Mauro Figueiredo Rocha Dias da Costa, 69 anos, foi espancado na noite de quinta-feira (11) na porta do prédio onde mora, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Em vídeo enviado ao UOL neste sábado, ele afirmou que os agressores tinham intenção de matá-lo e que a motivação foi política.
“Foi uma agressão cruel, de uma brutalidade sem tamanho. Foi uma tentativa de homicídio. Eles iam me matar. Só pararam porque chegou um homem forte e falou: ‘para, vocês vão matar o velho’. E depois saíram rindo”, relatou. A Polícia Civil investiga o caso como lesão corporal.
Segundo Mauro, ao chegar em casa foi encurralado por três pessoas, um homem de terno e duas mulheres, todos aparentando cerca de 30 anos e compleição física de lutadores. Uma das mulheres o imobilizou pelo pescoço enquanto o homem o socava. As agressões duraram aproximadamente cinco minutos.
Durante o ataque, o trio gritava frases como “é, Bolsonaro!”, “vai morrer, seu petista safado”, “a gente vai te matar agora” e “você já prejudicou muita gente”. Um terço foi arrancado do seu pescoço antes das agressões físicas.
“Premeditaram tudo isso. Sofri uma emboscada, eles estavam de tocaia, esperando eu chegar em casa. Sabiam onde eu morava”, disse. Mauro atribui o ataque ao fato de estar carregando uma mochila com adesivo da deputada federal Benedita da Silva (PT).
“Fui jogado contra o portão. Estou com muita dor nas costas. As marcas estão no meu rosto. Minha boca está toda machucada”, descreveu. O idoso afirmou que só parou de ser agredido quando um transeunte interveio.
Porteiro omisso e três idas ao IML
Mauro relatou que o porteiro do edifício assistiu às agressões sem reagir, não abriu o portão nem gritou por socorro. O prédio tem câmeras de segurança, e as imagens foram solicitadas pelos policiais que investigam o caso, mas a vítima não teve acesso a elas.
Depois da delegacia, o calvário continuou. Na primeira visita ao IML, o atendimento foi simplesmente negado. Na segunda, a justificativa foi a não aceitação de cópia autenticada da identidade. Só na terceira tentativa, após intervenção da Corregedoria da Polícia Civil, Mauro foi atendido.
“Na Corregedoria, o policial ficou horrorizado. Falou: ‘não é possível, você podia ter perdido a identidade durante a agressão’. Aí ele fez o encaminhamento. Pela terceira vez voltei ao IML e, finalmente, fui atendido”, contou.
O caso foi registrado inicialmente na 14ª Delegacia de Polícia, no Leblon, e depois transferido para a 12ª DP, em Copacabana. A Polícia Militar informou que não foi acionada. As investigações seguem em andamento.
*Com informações do UOL.
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