22 de maio de 2026

Uma em cada cinco gestantes abandona o pré-natal antes de completar o ciclo mínimo

Escolaridade, raça e localização geográfica influenciam o índice de conclusão do ciclo, que, de acordo com especialistas, deveria ser composto por sete consultas no mínimo
Foto: Ana Nascimento/MDS/Portal Brasil

99% das gestantes brasileiras fazem a 1ª consulta pré-natal, mas 21% não completam as 7 consultas recomendadas.
Desigualdade na continuidade do pré-natal é maior entre indígenas, menos escolarizadas e no Norte do Brasil.
Adolescentes têm menor taxa de conclusão (68%), e barreiras logísticas dificultam acesso ao acompanhamento completo.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Quase a totalidade das gestantes brasileiras comparece à primeira consulta pré-natal, mas uma em cada cinco não chega à última. É o que aponta um estudo do Centro Internacional de Equidade em Saúde, da Universidade Federal de Pelotas, e que expõe uma fratura persistente no sistema de saúde do país: o acesso existe, mas a continuidade falha, e falha de forma desigual.

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A pesquisa utilizou dados de 2023 do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) para medir o cumprimento da meta de sete consultas pré-natais, patamar adotado pelo Ministério da Saúde em 2024 com a criação da Rede Alyne, programa voltado à redução da mortalidade materna e infantil. A cobertura para a primeira consulta alcança 99%. Para a sétima, cai a 79%.

A distância entre esses dois números não é uniforme. Ela se aprofunda conforme a escolaridade diminui, a raça se afasta do padrão branco e o território se distancia do Sul do país.

Entre mulheres com ao menos 12 anos de estudo, 86,5% completam o acompanhamento. Entre aquelas sem escolaridade, esse índice cai para 44%. No recorte racial, as mulheres indígenas são as mais afetadas: apenas 51% concluem o ciclo, contra 84% das brancas. Pretas e pardas registram 76% e 75%, respectivamente.

A queda entre a primeira e a sétima consulta é de 15 pontos percentuais entre mulheres brancas e de 46 pontos entre indígenas, quase metade delas inicia o pré-natal sem convertê-lo em acompanhamento real. Questões logísticas e a distância dos equipamentos de saúde estão entre os fatores que explicam esse abismo.

Geograficamente, o Norte apresenta o menor índice de conclusão do ciclo completo, com 63%. O Sul lidera, com 85%, seguido por Sudeste (81%), Centro-Oeste (77%) e Nordeste (76%).

A faixa etária também importa. Adolescentes completam o pré-natal em proporção menor do que mulheres acima dos 35 anos, 68% contra 83%. Segundo a pesquisadora Luiza Eunice Sá da Silva, a gravidez descoberta tardiamente entre adolescentes reduz o tempo disponível para cumprir as sete consultas.

O epidemiologista Cesar Victora, coautor do estudo, alerta que os resultados confirmam a chamada hipótese de equidade inversa, segundo a qual os benefícios das políticas de saúde chegam primeiro a quem já está em posição de vantagem. Para ele, corrigir as desigualdades deve preceder qualquer esforço de melhora de qualidade. Caso contrário, os grupos mais distantes da meta ficam ainda mais para trás.

“Sete consultas não são um número arbitrário, mas o mínimo necessário para acompanhar o ritmo acelerado da vida intrauterina”, afirma Victora. Sem esse acompanhamento, condições como infecções, hipertensão e diabetes gestacional podem passar sem diagnóstico e tratamento precoce.

Para Evelyn Santos, da Umane, associação que apoiou a pesquisa, o caminho começa pelo diagnóstico local. Estados e municípios precisam mapear suas próprias barreiras e, a partir daí, implementar estratégias como a vinculação do pré-natal às maternidades de referência e a busca ativa de gestantes nos territórios.

*Com informações da Folha.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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