O avanço do novo surto de Ebola na África voltou a colocar sob pressão a política internacional de saúde do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que desmontou a agência USAID e retirou o país da OMS (Organização Mundial da Saúde).
O surto já soma quase 600 casos suspeitos e 139 mortes em países da África Central e Oriental, atingindo especialmente regiões da República Democrática do Congo, Uganda e o Sudão do Sul.
Segundo a agência norte-americana Axios, a controvérsia aumentou após o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmar que a OMS teria demorado para identificar o avanço do vírus – o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, defendeu a atuação da organização e afirmou que a crítica demonstra “falta de compreensão” sobre o funcionamento do sistema internacional de vigilância epidemiológica.
A OMS também criticou a decisão dos Estados Unidos de impor restrições de entrada a não cidadãos que tenham passado recentemente pelos países afetados, ressaltando que a adoção de medidas de saúde pública como rastreamento de contatos, monitoramento local e isolamento de casos são mais eficazes do que bloqueios migratórios.
Organizações humanitárias também criticaram a redução de investimentos americanos em programas de preparação epidemiológica na África. O Comitê Internacional de Resgate afirmou que cortes no financiamento deixaram a região “perigosamente exposta”, comprometendo sistemas locais de vigilância e tratamento.
Por outro lado, o governo Trump sustenta que os EUA mantêm uma estrutura robusta de monitoramento desde o grande surto de Ebola entre 2014 e 2016. A administração afirma estar financiando até 50 clínicas de atendimento na linha de frente e ampliando o envio de equipamentos de proteção, testes diagnósticos e profissionais especializados.
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