30 de junho de 2026

“Vamos ver o poder do algoritmo na escolha do voto”, aponta analista sobre interferência externa nas eleições 2026

Apoio das Big Techs a Trump antecipa o uso estratégico de manipulação digital que também ameaça o cenário eleitoral brasileiro

O poder de influência das gigantes de tecnologia (Big Techs) passará por um teste decisivo nas próximas eleições dos Estados Unidos e do Brasil. A avaliação é do cientista político e analista de relações internacionais Pedro Costa Junior, que aponta que a capacidade de manipulação algorítmica dessas empresas será colocada à prova para medir até que ponto ela consegue reverter um cenário político que, no momento, desenha-se desfavorável aos republicanos em solo americano. O fenômeno, segundo ele, também deverá se repetir, de forma decisiva, no cenário eleitoral brasileiro.

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De acordo com a análise de Costa Junior, o panorama atual das pesquisas nos Estados Unidos aponta para uma vitória facilitada dos democratas na Câmara baixa (Câmara dos Deputados) e uma disputa mais acirrada, mas também com vitória democrata, no Senado. Esse cenário é moldado pela baixa popularidade do presidente Donald Trump — que está em 35%, seu nível mais baixo desde que assumiu o primeiro mandato em 2016 — e por uma inflação considerada intolerável para os padrões americanos.

No entanto, o analista alerta que as Big Techs devem trabalhar fortemente nos próximos meses a favor de Trump. Ele relembra que figuras como Elon Musk estão presentes no governo do presidente e que os donos dessas grandes empresas de tecnologia possuem acesso aberto à Casa Branca, tendo inclusive sido levados por Trump à China para negociar diretamente com Xi Jinping. “Eles são articulados com o trumpismo. E eles vão começar a trabalhar agora, nesses próximos meses, como nunca fizeram. Então, nós vamos ver o poder de definição do algoritmo na escolha do voto”, disse Costa Junior.

Para o especialista em EUA, a articulação dessas corporações com o trumpismo resultará em um uso sem precedentes dos algoritmos para influenciar o eleitorado, testando os limites da manipulação digital contra um quadro político que hoje parece consolidado. A experiência, como a história já mostrou em outros episódios pelo mundo, não deverá se limitar aos EUA, chegando ao Brasil para as eleições presidenciais de 2026.

Além da interferência tecnológica, Pedro Costa Junior destaca outra manobra crucial promovida por Donald Trump para tentar reverter o favoritismo democrata: a reconfiguração do mapa eleitoral dos Estados Unidos.

O analista explica que o ex-presidente vem realizando uma série de modificações geográficas para favorecer os republicanos nas eleições de meio mandato. Trata-se de uma espécie de redistribuição — semelhante à que é feita a cada cinco anos pelo órgão de estatística local —, mas que está sendo antecipada de forma irregular. Essa reconfiguração desloca mapas eleitorais que originalmente votariam nos democratas, transferindo a vantagem para os republicanos. Costa Junior pontua que os democratas tentaram realizar manobras semelhantes, como na Virgínia, mas foram barrados pela Suprema Corte, que permitiu a continuidade das alterações apenas para o lado republicano.

Por fim, o cientista político traça um paralelo entre a capacidade de resistência das sociedades civis americana e brasileira. Ele provoca ao dizer que os Estados Unidos deveriam aprender com a América Latina e o Brasil a resistir à ascensão da extrema-direita e de governos de caráter fascista. Segundo ele, enquanto a sociedade civil americana funciona bem em períodos de normalidade, ela demonstra pouca capacidade de articulação e resistência em momentos de crise — o que permitiu o retorno político de Trump mesmo diante de todas as acusações contra ele —, ao passo que o Brasil conseguiu frear esse avanço em suas instituições.

Assista à análise abaixo, transmitida durante o programa TV GGN 20 Horas na noite de segunda (29), com apresentação de Luís Nassif e participação da advogada Luciana Bauer:

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