As medidas adotadas pelo governo federal e a estratégia da Petrobras de ampliar a produção de derivados e evitar repasses imediatos da volatilidade internacional ajudaram a reduzir os impactos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã sobre os preços dos combustíveis no Brasil.
Embora o conflito tenha provocado uma forte alta nas cotações internacionais do petróleo, os reajustes observados no mercado brasileiro permaneceram significativamente abaixo dos registrados em outros países e da média global, segundo boletim divulgado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep).
O cenário internacional foi marcado por forte instabilidade desde o início da guerra. Após uma disparada inicial, o preço do barril de petróleo Brent atingiu seu pico em abril e recuou em maio. Ainda assim, a cotação média permaneceu acima de US$ 100 por barril pelo terceiro mês consecutivo, refletindo os efeitos prolongados do conflito e das restrições ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
Mesmo diante desse contexto, os combustíveis no Brasil sofreram aumentos mais moderados. Entre 23 de fevereiro e 8 de junho, a gasolina acumulou alta de 4,9%, enquanto o diesel avançou 13,6%. No mesmo período, os preços da gasolina subiram 36,1% nos Estados Unidos e 21,1% na Argentina. Já o diesel registrou altas de 36,8% e 23,7%, respectivamente. Globalmente, os aumentos médios chegaram a 17,5% para a gasolina e 23,3% para o diesel.
De acordo com o Ineep, esse desempenho está relacionado à combinação entre a política de preços da Petrobras e medidas de caráter fiscal adotadas pelo governo federal, especialmente no caso do diesel. O instituto destaca que essas ações funcionaram como uma barreira contra a transmissão imediata dos choques internacionais para o consumidor brasileiro.
Os reflexos já puderam ser observados nos preços médios de maio. A gasolina caiu de R$ 6,74 para R$ 6,64 por litro, enquanto o diesel S10 recuou 3,6%, passando de R$ 7,45 para R$ 7,18. O etanol hidratado apresentou queda ainda mais expressiva, de 7,3%, reduzindo seu preço médio de R$ 4,66 para R$ 4,32 por litro. O movimento foi impulsionado pelo início da safra 2026/2027 e pelo aumento da oferta do produto.
Já o gás liquefeito de petróleo (GLP), utilizado principalmente em botijões domésticos, manteve relativa estabilidade. O preço médio nacional passou de R$ 113,69 para R$ 114,71, variação de 0,9%, considerada pouco significativa diante das oscilações registradas em outros combustíveis.
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