12 de junho de 2026

Até conservadores desconfiam de Flávio Bolsonaro em meio a novas taxações de Trump, mostra levantamento do MDP

Monitor de Debate Público mostra que, fora do núcleo bolsonarista convicto, atuação do senador gera suspeita de interferência política contra os interesses do Brasil
Agência Senado

O papel do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diante das recentes barreiras comerciais impostas pelo governo de Donald Trump ao Brasil acendeu um sinal de alerta que vai muito além dos grupos progressistas e alcança setores conservadores. Fora do núcleo de bolsonaristas convictos, a proximidade do parlamentar com o presidente norte-americano é vista com desconfiança por eleitores de direita e moderados no WhatsApp, gerando suspeitas de que a oposição atue nos bastidores para minar a economia nacional.

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Os dados constam no Relatório 135 do Monitor de Debate Público, produzido pelo Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (LEMEP) com apoio do INCT ReDem. O estudo acompanhou a temperatura das discussões em grupos focais contínuos entre os dias 1º e 7 de junho de 2026.

A dinâmica de desconfiança no ecossistema do WhatsApp

Para medir o impacto real do episódio na opinião pública, o relatório testou os grupos a partir de provocações diretas sobre o cenário. Diante da indagação se a proximidade de Flávio com o governo americano prejudicaria o país, a reação uniu diferentes espectros em uma mesma direção de desconfiança.

Nos grupos de Lulistas, Lulodescontentes e Indecisos Progressistas, a resposta foi precisa ao apontar uma responsabilidade política clara do senador, acusando-o de usar sua interlocução na Casa Branca para criar um ambiente de desgaste econômico artificial contra o governo brasileiro.

O dado mais sensível para o bolsonarismo, no entanto, surgiu no grupo de “indecisos conservadores”. Quando questionados sobre o tema, esses eleitores demonstraram suspeita sobre a influência política de Flávio e rejeitaram amplamente as tarifas. Para esse segmento, o temor prático com os impactos da medida no bolso — incluindo o receio de retaliações que pudessem afetar ferramentas cotidianas que ameaçam o monopólio financeiro tradicional, como o PIX — superou qualquer alinhamento ideológico.

Um professor do Rio de Janeiro, de 29 anos, integrante do grupo de Indecisos Conservadores (IC), resumiu o sentimento de desconfiança e o receio econômico:

“Não posso afirmar nada, todavia a ação do presidente de taxar as importações brasileiras após a visita do Bolsonaro me leva a acreditar que ele teve alguma coisa a ver. Mas não tenho como comprovar não tenho uma opinião formada sobre. Todavia não me surpreenderia a ligação direta dele na decisão do Trump. Engraçado que para os interesses americanos o presidente não taxou nada, né, apenas o que o convém. E o Pix, o que falar dessa ferramenta que burla o monopólio americano (Visa e Mastercard) do mercado brasileiro. E tem gente que defende ele….”

Bolsonaristas convictos e a negação dos fatos

Apesar das tarifas impostas, há uma parcela do eleitorado que escolhe deliberadamente não enxergar a ingerência de Trump sobre o Brasil. Entre os bolsonaristas convictos e parte dos moderados, a discussão foi marcada por uma forte resistência à narrativa de que Flávio Bolsonaro teria sido responsável pela adoção das taxas.

A saída argumentativa da militância foi recorrer a uma justificativa geopolítica distorcida: para eles, as taxas refletem decisões estritas e de legítimo interesse econômico dos Estados Unidos, motivadas por uma suposta “postura ideológica” do atual governo brasileiro. O nível de negação da realidade e a ginástica mental para justificar o prejuízo ao próprio país ficam evidentes no relato de um cirurgião dentista de São Paulo, de 62 anos, integrante do grupo de Bolsonaristas Convictos (BC):

“Eu não acredito que Flávio Bolsonaro tenha a ver com essas medidas, mas sim a posição do governo brasileiro, que insiste em patrocinar e colaborar com governos de esquerda. Além disso, o presidente Lula tenta de todas as formas transformar o Brasil numa ditadura destruindo a indústria, o Agro, o País. Eu concordo com o que Trump tem feito com relação ao Brasil, mesmo sabendo que infelizmente essa tarifa vai ser muito ruim para a exportação brasileira, mas pensando num futuro não muito distante, teremos condições de voltar a criar condições para os setores que forem atingidos pelas novas tarifas voltem a crescer sem as algemas da esquerda.”

Outros temas do relatório

Além do impacto geopolítico das tarifas norte-americanas, o Relatório 135 do Monitor de Debate Público também mapeou a percepção dos grupos focais sobre outros dois temas centrais daquela semana: a rejeição transversal à PEC 12/2026 (jornada flexível) e a derrubada do aborto legal pelo Senado. O levantamento completo está disponível aqui.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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