A disputa eleitoral brasileira entrou no radar do presidente norte-americano Donald Trump. Não como aliado soberano, mas como o “próximo desafio” em sua agenda de expansão de influência na América Latina.
O primeiro sinal nesse sentido foi dado pela divulgação feita por Trump em sua rede social Truth Social para um artigo publicado pelo Newsmax, veículo que transita entre o conservadorismo radical e o puro “sabujismo” — uma postura de subserviência abjeta aos interesses trumpistas que faz a Fox News parecer moderada.
Assinado pelo colunista político John Gizzi, o texto não apenas compara Trump a Simón Bolívar como desenha o que chama de “Shield of the Americas” (Escudo das Américas), uma rede de segurança e ideologia que serviria como barreira contra o que classificam como “fracasso” da esquerda na região, a partir das sucessivas vitórias consumadas e estimadas para a extrema-direita apoiada pelos Estados Unidos:
- El Salvador (2019): Nayib Bukele.
- Argentina (2023): Javier Milei.
- Equador (2023): Daniel Noboa.
- Bolívia (2025): Rodrigo Paz.
- Chile (2025): José Antonio Kast.
- Honduras (2025): Nasry “Tito” Asfura
- Peru (2026): Keiko Fujimori (Projeção).
- Colômbia (2026): Abelardo de la Espriella (Projeção).
Ao tentar criar uma percepção de inevitabilidade histórica, o aparato trumpista pinta o Brasil como o “último chefão” a ser derrubado nessa “limpeza” regional, ignorando as particularidades democráticas de cada nação em favor de um bloco monolítico subserviente à Casa Branca (ou a Mar-a-Lago).
Brasil: O Alvo Peso-Pesado e o Questionamento das Urnas
Por ser a maior economia e a liderança política natural da região, o Brasil é o alvo central. A tática é conhecida e vem sendo importada diretamente do manual de desestabilização norte-americano: plantar a dúvida sobre a “integridade eleitoral” anos antes do pleito.
Trump e seus porta-vozes no Newsmax já questionam se a disputa de 2026 será “livre e justa”, uma narrativa que encontra eco imediato no clã Bolsonaro.
Eduardo e Flávio Bolsonaro não atuam como parlamentares brasileiros, mas como corretores de interesses estrangeiros, pavimentando o caminho para que o sistema eleitoral brasileiro — internacionalmente reconhecido por sua eficiência — seja atacado externamente para justificar sanções ou contestações futuras.
“Desde que Flávio Bolsonaro e Eduardo começaram a fazer esses acenos para os interesses econômicos dos Estados Unidos, Donald Trump virou uma chave. Ele que disse que tinha tido uma química com o Lula, que o Lula era um cara muito inteligente, que era astuto, que era um sobrevivente, passou a hostilizar o Brasil e o presidente brasileiro”, explica a jornalista Daniela Lima, em vídeo publicado no canal TMC News.
Vale lembrar que esta é a primeira vez na história recente que uma força política doméstica trabalha ativamente para sabotar a economia nacional em troca de apoio estrangeiro para retomar o poder.
Operação “Brother Sam” 2.0: O Alerta que Vem de Dentro
Na abertura do vídeo do canal TMC News, faz-se referência até a uma nova Operação Brother Sam – codinome de uma força-tarefa militar secreta montada pelo governo dos Estados Unidos em 1964 para apoiar o golpe de Estado que depôs o presidente João Goulart.
A analogia com 1964 não é exagero de retórica: é uma leitura de risco feita por quem está no centro do poder, como explica a jornalista Dani Lima ao conversar com um alto negociador internacional do governo Lula um alerta seco: “Ele [Trump] vai tentar interferir no processo eleitoral aqui e isso é só o começo”.
Para contextualizar a questão, Daniela Lima lembra a viagem de Trump à reunião do G7. Na ocasião, o norte-americano prendeu “Bolsonaro Junior” (…) E usou isso, uma fake news, para atacar o sistema político brasileiro, dizendo que o Brasil estava se tornando um país instável politicamente por ter prendido Bolsonaro Júnior, que não existe e nunca foi preso”.
Antes disso, Trump chegou a ameaçar o Brasil com a cobrança de novas taxas de 25% sobre produtos brasileiros, em anúncio que foi feito logo após uma visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca.
“No meio desse caminho, ainda teve aí uma espécie – neste caso não foi nem flerte, mas foi um ataque brutal, um ataque central à eleição no Brasil, (com Trump) dizendo que existem problemas no nosso sistema eleitoral, que seria vulnerável. Com base no que, ele não disse. Na esteira dessa afirmação, ele ainda disse que as eleições nos Estados Unidos são fraudadas (…) Dito isso, o Brasil entendeu a última manifestação de Trump, que foi a republicação desse texto do site (…) como uma declaração de que sim, haverá tentativa de interferência no pleito”.
Veja abaixo o comentário de Dani Lima no canal TMC News sobre o tema.
Enquanto o governo brasileiro tenta manter uma diplomacia de Estado com Estado, a oposição bolsonarista faz “jogo para a plateia” em Washington, implorando por sanções contra o próprio país em audiências públicas.
E o foco total de Donald Trump no Brasil para 2026 sinaliza que as instituições brasileiras, o TSE e a sociedade civil serão testados ao limite por campanhas de desinformação e pressões econômicas externas.
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