30 de junho de 2026

Pesquisa aponta novo método mais barato e rápido de produzir hidrogênio verde

Estudo do CINE mostra que aquecer ânodos por micro-ondas ou laser acelera fabricação, reduz custos e melhora desempenho na produção do combustível
usina de hidrogênio verde na europa
Usina de hidrogênio verde na Europa. Crédito: Divulgação

Pesquisadores do CINE desenvolveram ânodos de titânio com óxidos para eletrolisadores de hidrogênio mais eficientes.
Métodos de micro-ondas e laser aceleram a produção dos ânodos, reduzindo custos e aumentando o desempenho na liberação de oxigênio.
Testes em eletrolisadores PEM e água do mar mostraram resistência e eficiência dos ânodos para produção sustentável de hidrogênio.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Pesquisadores do Centro de Inovação em Novas Energias (CINE) desenvolveram uma forma mais ágil e econômica de produzir um componente essencial para a geração de hidrogênio: o ânodo, peça instalada dentro dos eletrolisadores, equipamentos responsáveis por separar as moléculas da água em hidrogênio e oxigênio. É no ânodo que ocorre a liberação do oxigênio, etapa que consome bastante energia, mas que também gera os elétrons e prótons necessários para a formação do hidrogênio no lado oposto do equipamento, o cátodo.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Para reduzir esse gasto energético, os pesquisadores costumam revestir o ânodo com catalisadores, substâncias que facilitam a reação química. Quanto mais eficiente o catalisador, menor o consumo de energia da máquina, o que barateia e torna mais sustentável a produção de hidrogênio.

Nesse novo estudo, a equipe criou um ânodo de titânio coberto por uma camada fina de óxidos de rutênio e manganês, combinação que oferece boa atividade catalítica aliada a resistência. Para definir a composição ideal, os cientistas testaram diferentes proporções desses óxidos e compararam três formas de tratamento térmico: forno tradicional, micro-ondas e laser, avaliando como cada técnica influenciava o desempenho final do material.

A pesquisa, publicada em março na revista Electrochimica Acta, mostrou que os métodos de micro-ondas e laser aceleram bastante o processo de fabricação, o que diminui o consumo de energia e os custos. Além disso, esses dois métodos produziram ânodos com desempenho superior na etapa de liberação de oxigênio em comparação ao forno convencional.

Segundo Elton Sitta, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e líder da pesquisa, a principal descoberta do trabalho foi mostrar que a técnica de aquecimento usada na fabricação tem um impacto significativo sobre a estrutura, a morfologia e a capacidade catalítica dos ânodos.

Testes

Os pesquisadores avaliaram o material em dois cenários que exigem catalisadores resistentes e eficientes. Primeiro, simularam as condições de eletrolisadores PEM (Proton Exchange Membrane), uma das tecnologias mais promissoras para gerar hidrogênio com baixa emissão de carbono. Depois, testaram o desempenho em água do mar, uma alternativa interessante por preservar a água potável e explorar um recurso amplamente disponível.

Sitta destaca que os ânodos produzidos por micro-ondas e laser mostraram propriedades especialmente vantajosas para uso futuro em eletrolisadores que funcionam em ambientes ácidos e com água salgada.

O projeto contou com a colaboração da UFSCar e da Universidade Tiradentes (Unit), em Sergipe, reunindo competências distintas que possibilitaram um estudo completo, da fabricação dos materiais até a análise detalhada de suas propriedades em condições próximas às reais. Isabelle M.D. Gonzaga, pesquisadora de pós-doutorado do CINE e primeira autora do artigo, ressalta que esse tipo de parceria fortalece a ciência brasileira e impulsiona tecnologias mais eficientes para o hidrogênio verde.

Para Sitta, as técnicas alternativas têm potencial para tornar a produção de ânodos mais rápida e competitiva financeiramente. Ele avalia que o aquecimento por micro-ondas seria mais fácil de adaptar para escala industrial, enquanto o uso do laser poderia se destacar em processos automatizados e contínuos de fabricação de eletrodos.

O estudo integra o programa Hidrogênio de Baixo Carbono do CINE, centro de pesquisa criado pela FAPESP em parceria com a Shell em 2018, com sede na Unicamp, USP e UFSCar, e participação de outras oito instituições brasileiras. A pesquisa também recebeu apoio da FAPESP por meio de dois outros projetos.

*Com informações da Agência Fapesp.

LEIA TAMBÉM:

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados