5 de junho de 2026

A explosão no Jaguaré e a tragédia anunciada, por Nestor Tupinambá

Dias antes do leilão que privou os paulistas de uma companhia essencial, a regra de distribuição de dividendos foi mudada: de 25% para 100%
Reprodução tela TV Globo

Sabesp mudou regra e passou a destinar 100% dos dividendos aos acionistas antes da privatização em SP.
Explosão no Jaguaré, causada por obra da Sabesp, deixou 1 morto, 2 feridos graves e 170 desalojados.
Privatização do saneamento levou a tarifas altas e serviços ruins, com casos de reestatização no mundo.

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no SEESP – Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo

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A explosão no Jaguaré e a tragédia anunciada

por Nestor Tupinambá

A Sabesp, antes de ser privatizada, distribuía 25% dos seus lucros aos acionistas. O restante era destinado à construção e manutenção de sistemas de águas e esgotos nas pequenas cidades do Estado sem recursos próprios para tais investimentos. Era o avanço civilizatório e do subsidio cruzado, que garantia bem-estar, saúde e empregos nessas localidades.

Dias antes do leilão que privou o povo paulista de uma companhia essencial, a regra foi mudada: 100% de dividendos para acionistas.

Essa sanha pela acumulação financeira de poucos parece ser a única motivação para a entrega ao mercado. Lucrativa e eficiente, a Sabesp estava prestes a atingir as metas de universalização previstas no marco regulatório do setor, o que faria dois anos antes do prazo estabelecido em lei.

O equívoco da privatização no setor de saneamento, essencial e vital, é comprovado pelo movimento de reestatização observado no mundo após a população ser submetida aos mesmos problemas: tarifas mais altas, serviço ruim. É o que se viu com a britânica Thames Waters; com a companhia que passou a operar a cidade portuguesa de Braga; e com a Lyonnaise des Eaux, francesa que havia abocanhado o saneamento de Buenos Aires, na Argentina.

Para além do rebaixamento da qualidade, a operação de tais serviços públicos segundo a lógica do mercado e do lucro acima de tudo, também pode produzir tragédias, a exemplo da explosão ocorrida no bairro paulistano do Jaguaré, nesta segunda-feira (11/5). Uma obra da Sabesp atingiu uma tubulação da Comgás, causando a morte de uma pessoa, deixando duas em estado grave e mais cerca de 170 desalojadas.

É mais que hora de repensar a lógica neoliberal de mercantilização da vida. 

Nestor Tupinambá é engenheiro civil (EESC/USP), mestre em Planejamento Urbano (FAU/USP) e consultor. Integra o Conselho Fiscal do SEESP para a Gestão 2026-2029.

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