21 de maio de 2026

A farsa EUA e Israel. Um quase bastidor de um cessar-fogo, por Armando Coelho Neto

Declarações radicais, impasse entre EUA e Irã e bastidores de negociações revelam avanço da guerra e ameaça de crise energética global
Banksy

Israel adota postura hostil contra crianças em Gaza, com apoio de 80% da população, enquanto EUA cobrem ações militares.
Negociações de cessar-fogo entre Irã e EUA em Islamabad fracassam devido a desconfiança e divergências sobre programa nuclear.
Delegação iraniana sofre ameaças no retorno, com escolta militar paquistanesa; tensão reflete impasse e risco de guerra ampliada.

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A farsa EUA e Israel. Um quase bastidor de um cessar-fogo

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por Armando Coelho Neto

“Cada criança nascida em Gaza é um terrorista desde o momento do nascimento.” Essa afirmação é de autoria de Nissim Vaturi, membro do partido Likud no Parlamento de Israel. Segue nessa mesma linha a exasperação de Yair (colono israelense): “Se é uma criança de dez anos, devo esperar até que ela tenha 18 e venha com um rifle atirar em mim?” Ambas assertivas circulam em vídeo na internet.

Matar crianças e grávidas já tornou-se profilaxia na mentalidade de muitos israelenses. Nesse sentido, as falas acima não são exemplos raros e expressam o sentimento de muitos. Um grau de desumanidade que, por motivos diversos, atinge 80% dos israelenses, hoje potencializada pela ideia de que o Irã visa a destruição de Israel. O índice deixa sem uma resposta: Israel está ou não vencendo a guerra?

Se, de um lado, o quadro em Israel é o acima descrito, de outro há os EUA, um império em decadência, que dá cobertura ao genocídio naquela parte do mundo. O denominado “deep state” estadunidense, cérebro da maioria das guerras dos últimos cem anos, encontrou em Donald Trump um misto de “Chucky” (brinquedo assassino) e novo Hitler, pronto para detonar uma guerra que há anos o Pentágono tenta evitar.

Guerra contra o Irã em curso, o professor iraniano Mohammad Marandi, integrante da comitiva persa, esteve bem perto do fracasso das negociações entre Irã e EUA no Paquistão. Ele pouco ou nada esperava dos debates. Os EUA e Israel não têm histórico de cumprimento de acordos e pactos de cessar-fogo. Mas a comunidade internacional precisava saber do empenho do seu país por um cessar-fogo, afirma.

Durante o voo, o chefe da delegação, Mohammad Ghalibaf, colocou sobre poltronas vazias da aeronave fotos das crianças vitimadas pelo ataque promovido pelos EUA/Irã contra uma escola de Teerã, e posteriormente foram exibidas durante os diálogos. A temperatura subiu de pronto na “Sala do Impasse” ou “Sala da Ruptura” (assim conhecida nos bastidores diplomáticos) no Serena Hotel, em Islamabad.

Fogo apagado do pós-fotos, novos azedumes: entra e sai, e a temperatura voltou a subir. Divergências entre o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. “Como podemos confiar em vocês quando, na última reunião em Genebra, disseram que os EUA não atacariam enquanto a diplomacia estivesse em andamento?”, disse o representante persa.

Os iranianos voltaram a elevar o tom por questões cruciais ligadas ao programa nuclear do país, ao controle do Estreito de Ormuz, a garantias de não agressão e ao alívio das sanções. Os EUA foram arrogantes, desrespeitaram a soberania persa. Mesmo perdendo a guerra, queriam impor rendição, ignorando que o programa nuclear do país é legítimo perante o direito internacional, enfatiza Marandi.

Há visão hostil contra o Irã, alimentada por elites ocidentais e veículos como o Washington Post, que chegou a sugerir o assassinato de negociadores e líderes em Teerã como forma de pressão. Trump pode atacar o Irã em um futuro próximo, o que significaria o retorno à guerra. O mesmo que fez Israel na “Guerra dos 12 Dias”, em plena negociação. (Fala de Marandi para Glenn Diesen, no YouTube).

Se os EUA e Israel usam as negociações para reprogramar ataques, o Irã também usa o tempo para reorganizar suas capacidades defensivas e ofensivas, diz Marandi. O Irã nunca iniciou hostilidades. Pelo contrário, sempre reagiu a agressões externas, não raro com o apoio ocidental, usando armas químicas de Saddam Hussein ou mesmo as recentes escaladas de Netanyahu, pondera Marandi.

Os EUA serão derrotados. Querem uma rendição que não virá de um país que não perdeu a guerra. O Irã emergirá como potência-chave na Ásia Ocidental. Se bloquear ou atacar o Estreito de Ormuz, a infraestrutura de petróleo e gás no Golfo Pérsico será atacada, gerando uma crise energética permanente. Trump empurra o mundo para uma depressão econômica global para satisfazer Netanyahu.

Fim da farsa EUA/Israel. O que Marandi não esperava é que, na volta, ele e a delegação iraniana fossem viver momentos dramáticos por conta de ameaças de ataque ao seu avião. O retorno teve escolta de caças da Força Aérea do Paquistão e suporte de vigilância espectral — espécie de escudo protetor. Mas tiveram que trocar de aeronave e desviar o voo para Mashhad. Depois, trem e ônibus.

ET: com informações do The Week e Glenn Diesen

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

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Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

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