Uma troca de declarações entre representantes diplomáticos de Estados Unidos e China elevou o tom da disputa por influência na América Latina, com o embaixador norte-americano no Peru, Bernie Navarro, comparando a atuação chinesa à figura do “Lobo Mau”, personagem do conto Chapeuzinho Vermelho.
A declaração provocou resposta direta do embaixador chinês na Colômbia, Zhu Jingyang, que rebateu sugerindo que a metáfora se aplicaria aos próprios Estados Unidos, em referência ao uso de sanções e pressão diplomática por parte de Washington.
O episódio é mais um capítulo de uma crescente tensão entre as duas potências na região, marcada por disputas comerciais, investimentos em infraestrutura e acordos militares.
Segundo o site chinês Global Times, o embaixador norte-americano teria alertado o governo peruano sobre possíveis consequências caso o país não avance na compra de caças F-16, o que foi interpretado por representantes chineses como tentativa de coerção.
O tema da soberania nacional passou a ocupar o centro do debate. Enquanto Washington reforça sua presença estratégica por meio de acordos militares — incluindo a designação do Peru como aliado preferencial fora da OTAN —, Pequim aposta em investimentos econômicos e infraestrutura.
Infraestrutura e influência econômica
A presença chinesa na América Latina tem se expandido nos últimos anos, especialmente por meio de projetos logísticos e comerciais. Um dos principais exemplos é o porto de Chancay, construído com investimento chinês e localizado próximo à capital peruana, Lima.
O empreendimento vem sendo apontado como um novo hub logístico regional, com potencial para integrar cadeias comerciais em toda a América do Sul. Analistas avaliam que esse tipo de investimento tem ampliado o peso econômico da China na região.
Atualmente, a China é o principal parceiro comercial do Peru, consolidando uma relação que combina exportações de commodities com financiamento de infraestrutura.
A troca de acusações expõe mais do que um atrito diplomático pontual: revela a disputa entre dois modelos de inserção internacional.
De um lado, os Estados Unidos reforçam sua atuação com instrumentos políticos e militares; de outro, a China amplia sua presença por meio de comércio e investimentos.
Especialistas apontam que países latino-americanos têm buscado equilibrar essas relações, adotando estratégias pragmáticas voltadas a seus próprios interesses econômicos e geopolíticos.
Fábio de Oliveira Ribeiro
6 de maio de 2026 4:16 pmNem a China nem os EUA tem realmente legitimidade para decidir o que é melhor para cada país da América Latina. O melhor colonialismo é aquele que deixou de existir.