As iniciativas de países ocidentais para criar mecanismos próprios de precificação de terras raras e minerais críticos, em uma tentativa de reduzir a dependência da China no setor, não são o principal problema a ser enfrentado – e sim a falta de uma base industrial competitiva capaz de sustentar a cadeia de produção.
O posicionamento chinês ocorre após declarações do especialista Bernd Schaefer, ligado à agência europeia EIT Raw Materials, que defendeu a criação de um sistema europeu de preços para metais especiais e terras raras. A proposta, desenvolvida em parceria com a plataforma digital Metalshub, busca estimular investimentos em mineração, refino e reciclagem dentro da União Europeia.
Em editorial, o jornal chinês Global Times afirma que a ideia representa mais uma etapa das tentativas do G7 e da União Europeia de incentivar a produção ocidental de terras raras por meio de mecanismos financeiros.
Desde 2025, países do bloco discutem a adoção de pisos de preços e novas parcerias para construir cadeias alternativas de fornecimento. Contudo, a publicação afirma que os projetos ocidentais enfrentam um obstáculo estrutural: a baixa viabilidade econômica.
Segundo o jornal, o setor de terras raras exige investimentos elevados, longos ciclos de maturação e operações de alto risco, fatores que afastariam investidores privados interessados em retorno rápido e previsível.
O editorial argumenta ainda que o mercado global de terras raras é relativamente pequeno em comparação com os custos necessários para desenvolver uma cadeia produtiva independente da China. Mesmo com subsídios governamentais e incentivos públicos, o texto afirma que seria difícil sustentar financeiramente, no longo prazo, uma estrutura industrial alternativa competitiva.
O texto reforça que a liderança chinesa no setor não decorre apenas do controle de recursos naturais, mas pela consolidação de um ecossistema industrial completo ao longo de décadas: a China domina etapas como mineração, processamento, separação química e refino, além de contar com vantagens de escala e custos operacionais mais baixos.
Ao mesmo tempo, a publicação destaca que a criação artificial de pisos de preços poderia aumentar custos para fabricantes ocidentais de setores estratégicos, como indústria de defesa, transição energética e tecnologia avançada, o que reduziria a competitividade dessas empresas no mercado internacional.
Dados citados pelo editorial mostram que as exportações chinesas de terras raras somaram US$ 511 milhões em 2025, com crescimento de 4,6% em relação ao ano anterior.
Deixe um comentário