19 de junho de 2026

Ópera “Anastácia” ganha versão em fotonovela

Inspirada em obras de Dostoiévski, montagem une música, fotografia e narrativa gráfica impressa com acesso digital à trilha sonora.
Anastácia - Divulgação

A ópera “Anastácia”, de Armando Lobo, estreia em formato de foto-ópera em revista impressa no Recife.
A trama se passa em prisão feminina e aborda culpa, exclusão social e sofrimento, inspirada em Dostoiévski.
Musicalmente, mistura ópera contemporânea, rock e música nordestina, com instrumentos como berimbau e guitarra.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A ópera brasileira “Anastácia”, criada pelo compositor e multiartista pernambucano Armando Lobo, está sendo lançada em um formato inédito no universo da música contemporânea de câmara. Após estrear em janeiro deste ano no Teatro Santa Isabel, em Recife, a obra ganha agora uma versão em foto-ópera, apresentada em uma revista impressa inspirada nas tradicionais fotonovelas que fizeram sucesso no Brasil nas décadas de 1970 e 1980.

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A publicação reproduz a narrativa da ópera por meio de fotografias e balões de diálogo, seguindo a estética melodramática das antigas revistas populares. As imagens foram produzidas em um antigo presídio localizado no centro do Recife, atualmente sede da Casa da Cultura. A experiência é complementada por um QR Code impresso na revista, que permite ao leitor acessar gratuitamente a trilha sonora da obra pelo celular.

Com 32 páginas, a revista também incorpora elementos de histórias em quadrinhos e seções típicas de publicações de entretenimento, como entrevistas, horóscopo e receitas culinárias. Além de funcionar como uma obra independente, o material serve como libreto impresso para as apresentações do espetáculo.

Drama ambientado em prisão feminina

Inspirada principalmente em trechos de obras de Fiódor Dostoiévski, como Recordação da Casa dos Mortos, Os Demônios e Crime e Castigo, a ópera narra a história de Anastácia, uma detenta que assassina outra presidiária após não receber de volta uma Bíblia emprestada.

Toda a trama se desenrola em uma colônia penal feminina e propõe reflexões sobre culpa, exclusão social, confinamento, sofrimento e expiação. Para compor o universo dramático da obra, a equipe realizou entrevistas com ex-detentas, cujos relatos serviram de base para a construção de personagens e situações que misturam realidade social e imaginação poética.

O espetáculo também incorpora elementos da cultura popular nordestina e situações de caráter fantástico. Entre os momentos mais marcantes está uma ciranda cantada e dançada ao redor de um cadáver, além da abordagem de temas como perversão sexual, canibalismo e autoimolação.

Mistura de ópera, rock e música brasileira

No aspecto musical, “Anastácia” combina recursos da ópera contemporânea, do rock e do teatro experimental. A montagem substitui os tradicionais recitativos operísticos por diálogos falados, buscando facilitar a compreensão da narrativa pelo público.

A composição utiliza como base a escala do blues e modos característicos da música nordestina, que recebem tratamento orquestral inspirado na música de concerto contemporânea. A sonoridade inclui ainda programações eletrônicas construídas a partir de timbres de berimbau e vozes processadas digitalmente.

A instrumentação reúne trompete, trompa, trombone, violoncelo, guitarra elétrica, bateria e berimbau, criando uma atmosfera sonora intensa que dialoga com o universo prisional retratado na trama.

“Anastácia” é uma realização da mesma equipe criativa responsável pela “Ópera do Claustro”, produção que teve temporada de destaque no Recife em 2025, com sessões lotadas e ampla repercussão entre público e crítica.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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