Uma série de vídeos divulgados pelo jornal The New York Times revelam o uso de munições de fósforo branco pelo Exército de Israel contra a população do Líbano, em operações militares na região do sul do país contra o grupo Hezbollah.
Segundo reportagem da publicação norte-americana, gravações mostram projéteis de artilharia liberando fragmentos incendiários no ar sobre cidades e vilarejos libaneses, incluindo Nabatieh, Tyre, Khiam, Qlayaa e Yohmor.
As imagens seriam compatíveis com o uso de projéteis americanos M825A1, que contêm fósforo branco, o que reacendeu o debate entre defensores dos direitos humanos sobre o risco de uso de tal substância contra civis.
Por outro lado, o governo israelense afirma que utiliza esse tipo de munição apenas para criar cortinas de fumaça destinadas a proteger tropas em combate e sustenta que suas operações respeitam o direito internacional.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) negam utilizar o material de forma ilegal contra civis, e sustentam que o uso aconteceu dentro dos limites permitidos pelo direito internacional e com objetivos militares legítimos, principalmente a criação de cortinas de fumaça para proteção das tropas.
Israel não é o único país acusado ou reconhecido por utilizar fósforo branco em operações militares: Estados Unidos, Rússia, Ucrânia, países da OTAN e outros exércitos ocidentais mantém estoques de munição com fósforo branco para sinalização e criação de fumaça.
O que é o fósforo branco
O fósforo branco é uma substância química altamente inflamável que entra em combustão espontaneamente ao entrar em contato com o oxigênio presente no ar.
Por causa dessa característica, ele é utilizado por forças militares principalmente para criar cortinas de fumaça para ocultar a movimentação de tropas; marcar alvos ou posições; e produzir efeitos capazes de causar incêndios em florestas, estruturas e equipamentos.
Quando disparado por projéteis de artilharia, o fósforo branco pode ser dispersado sobre grandes áreas. Os fragmentos continuam queimando até que a substância seja totalmente consumida ou privada de oxigênio.
O fósforo branco não é uma arma proibida pelo direito internacional, mas convenções internacionais proíbem ataques deliberados contra civis e restringem o uso de armamento incendiário em áreas densamente povoadas.
Relatórios da organização Human Rights Watch e da Amnesty International já haviam documentado episódios semelhantes envolvendo o uso de fósforo branco por Israel em Gaza e no Líbano em conflitos anteriores.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o fósforo branco pode causar queimaduras químicas profundas; destruição de tecidos musculares; lesões que podem atingir os ossos; danos severos aos olhos; Insuficiência respiratória; e risco de falência múltipla dos órgãos em casos graves, entre outros efeitos.
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