A relação comercial entre União Europeia e Estados Unidos voltou a entrar em zona de atrito — e o motivo é o descumprimento de um acordo firmado há menos de um ano.
Nesta terça-feira, o comissário europeu de Comércio, Maroš Šefčovič, cobrou publicamente que Washington retorne “rapidamente” aos termos pactuados com Bruxelas, que estabelecem um teto de 15% para tarifas sobre produtos europeus. O pedido foi feito após uma reunião com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em Paris.
O acordo, fechado em 2025 na Escócia, previa um limite claro: as tarifas americanas sobre bens da UE não poderiam ultrapassar 15% no total. Na prática, porém, esse teto já foi rompido.
Hoje, os EUA aplicam uma tarifa base de 10% sobre produtos europeus — que se soma a encargos anteriores. Em alguns casos, como exportações de queijo, a carga total chega a 30%, o dobro do limite acordado.
A situação se agravou após o presidente Donald Trump ameaçar elevar para 25% as tarifas sobre carros europeus, um dos setores mais sensíveis da relação comercial entre os dois blocos.
“Um acordo é um acordo”
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reagiu de forma direta à ameaça.
Segundo ela, os EUA estão vinculados ao acordo e não podem elevar tarifas unilateralmente. “Um acordo é um acordo”, afirmou, destacando que o pacto foi construído com base em previsibilidade e confiança.
Von der Leyen também indicou que o bloco está preparado para responder caso Washington avance com novas medidas, sinalizando a possibilidade de retaliação comercial.
Enquanto cobra cumprimento dos EUA, a União Europeia enfrenta suas próprias tensões internas.
O Parlamento Europeu discute a implementação do acordo, especialmente a parte que prevê zerar tarifas sobre produtos industriais americanos. Deputados europeus querem incluir salvaguardas que condicionem esses cortes ao cumprimento das obrigações pelos EUA.
Além disso, há pressão por uma “cláusula de validade” que encerraria automaticamente o acordo em 2028, caso não seja renovado.
Países como França apoiam essas restrições, enquanto Alemanha e outros membros defendem manter o texto original negociado com Washington.
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