10 de junho de 2026

Em tempos de terror, o povo pode abraçar o monstro Flávio Tifão, por Armando Coelho

O monstro da vez chama-se Flávio Midas (onde toca, vira ouro, dinheiro, imóveis…) Filho do genocida, tem a marca do Monstro dos Monstros.
Estação Brás - horário de pico - Reprodução

Fila desorganizada no metrô do Brás, São Paulo, gera confusão e críticas associadas ao governo Lula.
Monstros políticos globais como Trump, Milei, Bukele e Zelensky refletem tensões e crises mundiais.
No Brasil, Flávio Midas é visto como figura central da política espetáculo e polarização atual.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Em tempos de terror, o povo pode abraçar o monstro Flávio Tifão

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por Armando Rodrigues Coelho Neto

Fila grande na estação de trem e metrô no Brás, São Paulo/SP. Com dificuldade, a atendente tentou pôr ordem. Sacoleiros da região queriam embarcar de qualquer jeito, enquanto a fila dos idosos também gerava confusão. Em meio ao burburinho, uma voz bolsopata se insurge: “Isso é Brasil! Esse é o Brasil do Lula. Fazer o quê? ”. Por indiferença, por não ouvir ou por concordância, não houve contraponto.

O coitado, por certo, nunca enfrentou uma fila desorganizada no setor de migração dos EUA, Inglaterra ou França, nem foi empurrado à força para dentro de um trem no Japão. Sequer conhece ou viveu um tempo, do qual tem saudade, em que nem metrô existia. Um tempo bom, hoje reconfigurado pela inteligência artificial, que dava margem para piadas machistas, homofóbicas, sobre “pretinhos de alma branca”…

Um tempo bom que se contrapõe a tempos de terror e, como diria Mia Couto, em tempos que tais “o povo se abraça com o monstro”. Pois há um Tifão grego, “pai de todos os monstros”, capaz de trazer soluções para todos os problemas criados pela própria monstruosidade. Monstro com múltiplas faces mundo afora, capaz até de potencializar e seduzir o monstro oculto no pobre coitado da fila na estação do Brás.

A francesa Simone de Beauvoir teria dito que “o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos”. No Brasil, grande parte das vítimas da opressão promovida pela monstruosidade capitalista está com ele abraçada, tornando-o mais forte e ameaçador. Leia-se o monstro que detém o dinheiro, as armas, os meios de comunicação e corrói a força da produção.

O alienado acredita que a disfuncionalidade do metrô do Brás é o Brasil do Lula, quando é fenômeno mundial. Disfunção hoje assinada por uma horda de presidentes exóticos, adrede construídos em laboratórios, para se opor a qualquer coisa que se pareça com Lula. Gente que no mínimo disse sim a uma pergunta: quem quer ser o risonho palhaço assassino disposto a matar inocentes de raiva, fome ou bala?

Donald Trump (EUA) disse sim. Empresário e estrela de reality show, elegeu-se com o slogan “Make America Great Again”, atacando a mídia e instituições tradicionais, conferindo apelidos agressivos aos oponentes. Entre o exotismo e o terror, tenta convencer americanos e imbecis mundo afora de que destruir “Jerusalém em três dias”, digo, a Civilização Persa e depois reconstruir tudo é possível e trará paz.

Na Argentina, Javier Milei, um anarcocapitalista armado de motosserra, disse sim à pergunta lá de cima. Aos poucos, consegue convencer o pobre de direita da estação do Brás, digo, da caótica “San Isidro” (Tren de la Costa) em seu país, que pagar juros extorsivos, comer gatos e cães, vender o país, é, sem dúvida, a salvação da pátria de Messi, Evita e do adotado Carlos Gardel (intérprete de “Cambalacho”).

De outro giro, o alienado direitista de El Salvador não tem sequer uma estação de trem, pois o principal serviço foi desativado em 2021. Resta compará-lo aos passageiros do La Bestia, usado por salvadorenhos clandestinamente para, via México, se abraçar com Trump nos EUA. Mas, vivem sob comando de Nayib Bukele, “ditador mais legal do mundo”, especialista em matar e prender pobres.

Entre monstros, palhaços e genocidas, o pobre de direita, ou simplesmente os desesperados mundo afora, elegeram o sanguinário e corrupto Volodymyr Zelensky (Ucrânia) para presidente. Leia-se: um ex-comediante que animou sua campanha com um filme no qual um professor (interpretado por Zelensky) metralha o congresso ucraniano. Hoje, arregimenta grávidas, adolescentes e velhos para a guerra…

Brasil. O monstro da vez chama-se Flávio Midas (onde toca, vira ouro, dinheiro, imóveis…) Filho do genocida encarcerado, tem a marca do Monstro dos Monstros. Além da explícita maldade, todos usam a política do espetáculo, desprezo pelo “politicamente correto”, “populismo digital”, “nós contra eles”, a luta entre o “povo verdadeiro” (seus eleitores) e o “sistema”. Que sistema? Eles próprios, ora pois!

O mundo está repleto de angustiados ressentidos nas estações de trem mundo afora, abraçados a monstros como Trump, Milei, Bukele, Zelensky, Orbán, Duterte (pródigo em execuções extrajudiciais nas Filipinas) e Boris Johnson (Reino Unido), o qual impediu o acordo entre Zelensky e Putin nos primórdios da guerra com um mórbido conselho: “lutem até o último ucraniano, nós garantimos”. Cadê Johnson?

Já o Flávio, surfa na Estação Rachadinha. Não passará na roleta!

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

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Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

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2 Comentários
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  1. PAULO MAURICIO GONCALVES

    29 de abril de 2026 10:00 pm

    O oprimido apoiando seu próprio opressor. Eis a tragédia de todos os tempos de grande parte dos alienados, desavisados e escravizados do planeta Terra. Ufa!

  2. Nelson Viana dos Santos

    30 de abril de 2026 9:18 am

    Como sempre, o texto do Armando toca em algo importante e que parece inexplicável: o pobre que vota no rico; nos novos fascistas; naqueles que irão piorar ainda mais as vidas já precarizadas. Lembra bem o texto que se trata de um fenômeno global, não apenas de nosso povo. Na verdade, o sistema capitalista, tal como está organizado não proporciona sequer uma visão de um futuro melhor para as massas pobres e miseráveis. Nenhuma esperança. O sonho de uma vida melhor, digna, não está mais presente. Sobra apenas a luta pela sobrevivência. A falta de capacidade de compreender a realidade, as crises que somente aumentam, a corrupção das elites, o sofrimento sem fim, a ausência de direitos… tudo isso favorece a escolha de governantes que apelam para uma solução simples para todos os problemas: a violência. Nosso discurso e nossos valores humanistas valem pouco ou nada pois não podem mais ser materializados. Por isso, a população do Rio de Janeiro aplaudiu a matança de mais de cem pessoas promovida pelo governador; por isso, a maioria do eleitorado de São Paulo concorda e aplaude quando a PM mata até mães de família e crianças. Grande parte do eleitorado do Brasil apoia a implantação de uma nova ditadura. Essa é nossa triste realidade.

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