9 de junho de 2026

Construtoras abandonam obras financiadas pela Caixa em esquema de fraude

Construtoras fraudaram laudos técnicos para sacar parcelas do financiamento enquanto obras ficavam paradas ou incompletas
Crédito: Freepik

Famílias em vários estados denunciam fraudes em financiamentos da Caixa para construção de casas, com obras paradas.
Construtoras apresentavam laudos falsos para liberar parcelas, gerando dívidas altas e imóveis inacabados, como no RS e PE.
Caixa afirma que cliente gerencia pagamentos; especialistas criticam falhas na fiscalização dos laudos técnicos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Economizar a vida inteira para construir a casa dos sonhos, e descobrir que o dinheiro sumiu e a obra mal saiu do papel. Esse é o pesadelo relatado por famílias em diferentes estados do Brasil, que denunciam um esquema de fraude envolvendo construtoras e financiamentos da Caixa Econômica Federal. O caso foi revelado pelo Fantástico.

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O modelo de financiamento da Caixa libera os recursos em parcelas progressivas, conforme o andamento da construção é atestado por laudos técnicos. Foi justamente nesse mecanismo que as fraudes se encaixaram: construtoras apresentavam relatórios adulterados ao banco, com percentuais de conclusão muito acima da realidade, para liberar valores que não correspondiam ao que havia sido de fato executado.

Os casos

No Rio Grande do Sul, Izael Mendes e Marcela Teles contrataram um financiamento entre R$ 400 mil e R$ 500 mil para construir a casa onde pretendiam criar a filha. Três anos depois, o terreno permanece abandonado. Os laudos entregues pela construtora Âmbar Prumo ao banco indicavam que mais de 80% da obra estava concluída.

Uma perícia revelou que menos da metade havia sido executada, e que as assinaturas de Marcela nos documentos eram falsas. Ao interromper o pagamento das parcelas após descobrir a fraude, o casal foi informado de que o imóvel pode ir a leilão para quitar a dívida. “Passei dois anos sem chegar perto daqui, que eu desmaiava”, relata Marcela.

No município de Alvorada, também no Rio Grande do Sul, Guilherme e Bruna Both financiaram R$ 290 mil pela construtora Vitro Viana, cujo responsável, Pedro André, também se apresentava como funcionário da Caixa. Mais de R$ 200 mil foram liberados pelo banco, mas a obra foi abandonada meses depois.

Itens como cobertura, instalações elétricas e hidráulicas constavam nos relatórios como quase prontos, na prática, sequer tinham sido iniciados. O homem foi demitido da Caixa por justa causa, mas ainda não há condenação criminal.

Guilherme acumulou uma dívida de mais de R$ 200 mil com o banco, além de R$ 62 mil pagos diretamente à construtora.

Já em Pernambuco, outro casal foi lesado pela construtora Multicons, denunciada por cobrar valores acima do que havia sido executado e embolsar a diferença. O dono da empresa foi condenado por estelionato. O prejuízo ultrapassou R$ 126 mil.

Fiscalização

De acordo com os contratos desse modelo, o cliente é o responsável por administrar os pagamentos da obra. A Caixa, por sua vez, afirma que, em caso de fraude, a responsabilidade recai sobre a relação entre cliente e construtora, e que apura eventuais irregularidades cometidas por funcionários.

Especialistas, no entanto, apontam que inconsistências nos laudos, como assinaturas falsas ou percentuais irreais de avanço da obra, poderiam ter sido detectadas antes da liberação das parcelas.

Apesar dos golpes, alguns casais não desistiram. Renata e Michel, que investiram mais de R$ 386 mil antes de perceber as irregularidades, conseguiram concluir a construção após novos empréstimos e apoio da família.

A construtora Âmbar Prumo afirma que todas as obras foram conduzidas dentro das normas da Caixa e que responderá às acusações na Justiça. Pedro André Marchesi Cecegolo recorre na Justiça do Trabalho contra a demissão e nega ter causado prejuízo financeiro ao banco. O dono da Multicons, condenado por estelionato, diz que os valores recebidos foram integralmente aplicados na obra e também recorre da decisão.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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