18 de junho de 2026

Estado regula o crime e lucra com a violência, afirma Jacqueline Muniz ao GGN

Especialista desconstrói o mito do "Estado paralelo" e revela como a economia política do crime se infiltra nas instituições

Jacqueline Muniz afirma que o Estado atua como regulador do crime organizado, não sendo invadido por ele.

A economia do crime opera em rede descentralizada, com lavagem de dinheiro beneficiando instituições financeiras.

Operações violentas no RJ servem para silenciar delatores e reorganizar propinas, regulando o mercado ilegal.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Em entrevista ao canal TV GGN no Youtube, na noite de quarta (17), a socióloga e especialista em segurança pública Jacqueline Muniz desmistificou a ideia de que exista um “Estado paralelo” ou ausente no Brasil. Segundo ela, o crime organizado não invade o Estado, mas é o próprio Estado que atua como uma agência reguladora das atividades ilícitas. A pesquisadora explicou que a circulação de mercadorias ilegais pelo país exige a conivência e a facilitação de agentes públicos, demonstrando que as fronteiras entre o legal e o ilegal são extremamente frágeis e maleáveis.

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A especialista detalhou, na entrevista ao jornalista Luís Nassif, que a economia política do crime funciona por meio de uma governança em rede, caracterizada pelo desconhecimento recíproco entre os seus diferentes setores. Essa estrutura descentralizada e fragmentada garante que, caso um elo da corrente seja derrubado pela polícia, o sistema macroeconômico continue funcionando sem interrupções. Dessa forma, os recursos obtidos de maneira ilícita são facilmente lavados e reinseridos na economia formal, beneficiando inclusive grandes instituições financeiras e o mercado rentista.

Ao analisar as violentas operações policiais, como as ocorridas no Rio de Janeiro, Muniz argumentou que as matanças de criminosos de baixo escalão servem como cortina de fumaça. Para ela, a eliminação dessa mão de obra barata e facilmente substituível interessa à banda podre do Estado e ao próprio crime, pois silencia possíveis delatores e reorganiza os acordos de propina. Essas ações violentas acabam funcionando como uma regulação de mercado que eleva o preço dos pedágios cobrados para que o comércio ilegal continue operando.

A socióloga também apontou que as facções criminosas, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, não possuem um comando único, centralizado e verticalizado como nas máfias tradicionais. A sobrevivência e a expansão desses grupos dependem diretamente da diversificação de seus negócios e, fundamentalmente, da aquisição de mercadorias políticas para garantir blindagem e impunidade. Nesse cenário complexo, as polícias muitas vezes detêm mais informações sobre o funcionamento integrado dessas redes do que os próprios criminosos.

Por fim, a pesquisadora alertou para o fato de que o crime em rede necessita do controle territorial não apenas para o comércio de drogas, mas para consolidar currais eleitorais e extrair taxas informais. Ela enfatizou que a violência e o uso de armas são ferramentas de gestão econômica que geram lucros políticos e financeiros significativos para diversos atores do sistema.

A entrevista foi transmitida ao vivo no Youtube na noite de quarta (18), no programa TV GGN 20 Horas, apresentado pelo jornalista Luís Nassif de segunda a sexta-feira, sempre às 20 horas, no canal TV GGN. Assista abaixo:

Nota da redação: O Jornal GGN utiliza ferramentas de Inteligência Artificial para transformar o conteúdo original produzido pela equipe de jornalistas e analistas do canal TV GGN em reportagem para este portal. Os textos são revisados por um editor antes de sua publicação, para garantir a veracidade e correção das informações.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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