10 de junho de 2026

China critica plano europeu para terras raras e defende domínio industrial no setor

EUA e Europa tentam criar mecanismos artificiais de preços para reduzir dependência chinesa, mas esbarram na falta de competitividade industrial
Wikimedia Commons

Países ocidentais planejam mecanismos próprios para terras raras, mas falta base industrial competitiva para sustentar produção.
Especialista europeu propõe sistema de preços para metais e terras raras, visando estimular mineração e reciclagem na UE.
Editorial chinês destaca liderança da China e alerta que pisos de preços elevariam custos e reduziria competitividade ocidental.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

As iniciativas de países ocidentais para criar mecanismos próprios de precificação de terras raras e minerais críticos, em uma tentativa de reduzir a dependência da China no setor, não são o principal problema a ser enfrentado – e sim a falta de uma base industrial competitiva capaz de sustentar a cadeia de produção.

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O posicionamento chinês ocorre após declarações do especialista Bernd Schaefer, ligado à agência europeia EIT Raw Materials, que defendeu a criação de um sistema europeu de preços para metais especiais e terras raras. A proposta, desenvolvida em parceria com a plataforma digital Metalshub, busca estimular investimentos em mineração, refino e reciclagem dentro da União Europeia.

Em editorial, o jornal chinês Global Times afirma que a ideia representa mais uma etapa das tentativas do G7 e da União Europeia de incentivar a produção ocidental de terras raras por meio de mecanismos financeiros.

Desde 2025, países do bloco discutem a adoção de pisos de preços e novas parcerias para construir cadeias alternativas de fornecimento. Contudo, a publicação afirma que os projetos ocidentais enfrentam um obstáculo estrutural: a baixa viabilidade econômica.

Segundo o jornal, o setor de terras raras exige investimentos elevados, longos ciclos de maturação e operações de alto risco, fatores que afastariam investidores privados interessados em retorno rápido e previsível.

O editorial argumenta ainda que o mercado global de terras raras é relativamente pequeno em comparação com os custos necessários para desenvolver uma cadeia produtiva independente da China. Mesmo com subsídios governamentais e incentivos públicos, o texto afirma que seria difícil sustentar financeiramente, no longo prazo, uma estrutura industrial alternativa competitiva.

O texto reforça que a liderança chinesa no setor não decorre apenas do controle de recursos naturais, mas pela consolidação de um ecossistema industrial completo ao longo de décadas: a China domina etapas como mineração, processamento, separação química e refino, além de contar com vantagens de escala e custos operacionais mais baixos.

Ao mesmo tempo, a publicação destaca que a criação artificial de pisos de preços poderia aumentar custos para fabricantes ocidentais de setores estratégicos, como indústria de defesa, transição energética e tecnologia avançada, o que reduziria a competitividade dessas empresas no mercado internacional.

Dados citados pelo editorial mostram que as exportações chinesas de terras raras somaram US$ 511 milhões em 2025, com crescimento de 4,6% em relação ao ano anterior.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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