21 de maio de 2026

… e o vento levou o pobre de direita e o debate de ideias, por Letícia Sallorenzo

E as pessoas fazem questão de promover seus VALORES. Os VA LO RES estão substituindo as ideologias. Isso não é pouca coisa, não.
Basquiat

Apresentação de Felipe Nunes para CEOs destaca que percepção da realidade supera a realidade vivida.
Polarização política atual ultrapassa PT e PSDB; eleição é sensorial, não ideológica ou racional.
Valores substituem ideologias; polarização afeta decisões empresariais baseadas em preconceitos e estereótipos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

… e o vento levou o pobre de direita e o debate de ideias

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por Letícia Sallorenzo

Acabou de cair em minhas mãos uma apresentação que o Felipe Nunes da Quaest fez para CEOs reunidos na AmCham no último dia 17 de março. Passei o material pra Eliara Santana, que também está dando seus pitacos lá na laje dela.

O ponto principal do Felipe é algo que eu (e Eliara) estamos falando há troceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeentos anos: a questão não é a realidade vivida, mas a PERCEPÇÃO DA REALIDADE. Se as pessoas não têm a SEN SA ÇÃO de que estão bem, então elas não estão bem. Simples assim.

Outra coisa: aquilo que eu chamei de TFE, ou Trio Ferra Eleição (os votos brancos, nulos e indecisos) praticamente não existe mais. O TFE venceu o segundo turno das eleições de 2016 em várias capitais. Hoje, o que existe é uma polarização que há muito transcendeu a que havia entre PT e PSDB.

A eleição não é ideológica/racional, mas sensorial. Se, em 1994, António Damásio defendia, em O Erro de Descartes, que o ser humano trabalha um equilíbrio entre razão e emoção, este primeiro quarto de século XXI está vendo o fascismo estimular uma ruptura desse equilíbrio entre razão e emoção, e uma promoção do Estado de Natureza hobbesiano.

Isso é assustador. Isso é assombroso.

Outra coisa, que a esquerda tem que entender de uma vez por todas, e que virou citação do Felipe Nunes:

“Quando algo vira direito, deixa de gerar gratidão automática”

Eu vi isso diante dos meus olhos num grupo de zap em que uma das diretoras da Firrrma está. A sujeita ES CRE VEU, TEXTUALMENTE:

“Ih, isso daí que o sindicato diz que é conquista não tem nada de conquista, é lei! E Lei não é coisa de sindicato!”

E a esquerda ainda quer falar em “vitória da luta” e “disputar o debate de ideias”. Algo como defender o direito de enterrar um corpo que virou cinzas e foi levado pelo vento.

(Certa está Erika Hilton, que transformou o fim da escala 6 X 1 em “ter mais tempo pra família”. Mas vocês não estão prontos pra essa conversa).

As pessoas entendem, percebem e SENTEM ideologia como algo negativo, contraproduzente e ruim para tudo e para todos. Não adianta explicar que ideologia não é nem ruim nem bom, ideologia simplesmente É. Mas isso não entra na cabeça das pessoas (que, como tb aponta a pesquisa do Nunes, sabem quase nada mas acham que sabem muito).

Por outro lado, as pessoas fazem questão de promover seus VALORES. Os VA LO RES estão substituindo as ideologias. Isso não é pouca coisa, não.

Tem uma coisa que o Nunes não destacou: a polarização que acirra cada diz mais a sociedade brasileira também vitimiza o empresariado brasileiro. São pessoas que deveriam tomar decisões racionais, mas o fazem com base em preconceitos, estereótipos, impressões e pouca ou quase nenhuma informação.

Isso também é muito grave.

Letícia Sallorenzo é Mestra (2018) e doutoranda (2024) em Linguística pela Universidade de Brasília. Estuda e analisa processos cognitivos e discursivos de manipulação, o que inclui processos de disseminação de fake news.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Letícia Sallorenzo

Letícia Sallorenzo é Mestra (2018) e doutoranda (2024) em Linguística pela Universidade de Brasília. Estuda e analisa processos cognitivos e discursivos de manipulação, o que inclui processos de disseminação de fake news.

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2 Comentários
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  1. AMBAR

    17 de abril de 2026 8:00 pm

    Estava ruminando essas idéas mesmas, hora dessas, discutindo comigo diante da platéia do meu espelho me perguntando: por que diabos não tenho a mesma percepção da maioria?
    Lembrei-me de um estudo sobre numerologia e da determinação da porcentagem das nossas percepções, a saber :
    emocionais, racionais e instintivas. Cheguei a um número diferente de 33% para cada campo, preponderando o campo racional sobre o emocional e o instintivo. Discretamente racional, não fico livre de embates entre razão e emoção, tampouco os instintos me dominam, mas e os outros?
    O brasileiro médio é mais emocional e instinstivo que racional?
    É tão facilmente envolvido em vibes “esvoaçantes” que têm o poder de subtrair-lhe o senso de realidade?
    Numerologia não é ciência, análise de nome pode ser curiosidade, mas a idéia de categorizar pessoas por grupos de qualquer natureza é uma realidade humana.
    Juntando-se uma época, uma nacionalidade, um lugar, um tempo e um modo de dar nome às pessoas, conseguimos descobrir interessantes coincidências quanto ao caráter, destino e comportamento de determinados grupos.
    Seguindo esse princípio, mudei meu nome e boa parte da minha vida mudou pra melhor.
    O que tem a ver?
    Bom, alguma coisa o brasileiro terá que fazer pra voltar à realidade, nem que seja mudar de nome.

  2. Paulo Dantas

    19 de abril de 2026 3:30 pm

    Um problema que vejo é que a pauta da mídia e dos políticos não é a pauta da população.

    Os interesses não são o da população

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