21 de maio de 2026

Trump e as casas de apostas. Guerra não é game nem Hollywood, por Armando Coelho

Americanos ganham com apostas milhões de dólares sobre alvos iranianos.
Donald Trump - Flickr White House

Trump e as casas de apostas. Guerra não é game nem Hollywood

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Armando Rodrigues Coelho Neto

O Irã não tinha planos nem motivos para atacar os EUA. Mesmo assim, Donald Trump quis impor essa ideia ao Congresso estadunidense, em que pese representantes do Pentágono terem afirmado não haver qualquer ameaça. Em síntese, não havia plano do Irã para atacar os EUA. Mas os iranianos estavam prontos para responder, com veemência, a qualquer agressão vinda dos EUA.

As informações acima são do ex-inspetor da ONU Scott Ritter*, crítico das intervenções militares dos EUA no Iraque e na Ucrânia. Mais recentemente, com o ataque ao Irã, Ritter não disfarça sua decepção com Trump, na medida em que “apostou” em seu discurso por “menos guerra e mais diplomacia”. Hoje, o vê como alguém cercado de pessoas belicistas e mentirosas que alimentam sua vaidade.

Permita o leitor fugir do assunto para lembrar a ironia deste colaborador oficioso do GGN, quanto à facada contra o ex-capitão. O episódio seria uma farsa que deu errado e terminou em tragédia. Trump, após sequestrar o presidente da Venezuela, fez um convescote para a imprensa. A farsa do Irã virou tragédia, seja com o assassinato de crianças, seja pela reação do Irã. Às pressas, suspendeu a coletiva.

Farsa em curso, sequer a ameaça nuclear tem suporte, outra mentira alimentada pelo vice-presidente J. D. Vance. A diretoria nacional de inteligência, segundo Ritter, informou ao Congresso não haver qualquer ameaça nesse sentido. Mas Trump está cercado de paranoicos belicistas, tão ignorantes quanto os assessores econômicos que o informaram sobre o Brasil durante o episódio do tarifaço já esvaziado.

Sob alegação de ter informações vindas de Israel, Trump aceitou o conto da “ameaça nuclear”. Mas, em 2004, Israel já teria sustentado essa versão com base em documentos comprovadamente falsos. Em 2018, os israelenses “reembalaram a mentira” e apresentaram a mesma documentação a Trump. Portanto, não existe justificativa legal para o que está sendo feito contra o Irã hoje, enfatiza Ritter.

Para o ex-inspetor da ONU, a maioria dos políticos americanos deve suas carreiras ao financiamento de lobbies sionistas, razão pela qual não ousam contrariar diretrizes vindas de Tel Aviv. Durante palestras recentes, repetindo o jornalista Patrick Buchanan, ex-diretor de comunicações da Casa Branca (Ronald Reagan), Ritter diz que o Congresso dos EUA atua como um “território ocupado” (por Israel).

Para um observador atento, “território ocupado” trata-se de eufemismo para um parlamento comprado. A venalidade do Congresso estadunidense ganha espaço entre críticos republicanos e democratas. Já não soa como grande ousadia falar dos grupos sionistas que compram silêncio, omissão, endosso e indiferença diante de mais uma sequência de assassinatos de crianças e civis desarmados.

A cada dia está mais público o nocivo papel dos financiadores do Congresso dos EUA. Entre esses, surge com destaque o grupo AIPAC (Comitê de Assuntos Públicos Americano-Israelense), principal lobby pró-Israel, que visa garantir apoio incondicional do Congresso e do governo dos EUA ao Estado de Israel. O financiamento é democrata e republicano, e isso não é simples jogo de palavras.

Entre os críticos está sem resposta uma questão: “Israel First” ou “America First”? A rigor, diz Ritter, falta autoridade moral aos EUA para uma guerra que sequer foi autorizada pelo Congresso estadunidense, nem mesmo pelo Conselho de Segurança. Guerra que tem como efeito colateral danos à economia mundial, enquanto Trump tenta segurar bolsas de valores por meio de mentiras e bravatas.

Para quem esperava ver os EUA unidos em torno do ataque ao Irã, e os iranianos desunidos e prontos para derrubar o regime, o tiro saiu pela culatra. O mundo persa está unido e pronto para se defender. Já os estadunidenses, seduzidos pelo slogan “Make America Great Again”, nunca viram o país tão apequenado. O alento para o mundo é ver multidões nas ruas repudiando o cheiro de sangue e pólvora.

Em clima de banalização do mal, enquanto corpos viram cinzas ou são mutilados e Trump faz piadas, há quem assista à tragédia em clima de Copa do Mundo. Há notícias de faturamento de bilhões em apostas sobre eventos precisos da guerra. Segundo a NPR (National Public Radio – EUA), um único apostador ganhou US$ 553 mil ao apostar na morte de líderes iranianos, pouco antes de um ataque ocorrer.

Apostas à parte,Trump cultiva ganância, sadismo, terrorismo e o retorno à caverna. Mas guerra não é game nem Hollywood.

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Armando Coelho Neto

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados