4 de julho de 2026

Estudo propõe estratégia para transformar Brasil em potência na cadeia global de terras raras

Publicação do CGEE defende investimentos em refino e criação de cadeia produtiva para aproveitar segunda maior reserva de terras raras do mundo; leia estudo
Reprodução

O Brasil reúne cerca de um quarto das reservas mundiais de terras raras, mas ainda participa de forma incipiente da produção global desses minerais estratégicos. Um estudo lançado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) propõe uma política nacional para transformar essa vantagem geológica em capacidade industrial e tecnológica.

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A publicação Terras Raras no Brasil – Estado da arte, cenários e um mapa do caminho estratégico para 2026–2040 foi apresentada em Brasília e reúne diagnósticos e propostas para estruturar uma cadeia produtiva integrada no país, desde a mineração até a fabricação de produtos de maior valor agregado.

Segundo a Agência Brasil, o estudo busca subsidiar políticas públicas voltadas ao aproveitamento de minerais considerados essenciais para setores como transição energética, indústria eletrônica, defesa e tecnologias digitais.

Potência geológica, produção limitada

Embora detenha aproximadamente 25% das reservas globais de terras raras — a segunda maior participação do mundo, atrás apenas da China —, o Brasil responde por apenas 0,15% da produção mundial e ainda não possui capacidade de refino desses minerais. O estudo destaca que essa diferença entre potencial geológico e capacidade industrial constitui o principal desafio para o país.

Enquanto o Brasil permanece concentrado na etapa inicial da cadeia, a China domina os segmentos de maior valor agregado. O país asiático concentra cerca de 69% da produção mundial e aproximadamente 91% da capacidade instalada de refino de terras raras, resultado de décadas de política industrial voltada ao setor.

O valor está no processamento

Os pesquisadores argumentam que o maior ganho econômico não está apenas na extração mineral, mas nas etapas seguintes da cadeia produtiva.

Após a mineração, os minerais passam por processos de separação química, produção de metais e ligas especiais e, finalmente, pela fabricação de ímãs permanentes de alta performance, utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa e inteligência artificial.

É justamente nesses segmentos que a China mantém posição dominante, controlando cerca de 90% da produção global de ímãs de terras raras.

Reorganização geopolítica

O estudo também analisa como a disputa entre China, Estados Unidos e União Europeia transformou as terras raras em um ativo estratégico da geopolítica contemporânea.

Segundo o documento, a pandemia de covid-19, as interrupções no fornecimento provenientes de Mianmar e as recentes restrições chinesas às exportações aceleraram a busca por novos fornecedores e aumentaram o interesse internacional pelas reservas brasileiras.

Nesse contexto, diversos países passaram a considerar minerais críticos como questão de segurança econômica e industrial.

Política industrial de longo prazo

Em vez de ampliar apenas a mineração, o CGEE recomenda a construção de uma cadeia integrada capaz de agregar valor à produção nacional.

Entre as propostas estão investimentos em plantas de refino, desenvolvimento tecnológico, formação de mão de obra especializada, estímulo à pesquisa e incentivos para a instalação de indústrias de alta tecnologia no país.

O objetivo é permitir que o Brasil deixe de atuar apenas como exportador de matéria-prima e passe a participar das etapas industriais de maior valor agregado, reduzindo sua dependência tecnológica e ampliando sua inserção nas cadeias globais de minerais estratégicos.

Leia abaixo a íntegra do estudo divulgado pelo CGEE

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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