4 de junho de 2026

Voz da América, por Felipe Bueno

Com frequência temos nos deparado com análises pretensas ou efetivamente neutras sobre o presidente dos Estados Unidos. Mas...
Reprodução

Tucker Carlson pede desculpas por apoiar Trump, que acusa de ser escravo de Netanyahu e priorizar Israel sobre EUA.
O movimento Maga enfrenta crise interna diante da guerra e discursos sem base do líder Donald Trump.
Trump usa iconografia cristã revisitada, gerando críticas internas e desconforto com o Vaticano.

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por Felipe Bueno

Insanidade; comportamento errático; mera estratégia comercial já prevista em livros publicados tempos atrás. Tudo isso que a cada segundo ouvimos, lemos e compartilhamos sobre Donald Trump pode estar errado. Pode?

Com frequência temos nos deparado com análises pretensas ou efetivamente neutras sobre o presidente dos Estados Unidos nas quais alguns pontos comuns são a falta de um plano para a guerra contra o Irã, especialmente de longo prazo, e a submissão cega a um compromisso com o atual governo de Israel. Até agora, uma reação corriqueira a essas avaliações tem sido a desconfiança:  “mas será mesmo que ele não tem um plano?” surge como uma pergunta natural; “ah, isso não é análise, é torcida” também tem passado com frequência pelas mentes de muitos e muitas e, afinal, quem nunca, não é mesmo?

Mas tudo muda de dimensão quando Tucker Carlson, um dos astros reacionários dos Estados Unidos, concede entrevista ao The New York Times e pede desculpas aos seus seguidores por ter apoiado Donald Trump, que ele agora classifica como escravo de Binyamin Netanyahu. O histriônico movimento Maga, até então aparentemente leal a Trump, se vê diante do desafio de continuar dando aval a uma guerra aparentemente distante do fim enquanto seu líder promove uma sucessão de pronunciamentos sem lastro. Carlson é um dos megafones desse impasse. Em declarações recentes, ponderou que Trump coloca os interesses de Israel à frente do America First. Estaria surgindo uma sub-direita isolacionista nos Estados Unidos? Quem seria seu farol?

Também contribuiu para fazer tremer o edifício conservador dos Estados Unidos a aposta de Donald Trump numa espécie de iconografia cristã revisitada. As críticas vieram de dentro e de fora, e renderam inclusive um mal-estar com o Vaticano. Dada a fluidez dos tempos atuais, é cedo para fazer previsões, mas não são necessárias lentes de aumento para perceber as rachaduras. Sobre os posts “religiosos”, aliás, mais de uma pessoa atenta se permitiu fazer uma comparação irônica com A Imitação de Cristo, de Tomás de Kempis, texto escrito no quattrocento, período em que a Igreja Católica era o grande império do mundo ocidental. Humildade, paciência e renúncia são, de fato, qualidades que Trump não tem. Ou, pelo menos, não mostrou até agora aos seus devotos seguidores.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

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