13 de junho de 2026

Especialistas em geopolítica debatem o Brasil na disputa entre China e EUA

O avanço da aliança sino-russa abre espaço para o país atrair investimentos estrangeiros e superar a desindustrialização
Imagem: Pixabay

O programa Observatório de Geopolítica do canal TV GGN, no Youtube, apresentou na noite de quarta (20) um debate sobre a posição estratégica do Brasil diante da intensificação das disputas entre Estados Unidos e China e da consolidada aliança entre Pequim e Moscou, na semana em que Vladimir Putin fez uma visita de Estado a Xi Jinping.

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Os especialistas discutiram como a transição hegemônica global oferece ao Brasil a chance de barganhar benefícios econômicos, desde que o país supere sua dependência de lideranças individuais e trace um projeto nacional claro. A análise destacou que, embora o Brasil possua estabilidade e riquezas naturais desejadas pelas grandes potências, ele enfrenta o desafio histórico de não desperdiçar novas janelas de reindustrialização.

O programa abordou ainda a fragilidade da integração regional na América Latina, hoje fragmentada entre governos de diferentes orientações ideológicas e níveis de mobilização social. Por fim, a pauta se estendeu à pragmática chinesa com a instabilidade política norte-americana, reforçando o papel fundamental dos BRICS para o futuro da diplomacia brasileira.

Participaram do programa:

  • Pedro Costa Júnior, doutor em Ciência Política pela USP. Autor do livro “O Poder Americano no Sistema Mundial Moderno: Colapso ou Mito do Colapso?”, Editora Appris, 2019. Analista de Relações Internacionais e Geopolítica do GGN.
  • Angelita Matos, bacharel em Ciências Sociais (IFCH-UNICAMP). Mestre em Ciência Política (IFCH-UNICAMP). Doutora em Economia (IE-UNICAMP). Professora Assistente no Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista (IGCE, UNESP). Pesquisadora no Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais (IPPRI-UNESP).
  • Nathan Caixeta, mestre em desenvolvimento econômico no IE/UNICAMP e pesquisador do núcleo de estudos de conjuntura da FACAMP (NEC-FACAMP).
  • André Lucena, apresentador do podcast “Intriga Internacional” e do programa “Casus Belli”, da Sputnik Brasil.

Aprofundando o debate

O cenário geopolítico atual é marcado por uma movimentação intensa das principais lideranças mundiais, incluindo encontros previstos entre Lula e Trump, e entre o ex-presidente americano e Xi Jinping. O líder chinês descreve a relação bilateral entre China e Estados Unidos como a mais importante do mundo na atualidade. Logo após a visita de Trump à China, Vladimir Putin também se reuniu com Xi Jinping para reforçar a parceria estratégica sino-russa, frequentemente chamada de amizade sem limites.

Nesse contexto de transição hegemônica, o Brasil é apontado como o país em melhores condições para aproveitar as oportunidades globais devido às suas vastas riquezas naturais, como terras raras e minerais críticos, que são de grande interesse tanto para a China quanto para os Estados Unidos. Além disso, o país possui uma estabilidade política relativa que, apesar de por vezes ser vista como monótona, favorece a atração de investimentos em comparação com vizinhos como Argentina e Bolívia, que enfrentam conjunturas de maior instabilidade.

Para que essas condições se traduzam em benefícios concretos, os especialistas enfatizam a necessidade de um guia de ação estratégica que não seja imposto de cima para baixo, mas construído por meio do diálogo entre o Estado, capitalistas e trabalhadores. Existe uma preocupação recorrente de que o Brasil perca mais uma oportunidade histórica, repetindo falhas de décadas passadas, como nos anos 90, quando a abertura comercial não foi acompanhada por uma tela de proteção ou metas de desenvolvimento claras, ao contrário do modelo adotado pela China.

A economia brasileira enfrenta o desafio da desindustrialização, com a participação da indústria de transformação no PIB caindo drasticamente de 28% em seu auge para cerca de 8% nos dias atuais. Por essa razão, o fortalecimento dos BRICS e o aprofundamento das alianças com o Sul Global são vistos como caminhos essenciais para que o país recupere seu protagonismo industrial e econômico.

A disputa entre Estados Unidos e China é diferenciada da antiga rivalidade com a União Soviética pelo alto grau de interdependência econômica, o que significa que a crise de uma potência afeta inevitavelmente a outra. Enquanto a China busca estabilidade para manter seu crescimento, as posturas dos Estados Unidos são descritas como mais imprevisíveis, especialmente sob a influência de políticas tarifárias agressivas.

No âmbito regional, os debatedores alertam para o surgimento de governos de extrema-direita na América Latina que, diferentemente do nacionalismo de Trump ou Putin, adotariam posturas entreguistas em relação aos recursos nacionais. A soberania nacional e o futuro do projeto de desenvolvimento brasileiro são vistos como dependentes dos resultados das eleições de 2026, que definirão a posição do país nesse mundo tripolar.

Finalmente, a aliança entre Rússia e China se consolida com o uso de rublos e yuans em quase 100% do seu comércio bilateral, sinalizando um movimento de desdolarização que também é debatido dentro dos BRICS. Xi Jinping tem utilizado a expressão lei da selva para criticar a atual desordem internacional, defendendo uma estabilidade que favoreça o crescimento contínuo, enquanto o Brasil tenta se equilibrar entre essas potências sem um alinhamento automático.

Nota da redação: O Jornal GGN utiliza Inteligência Artificial para transformar o conteúdo original produzido pela equipe do canal TV GGN em texto para o portal. O uso de ferramentas de I.A. não dispensa a edição por parte de um jornalista do GGN.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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