Massacre de crianças. Trump e Netanyahu criminosos de guerra
por Armando Rodrigues Coelho Neto
As crianças loiras de olhos azuis fugindo da guerra na Ucrânia receberam grande destaque da mídia nacional e internacional. Postura igual não se vê em relação ao massacre de crianças em Gaza, promovido por Israel com o firme endosso de Donald Trump. Recentemente, 168 crianças foram assassinadas durante ataques promovidos pelos “generosos” Estados Unidos contra o “satânico” Irã.
Por mais estúpido que pareça, a guerra tem regras. Crianças e escolas são protegidas pelo Direito Internacional Humanitário. Escolas deveriam ser seguras. No entanto, a sofisticada tecnologia estadunidense, que encontrou Saddam Hussein dentro de uma caverna, não detectou uma escola. As crianças dizimadas tinham entre 7 e 12 anos. O ataque à escola está longe de ser um caso isolado.
Com o endosso da grande mídia ocidental — que no Brasil consegue ser “mais realista que o rei” —, a morte de crianças vem sendo banalizada, exceto quando são loiras de olhos azuis, como as citadas acima. Se o massacre no Irã ocorresse em um país aliado dos EUA, a grande mídia estaria tentando arrancar lágrimas do público, exibindo bonecas, mochilas, fotos e sapatinhos nos telejornais.
Quando se trata de crianças, além da seletividade emotiva, chama a atenção o fator sensacionalista de escândalos como o de Jeffrey Epstein (olha o Trump aí também, gente), cercado de mistérios sobre pedofilia e supostos rituais envolvendo asseclas milionários. De qualquer modo, tudo revela o mesmo espírito de descaso com a infância nos círculos que patrocinam guerras mundo afora.
As guerras no Afeganistão, Iraque, Paquistão, Síria, Líbia e Iêmen, desde 2001, revelam números assustadores. Estima-se entre 4,5 e 4,7 milhões de mortos, dos quais cerca de 3,6 a 3,8 milhões são vítimas indiretas — ou seja, mortes causadas pela fome e pela destruição dos sistemas de saúde e saneamento. Os dados foram divulgados pelo projeto Costs of War, da Universidade Brown, sediada nos EUA.
No que diz respeito às mortes infantis, o projeto destaca que, em zonas de conflito, as crianças morrem em taxas desproporcionalmente maiores, não apenas pelos ataques diretos, como em Gaza ou no Irã, mas também por desnutrição e doenças evitáveis. Dados divulgados pela Unicef dão conta de que entre 2005 e 2021, o Afeganistão registrou mais de 28.500 crianças mortas ou feridas.
De outro giro, a Save the Children (Reino Unido) calcula 90 mil crianças mortas ou mutiladas em conflitos globais, enquanto a Unicef cita 120 mil. Gaza apresenta números aterrorizantes: 17 mil crianças mortas nos primeiros anos do conflito. Se a Faixa de Gaza assusta, o Iêmen assusta ainda mais, ao superar esses índices: dos 377 mil mortos, 70% seriam crianças. Logicamente, sem cobertura midiática.
No caso específico do conflito com o Irã, enquanto este afirma focar em alvos militares ou estratégicos, os bombardeios dos EUA e de Israel costumam recair de forma indiscriminada. Aliás, Israel, com o apoio norte-americano, nunca disfarçou, segundo analistas internacionais, a intenção de atingir a estrutura familiar para evitar que novas gerações se tornem oponentes (terroristas) no futuro.
A indiferença com a infância é deplorável. Mais de um milhão de crianças foram deslocadas. De modo geral, os bombardeios destroem a infraestrutura da qual elas dependem: hospitais, escolas e sistemas de água. Enquanto isso, a violência na Palestina, em Gaza e na Cisjordânia, continua ceifando vidas inocentes. Também aqui, sem cobertura da grande mídia. Olhos azuis fazem toda a diferença.
Mais preocupado em não pressionar o mercado, Donald Trump ignora a morte de inocentes para promover o seu próprio enriquecimento e, claro, o de seus apoiadores, incluindo o complexo industrial militar, petroleiras, Big Techs e o setor financeiro. A conta da guerra, porém, aos poucos vem chegando no bolso da classe trabalhadora americana, que ao final vai arcar com os custos.
Nesse contexto de ganância e sadismo, Donald Trump e seu aliado, Benjamin Netanyahu, cometem crimes de guerra que incluem o massacre de crianças. Ao longo dos anos, o Irã vem sendo demonizado sob diversos pretextos. Entretanto, há mais de 200 anos, sua postura tem sido predominantemente defensiva, ao contrário das grandes potências globais do mesmo período.
Que tribunal julgará Trump e Netanyahu pelos crimes de guerra?
Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo
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Rui Ribeiro
8 de abril de 2026 9:33 amSegundo um jornalista, “a intervenção militar em outros países é sempre criticável, pois envolve a morte de pessoas, a destruição de infraestrutura e o desrespeito à soberania nacional. NO ENTANTO, quando resulta em melhora futura no respeito aos direitos humanos e numa forma de regime mais democrático, ELA PODE SE JUSTIFICAR”.
Neomaquiavelismo. Se a carnificina de 165 crianças em uma escola bombardeada pelos $ionistas/Netanyahu e pelo Trump resultar em melhora futura no respeito aos direitos humanos e numa forma de regime mais democrático, ela pode se justificar, afinal, two wrongs make a right.