9 de julho de 2026

O Brasil está ficando para trás na corrida da IA e isso ameaça a soberania nacional, diz professor da USP

Enquanto China e EUA protegem seus algoritmos, o Brasil mantém investimentos irrisórios, alerta Alexandre Chiavegatto à TV GGN

O mundo vive um marco histórico de “fechamento” na área de inteligência artificial: as grandes potências e empresas globais pararam de disponibilizar seus algoritmos mais poderosos, passando a tratá-los como ativos estratégicos de segurança nacional. O alerta é do economista e professor de IA na Faculdade de Saúde Pública da USP, Alexandre Chiavegatto Filho, em entrevista à TV GGN, no programa TVGGN 20 Horas [confira abaixo].

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Para ele, enquanto China e EUA travam uma guerra de vetos para proteger tecnologias capazes de derrubar sistemas operacionais, o Brasil renova mensalmente a decisão de não investir na maior revolução tecnológica da história, tornando-se vulnerável e dependente.

“O Brasil decidiu e decide todo mês renovar essa opção por não investir consideravelmente na maior revolução tecnológica da história. Isso vai deixar o país vulnerável e é uma ameaça não só à economia brasileira como à própria segurança nacional. A estratégia brasileira hoje é torcer para que a IA vá embora, mas ela não vai; daqui a seis meses o impacto será muito maior e nós estamos assistindo a tudo isso sem investir suficientemente em soberania e infraestrutura própria.”

O centro dessa nova disputa são as chamadas IAs agênticas. Para o leitor entender a diferença, as IAs que ficaram famosas recentemente (como o ChatGPT) são modelos de linguagem que apenas geram textos ou respostas. Já os agentes, como os desenvolvidos pela chinesa Manus, possuem “poder de ação”. Eles funcionam como funcionários digitais autônomos que operam o computador, abrem pastas, preenchem planilhas e executam tarefas complexas sozinhos. O potencial dessas ferramentas é tão alto que a Anthropic recuou no lançamento de seu modelo Mitos após descobrir que ele conseguia identificar vulnerabilidades de décadas em sistemas de segurança, o que poderia facilitar ataques cibernéticos em escala global.

“Esses algoritmos estão melhorando a cada semana e chegando num ponto em que são capazes de identificar vulnerabilidades em navegadores e sistemas operacionais que estavam abertas por décadas. A partir do momento que você identifica essas falhas, você abre a possibilidade para ataques cibernéticos. Por isso, as grandes empresas estão parando de disponibilizar algoritmos poderosos; foi um marco histórico elas começarem a fechar o acesso ao que é realmente potente.”

A “exportação” de dados e a perda da matéria-prima nacional

Essa mudança de postura das Big Techs e de governos estrangeiros deixa o Brasil em uma armadilha de dados. Chiavegatto destaca que o país possui o SUS, um dos maiores bancos de dados de saúde do mundo, mas, por não ter infraestrutura própria de processamento (data centers), acaba entregando essa “matéria-prima” para as nuvens de empresas como Microsoft e Google. É um modelo de exportação de dados brutos que enfraquece a soberania nacional.

“O país que tiver esses dados detalhados de pacientes terá a maior riqueza do mundo, e é uma grande ironia o Brasil, que sempre teve matéria-prima, não investir na tecnologia para processá-la. Hoje, nossos pesquisadores estão comprando nuvem da Microsoft ou do Google e entregando nossos dados para eles. É um ativo geopolítico fundamental que estamos cedendo enquanto o governo e o setor privado decidem não investir o necessário para competir nessa arena.”

Chiavegatto conclui que o investimento brasileiro de 5 bilhões de dólares é “baixíssimo” – comparável ao aporte de uma única startup média no Vale do Silício. Ele defende que a IA deveria ser uma “obsessão nacional”, integrando todos os ministérios para evitar que o país seja apenas um consumidor de tecnologias que ele não entende e não controla.

“A estratégia deveria ser um plano de governo, uma obsessão, chegando em todos os ministérios e perguntando como a IA está sendo incorporada. Hoje, a grande pauta no Congresso é apenas regulação por risco, dividindo o que é baixo ou alto risco, e as pessoas não estão vendo o tamanho do impacto”.

Assista ao programa completo abaixo:

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    3 de maio de 2026 3:59 pm

    O mundo pensa defesa , IA , energia , democracia.

    O Brasil discute Vorcarro , Messias , Shaquira.

    Exagerei mas não menti….

  2. José de Almeida Bispo

    3 de maio de 2026 9:26 pm

    O Brasil, exceção aos impotentes sonhadores só tem agidiotas, mistura de agiota com idiota.
    Quem manda são os agidiotas.
    Logo, coisa séria?
    Só por milagre.
    Um país deste tamanho, com as riquezas que tem, e sequer tem um sistema pra chamar de seu?
    Só vive a copiar, miseravelmente?

  3. brunobgl

    4 de maio de 2026 6:13 am

    O Professor não sabe que o FH do PT (Fernando Haddad) foi aos EUA logo nos primeiros meses do governo Trump prometer às empresas americanas mais ricas da história do capitalismo que nós vamos pagar a parcela delas pra elas virem aqui desenvolver a inteligência artificial DELAS?!
    Aliás, não só o FH de cá se antecipou a qualquer exigência do Trump, como ainda o foi fazer em Los Angeles (???!!!) num think-tank esquisito de um Michael Milken, o “Junk Bond King”, fraudador bilionário do mercado financeiro americano, condenado, preso e depois perdoado por Trump em 2020!!
    Com os Haddads e Josés Guimarães da vida, quem precisa de direita nessa p….??!

  4. Atlas T

    4 de maio de 2026 4:42 pm

    O Brasil já perdeu a sua soberania desde que Bolsonaro investiu na digitalização do governo (com parcerias com empresas israelenses). Se antigamente os corruptos tradicionais dependiam de uma rede de colaboradores aliciados e subornados para fazer desaparecer provas e processos, agora se faz com um SMS para pessoas pagas pelo Governo Federal e que não correm risco de perder emprego ou serem presas por fazer parte do esquemão…

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