se a definição da IHRA for aprovada no Brasil, conforme o projeto de lei encaminhado pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), eu também farei parte dos brasileiros que promovem o antissemitismo. Com seu posicionamento, a deputada passou a atuar abertamente como uma agente do lobby sionista no país, e com isso se torna conivente com os crimes de guerragenocídiolimpeza étnica e com o regime de apartheid promovido por Israel, crimes estes já comprovados por diversas agências de direitos humanos, inclusive a B’Tselem de Israel.

Em 2021, em oposição à definição da IHRA, cerca de 200 acadêmicos renomados das áreas de história do holocausto, estudos judaicos e do Oriente Médio elaboraram um guia com 15 diretrizes que ajudassem a identificar ocorrências de antissemitismo: a JDA, Declaração de Antissemitismo de Jerusalém. A JDA não considera que os críticos ao Estado de Israel pelos crimes cometidos contra os palestinos possam ser taxados de antissemitas.  A JDA é fortemente criticada pelos sionistas, mas também não ficou livre de algumas restrições pelo movimento palestino.

A Definição de Antissemitismo da IHRA

Em 2016, a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto adotou em Bucareste uma definição prática de antissemitismo, sem vinculação legal na ocasião. Por esta definição, “antissemitismo é uma determinada percepção dos judeus, que pode se expressar como ódio contra eles. Manifestações retóricas e físicas de antissemitismo são dirigidas a indivíduos judeus ou não judeus e/ou suas propriedades, a instituições da comunidade judaica e a locais religiosos”.

 A definição também incluiu 11 “exemplos de antissemitismo” para servirem como guia. Dentre estes, incluem-se: defender que a existência de Israel como Estado seja um projeto racista; cobrar de Israel um comportamento que não é exigido de outras nações; fazer comparações entre as políticas atuais de Israel com as da Alemanha Nazista; defender alegações estereotipadas de que judeus exercem controle sobre a mídia, governos e outras instituições.

Em 2017, Donald Trump emitiu uma ordem executiva, a partir de uma proposta da Organização Sionista da América, obrigando as agências federais a considerarem a definição da IHRA quando aplicassem a Lei dos Direitos Civis de 1964 dos Estados Unidos. Esta legislação estabelece no Título VI, a proibição de discriminação com base na raça, cor, ou origem nacional nos programas que recebam ajuda financeira federal. No entanto, o racismo contra os negros não tem semelhante definição em lei.

A partir da ordem executiva de Trump e da aprovação da definição da IHRA pela Câmara de deputados dos EUA, o antissionismo passou a ser considerado como uma manifestação de antissemitismo, e as universidades se tornaram alvo de repressão governamental.  Em artigo no The Guardian, Kenneth Stern, um dos principais autores da definição de antissemitismo da IHRA, declarou que a definição não havia sido elaborada com o intuito de reprimir a liberdade acadêmica e de expressão.

Mas a Caixa de Pandora já fora aberta, e vem servindo aos interesses da direita judaica e ao projeto dos cristãos nacionalistas, de ataque ao liberalismo e à democracia nos EUA. Sob pressão do lobby pró-Israel, vários outros países também adotaram a definição da IHRA, que desde então vem sendo utilizada para pressionar políticos que ousem criticar as ações de Israel.

 JDA, Declaração de Antissemitismo de Jerusalém.

Por esta declaração, não é manifestação de antissemitismo comparar Israel com casos históricos de colonialismo e de apartheid. Da mesma forma, defender a aplicação de boicote, sanções e desinvestimento ao Estado de Israel, bem como outras formas não-violentas de protesto, devem ser considerados como posicionamentos políticos garantidos pela liberdade de expressão.

Como seria de se esperar, círculos pró-sionismo criticaram a JDA como sendo antissemita. Para o Centro Begin-Sadat de Estudos Estratégicos, o real objetivo da JDA é usar a luta contra do antissemitismo como pretexto para difamar Israel. Ainda segundo o texto do Centro de Estudos, a JDA é tendenciosa por considerar que não constitui antissemitismo criticar o sionismo como forma de nacionalismo, ao mesmo tempo que não menciona outras formas de nacionalismo.

Para o Movimento BDS e a Campanha de Solidariedade com a Palestina, PSC, a JDA representa um grande avanço em relação à definição da IHRA. No entanto, estes setores alertam que a Declaração de Jerusalém peca por omitir qualquer menção do antissemitismo promovido pelos supremacistas brancos e pela extrema-direita, focando apenas na questão Israel-Palestina.

Finalizando, se Tabata Amaral não quiser manchar para sempre sua incipiente carreira política com o sangue palestino, deveria substituir imediatamente a infame proposta da IHRA pela Declaração de Antissemitismo de Jerusalém (JDA).

Ruben Rosenthal é professor aposentado da UENF, responsável pelo blogue Chacoalhando e pelo programa de entrevistas Agenda Mundo, veiculado no canal da TV GGN.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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